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Cotidiano
Seca 2016

Moradores de municípios do AM relatam dificuldades por conta da vazante dos rios

Em Envira, no Sudoeste do Estado, moradores contam que nunca haviam presenciado uma seca como a desse ano 18/09/2016 às 18:23 - Atualizado em 20/09/2016 às 17:40
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No início desse mês os municípios de Apuí, Anamã e Guajará decretaram estado de emergência por conta da vazante. Foto: Divulgação
Alik Menezes Manaus

Municípios do Amazonas continuam sofrendo com a vazante dos rios. Em alguns interiores a população relata a falta de alguns insumos, combustíveis e até prejuízos com embarcações que encalham nos rios.

No município de Envira, no Sudoeste do Estado, moradores contam que nunca haviam presenciado uma seca como a desse ano. O conselheiro tutelar, Gilsandro Paiva da Silva, 31, disse que a situação é precária. “Os barcos não conseguem chegar aqui na cidade, os que conseguem são embarcações pequenas. Quando os mantimentos chegam, tudo acaba muito rápido, ninguém está passando fome, mas acaba tudo rápido nos comércios. As pessoas estão comprando no atacado”, contou.

Além da dificuldade das mercadorias chegarem ao município, o conselheiro disse que os donos de embarcações de grande e pequeno porte têm amargado prejuízos sérios. “Tem muito barco encalhando nos rios, principalmente no Juruá. A coisa mais comum é ouvir as pessoas reclamando do atraso de encomendas. A seca só traz prejuízos”, disse.

Na semana passada, o conselheiro disse que uma embarcação, que transportava combustível, encalhou e pouco tempo depois explodiu. “Foi um susto quando a população ficou sabendo, a gente não sabia se as pessoas haviam morrido. Depois ficamos sabendo que só um cachorrinho morreu”, contou.

Alerta
A  Defesa Civil do Amazonas emitiu ”Estado de Alerta” para mais quatro municípios por conta da estiagem. No total, 15 municípios das calhas do Purus, Madeira e Juruá estavam em estado de alerta, que poderia evoluir para “situação de emergência”. Humaitá, Manicoré, Apuí, Novo Aripuanã, Boca do Acré, Pauini, Lábrea, Canutama, Tapauá, Guajará, Ipixuna, Envira, Eirunepé, Itamarati e Carauari estavam em “Estado de Alerta”.

No início desse mês os municípios de Apuí, Anamã e Guajará decretaram estado de emergência. O nível está tão baixo que as balsas não estão atravessando os rios e acabam afetando até a chegada de alimentos aos municípios.

Para aumentar a profundidade do rio e facilitar a navegação de embarcações, enquanto durar o período de estiagem, no dia 15 do mês passado, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) concedeu licença para uma empresa de balsa realizar a atividade de dragagem em alguns pontos do rio Madeira.

Registro histórico
A maior seca  da história do Amazonas foi no ano de 2010, quando as menores marcas foram registradas nas calhas dos rios dos municípios de Tabatinga, Careiro da Varzea, Parintins, Coari e Manaus.

O nível do Rio Negro atingiu a cota mínima de 13,63 metros no dia 24 de outubro. Naquele ano, 40 municípios decretaram situação de emergência e mais de 62 mil família foram atingidas pela seca.

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