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Cotidiano
Habitação

Moradores dos conjuntos Viver Melhor falam sobre o que mudou em suas vidas

Fim do pagamento de aluguel, e conquista da sonhada casa própria, foram os fatores principais destacados por quem se mudou para as novas residências populares 23/05/2016 às 19:56 - Atualizado em 24/05/2016 às 14:23
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A doméstica Inês Castro da Costa reside há 3 anos no Viver Melhor 1 com o marido e filho / Fotos: Euzivaldo Queiroz
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Quem se transferiu para o Conjunto Residencial Viver Melhor mudou de vida principalmente no fator financeiro após adquirir a sonhada casa própria. Pelo menos é o que  relataram moradores entrevistados por A CRÍTICA quanto ao que mudou e quais os benefícios com a alteração de domicílio.

No Viver Melhor 1, do bairro Santa Etelvina, na área conhecida como Lagoa Azul, Zona Norte, a doméstica Inês Castro da Costa, 28, reside com o marido, o operador de máquinas Franciney Pereira da Costa e o filho Arthur Castro da Costa, de 9 anos de idade. O trio se mudou para o conjunto há 3 anos, após alguns anos morando na rua General Figueiredo, no Lírio do Vale, Zona Oeste.

“A mudança pra cá pro conjunto foi melhor para mim, com certeza. Eu saí do aluguel, onde pagava uma coisa que não era minha. Eu gastava R$ 450 mais a energia elétrica. Hoje, isso aqui é meu, do meu marido e do meu filho”, explica ela. Hoje, ela, que é da cidade de Curuá (PA), está em um apartamento com sala de estar, cozinha, dois quartos e área de lavanderia.

“Antes eu estava perto de lojas, feiras, etc. Aqui têm essas coisas, mas em menor número. No entanto, a diferença é que a casa é minha”, ressalta ela, que paga R$ 51 mensais em um contrato de 10 anos junto à Caixa Econômica e que vai até 2023. 

A também dona de casa Ordênia Gomes de Amorim, 47, é vizinha de Inês no mesmo bloco e disse que mudar para o Viver Melhor foi uma das melhores coisas que já aconteceram na sua vida.

Antes, ela residia em uma quitinete praticamente à beira do rio no bairro Mauazinho, Zona Sul da cidade, junto com o marido Alexandre Amorim, que é mecânico de oficina, e mais três filhos – Thaissa, 15, Thaís 12 e Alexandre Filho, 10. Ela pagava R$ 250 por apenas uma sala e quarto para os cinco. Hoje, desembolsa R$ 80 mensais.

“Estou aqui há 3 anos. Mudar para cá foi tudo de bom pois eu não moro alugado e o imóvel é meu. Eu pago o que é meu. Minha vida mudou para melhor. Para mim, que converso mais com a Inês, considero que os vizinhos são pessoas legais”, comenta ela, sobre a ambientação da Zona Sul para a Zona Norte da cidade.

A principal diferença que ela sentiu é que, além de ganhar um imóvel próprio, conta usufruir de ruas “boas para caminhar e andar de bicicleta, além de existirem colégios dentro do conjunto”.

Dificuldades

Mas nem tudo são flores no conjunto. Inês Costa relata que, entre as poucas dificuldades existentes desde que ele se mudou para o Viver Melhor do bairro de Santa Etelvina, é o transporte coletivo, que atrasa bastante e, além disso, só aparece lotado. “O ônibus que passa por aqui é o 356 (Viver Melhor-Centro). Só tem ele. Eu acho que poderiam colocar coletivos articulados para trafegar aqui no conjunto. Os que existem só ‘rodam’ pela manhã de 5h às 8h e de à tarde 16h às 20h. É a nossa única salvação”, relata ela.

Já a serviços gerais Maria dos Santos, que reside no Viver Melhor 3, reclama que os constantes assaltos no local vêm tirando o sono de quem reside no local. Segundo ela, outro entrave são invasores que estão ateando fogo em uma área verde do próprio conjunto. “A situação ta ficando insuportável”, resume ela, sem se deixar ser fotografada pela reportagem.

Revogação

Quanto à portaria do presidente da República interino Michel Temer, que revogou na última terça-feira a ampliação do programa “Minha Casa, Minha Vida”, para a modalidade “Entidades”, a moradora Inês Castro da Costa diz que isso é péssimo, pois tira as expectativas de quem sonha com a casa própria. “Pessoas como eu, antigamente, nem tinham qualquer perspectiva de conseguir comprar uma moradia própria. Hoje é mais fácil você adquirir uma casa com esses projetos sociais. Antigamente não tinha isso. Agora estão ‘cortando’ os sonhos”, declarou a dona de casa.

Para Ordênia Gomes de Amorim, a situação ficou difícil agora. “Para quem está esperando ter a moradia ficou complicado, com certeza. Na nossa época tivemos foi sorte de ficar com essa casa. Minha sogra é uma dessas pessoas que está aguardando para receber um imóvel. O governo não pode ‘segurar’ essas casas que já estão prontas”, destaca ela.

Ministro das Cidades assegura manutenção do programa

Mesmo após a divulgação na última terça da revogação de portaria que autorizava a ampliação do “Minha Casa, Minha Vida”, o novo ministro das Cidades do Governo Federal Interino, Bruno Araújo, assegurou na última sexta-feira que o programa será continuado sem qualquer interrupção em todo o País.

“Os programas sociais são prioridade do governo interino Michel Temer”, informa texto divulgado no site oficial do Ministério das Cidades (cidades.gov.br), onde o titular da pasta reafirma o compromisso com o MCMV e com a “importância do seu aprimoramento e na medida em que a economia permitir, sua ampliação, com objetivo justamente de garantir que os programas sociais possam prosseguir”.

O ministro, porém, falou em cautela. “Estamos em um momento de transição, em hipótese alguma neste momento falaríamos em uma suspensão do programa Minha Casa, Minha Vida. O que estamos fazendo é sendo cautelosos, avaliando o que nos permite prometer para que não possam ocorrer falsas esperanças, iremos trabalhar arduamente para que possamos fazer o melhor para a população brasileira”, reafirmou Araújo.

Caixa Econômica

A reportagem de A CRÍTICA entrou em contato com a superintendência regional da Caixa Econômica por meio de sua assessoria de comunicação, mas a autarquia informou que não iria se pronunciar sobre os impactos que a revogação poderia ter no Estado do Amazonas, preferindo ressaltar o desmentido do ministro.

Município

A Subcretaria de Habitação e Assuntos Fundiários (Subhaf) aguarda que o Governo Federal e Caixa Econômica Federal voltem a pactuar (assinar convênios) com o Município visando dar continuidade a obras como o Cidadão Manauara 2 (no bairro Santa Etelvina, Zona Norte) e que terá de 800 a 1000 unidades. O Cidadão 1 será entregue até o fim do ano com 800 unidades e no mesmo local.

A Subhaf tem uma lista de espera para os empreendimentos com 100 mil pessoas cadastradas na lista de espera.

Estado

Por meio de sua assessoria de comunicação, a Superintendência de Habitação do Estado do Amazonas (Suhab) informou que, para a política habitacional nos contratados do Estado e Município não haverá impacto, pois a medida da portaria se restringe a construção de Unidades Habitacionais na “Modalidade Entidades”.

São três os empreendimentos do programa no Estado: Residencial Viver Melhor 1ª Etapa (3.511 unidades habitacionais, entre casas e apartamentos), 2ª Etapa (5.384 unidades e 3ª etapa (2.000 unidades apartamentos). No total são 10.895 unidades habitacionais.

Os residenciais Viver Melhor 1ª e 2ª Etapa foram considerados o maior empreendimento do Minha Casa, Minha Vida do Brasil, totalizando 8.895 unidades habitacionais. Atualmente, o banco de dados da Suhab conta com mais de 18 mil famílias cadastradas.

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