Terça-feira, 21 de Maio de 2019
MAIS SEGURANÇA

Moradores encerram protesto por segurança na BR-319 após negociação com a polícia

Eles fecharam a rodovia por sete horas pedindo justiça, presença da polícia e investigação do assassinato de um morador



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(Foto: Jander Robson)
26/01/2017 às 15:22

A manifestação de moradores pedindo mais segurança, ocorrida hoje no Km 52 da rodovia federal BR-319 (Manaus/Porto Velho), terminou por volta das 12h30 após uma negociação com Polícia Civil do município de Careiro Castanho. Os moradores fecharam por sete horas os dois sentidos da estrada, queimaram pneus e pedaços de madeira e pediram justiça e investigações de um assassinato de um morador ocorrido na noite de ontem.

O fechamento da rodovia prejudicou pelo menos 100 motoristas. Vários veículos ficaram enfileirados na estrada impedidos de seguir. O delegado de Careiro Castanho, Daniel Antônio, foi ao local e ouviu as reclamações da população, todos moradores da comunidade do Araçá, dentro do perímetro de Careiro Castanho, onde ocorreu o assassinato. O delegado se comprometeu em repassar as reivindicações dos populares para representantes do Governo do Estado.

“Não temos policiamento e nem como nos comunicar com os outros municípios. Demos um prazo de 10 dias para ter uma resposta concreta sobre qual será o plano de melhoria para a nossa comunidade”, destacou o líder da manifestação e presidente do Conselho de Defesa Popular do Careiro, Robyson Albuquerque.

A manifestação começou por volta das 6h de hoje após a ausência, por mais de dez horas, da polícia no local onde o morador foi assassinado. “Houve um homicídio ontem e o corpo ainda está no local, ao lado da porta, na sala. A gente liga para a polícia e somos informados que estão sem gasolina”, disse no início da manhã o comerciante Raimundo da Silva Laranjeira, morador da vila do Araçá.

A vítima do crime foi identificada como “Seu Menezes”, de 60 anos, que foi golpeado com várias facadas na região do tórax quando estava dentro de casa, na noite de ontem. “O cara arrombou a casa e matou o Seu Menezes. Ele morava sozinho e tentou se defender, mas não conseguiu. Estava assistindo o jogo na TV quando fizeram isso com ele”, explicou Raimundo Laranjeira.

De acordo com os moradores, o corpo da vítima ficou no local e não passou por perícia, mesmo havendo um posto de polícia a cerca de 10 metros da casa dele. O posto está desativado. “Ele mora perto de uma delegacia que está lá só de enfeite, não serve para nada. Nossa comunidade tem sofrido muito com a violência”, disse Ozeleide Galvão, vizinha de Menezes.

Corpo removido

Por volta das 10h, agentes da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) do Careiro Castanho recolheram o corpo da vítima e o levaram para Manaus. “Foi o único carro que passou aqui para ir para Manaus e deixamos ele ir, para o corpo não ficar ali né”, completou Ozeleide Galvão. Segundo ela, familiares da vítima foram ao local e acompanharam a remoção.

Polícia Civil

Em nota enviada às 11h20 de hoje, a Polícia Civil do Amazonas informou que “as equipes de investigação já estavam no local do homicídio”. Sobre o posto de polícia fechado, o órgão disse que a delegacia da comunidade do Araçá “foi desativada antes da construção da Ponte Rio Negro" e que “atualmente a delegacia do Careiro Castanho responde pela comunidade”. A Polícia Civil não respondeu sobre a denúncia de falta de gasolina nas viaturas.

A reportagem também solicitou informações da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) sobre a ausência de peritos do Instituto de Criminalística e de agentes do Instituto Médico Legal no local. Em resposta, o órgão informou que “o IML só foi acionado por volta das 9h30 de hoje (26) para remoção do corpo no porto do Ceasa, na Zona Leste de Manaus, e a perícia também não foi acionada”.


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