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Moradores ‘inovam’ e fazem ligações clandestinas aéreas para furtar água, em Manaus

Seguindo a trilha já comum nas ligações elétricas, moradores da Comunidade Raio de Sol, Zona Norte de Manaus, inovam erguendo os 'gatos' de água pelo mesmo caminho da rede elétrica, provocando riscos 21/10/2014 às 10:02
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Alternativa para conseguir água foi pendurar os canos pelo mesmo caminho da rede elétrica, provocando riscos
ACYANE DO VALLE Manaus-AM

Moradores da comunidade Raio de Sol, no bairro Nova Cidade, Zona Norte, “inovaram” na hora de conseguir água para as suas casas: realizaram ligações clandestinas “aéreas”. São quilômetros e quilômetros de mangueiras que ficam parte nas ruas e parte amarrada nos postes de iluminação pública, por arames, fazendo o mesmo caminho da rede de energia elétrica, até as casas. Os ‘gatilhos’ oferecem risco não apenas para as pessoas que recebem a água, mas, principalmente para os pedestres que passam pelos locais que possuem as ligações clandestinas.

Na avenida Margarita, próximo a um posto de gasolina, 12 mangueiras estavam amarradas em um único poste de luz. Algumas, para permanecerem suspensas na via, estavam amarradas por arames diretamente na fiação elétrica. O mais arriscado é que essas mangueiras, frequentemente, furam e acabam vazando grandes volumes de água, como disseram os próprios moradores. No local, passam pedestres, veículos pequenos e de carga pesada, além de ônibus. Já ocorreram situações, conforme relatos, de carretas muito altas derrubarem as ligações clandestinas, prejudicando inclusive o abastecimento de energia no local. “Às vezes, passam e arrastam tudo, vai até fio de luz e a gente fica sem energia”, contou uma moradora que preferiu não se identificar.

Nesta segunda-feira (20), por volta das 15h, A CRÍTICA flagrou várias mangueiras suspensas furadas, resultando em um grande desperdício de água, inclusive as que também estavam no chão, nas ruas adjacentes. “Esse vazamento tem umas duas semanas e é assim todo tempo”, contou o funcionário de um posto de gasolina, instalado no trecho com maior número de ligações clandestinas “aéreas”.

As mangueiras são emendadas por tiras de borracha para atravessar as ruas até atingir as casas. De acordo com moradores, boa parte da comunidade não estaria incluída na rede de abastecimento de água e por isso eles decidiram usar as mangueiras. Algumas levam água para três a quatro famílias; mas outras pertencem a apenas um morador. Quando acontece um rompimento, o custo de troca e pagamento do serviço é rateado pelas famílias abastecidas ou absorvido por um único morador. A CRÍTICA apurou que esse custo pode chegar até R$ 100, dependendo do tamanho da mangueira que deverá ser trocada.

Ano de 2013 com muitas notificações

Em 2013, foram registradas mais de 22 mil notificações por uso ilegal de água, representando uma perda de 35% do volume produzido anualmente pela Manaus Ambiental. As áreas com maior incidência de ocorrências estão nas Zonas Leste e Norte, mas as irregularidades são encontradas em toda cidade.

Nesta segunda, na comunidade, um morador explicou que providências foram pedidas, porém nada foi feito. “Já teve gente que veio aqui, filmou tudo, mas até hoje ninguém tomou providência nenhuma e o povo tem que se virar”, comentou. Sobre uma das mangueiras com vazamento há duas semanas, o ‘dono’ disse que não iria trocá-la porque morava de aluguel e entendia que o proprietário do imóvel é quem deveria arcar com a substituição da borracha.


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