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Moradores protestam contra homicídio cometido por policial militar em Eirunepé

Familiares, amigos e conhecidos de Iuquese Silva, que levou um tiro de um PM que estava de folga, contestam versão de que o jovem ameaçou matar o agente. Segundo o policial, o rapaz partiu para cima dele com um terçado 01/07/2015 às 17:28
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Moradores prometem um novo protesto no domingo
Kamyla Gomes Manaus (AM)

CONFIRA O VÍDEO DO PROTESTO

Cerca de 500 pessoas, entre amigos e familiares do vendedor Iuquese Jhone da Silva, de 21 anos, morto com um tiro no abdômen na madrugada do domingo (28), por um policial militar identificado como Ramon Alves - protestaram contra o crime que abalou e causou revolta na população do município de Eirunepé (a 1.159 quilômetros de Manaus).

A concentração foi no mesmo local do homicídio, na rua Leôncio, bairro Aparecida, onde a vítima morava, e passeata seguiu até a frente ao 1ª Comando Independente da Polícia Militar (CIPM), na manhã do domingo. Moradores do município prometem um novo protesto no dia da missa de 7° dia do falecimento de Iuquese, no próximo domingo. O jovem era separado e deixou um filho de 2 anos de idade.

Abalada, a mãe de ‘Quessi’, como era conhecido, a doméstica Maria Inês, de 45 anos, disse que no dia do homicídio seu filho tinha saído para tomar uma sopa com alguns amigos.

“Ele saiu com os amigos e retornou de bicicleta para casa. No caminho, ele bateu e derrubou a cerca de um vizinho, que xingou ele por isso. Meu filho retornou para nossa residência e pegou um terçado, creio que era para consertar o que tinha feito. Fui atrás dele e quando cheguei, encontrei meu filho caído no chão”, afirmou.

Iuquese deixou um filho de dois anos (Foto: reprodução)

De acordo com a mãe, a morte aconteceu em frente à casa da namorada de Ramon. O policial estava na companhia de outros amigos. Todos estavam bebendo, segundo ela. Maria Inês contou que, ao chegar no local, o policial disse, friamente, para ela não se aproximar do corpo, pois ele já iria ser socorrido.

“Eu nem sabia que aquele homem era policial. Ele disse que atirou para se defender e assustar. Mas não foi. Ele deu um tiro fatal por pura maldade, para matar o meu filho. O PM foi tão frio que não deixou eu me aproximar de Quessi. Ele não queria que eu chegasse perto”, disse a mulher, chorando, por telefone.

“Hoje estou sem ele, o que ele fez com meu filho, pode fazer com qualquer pessoa. Tudo o que queremos é justiça, pois eu conhecia meu filho, não tinha problemas com nada e nem ninguém. Era responsável e trabalhador”, completou.

Reações e indignação 

O jornalista e professor Ribamar Félix, de 52 anos, disse que ninguém aceita a versão dada pela polícia e que ela foi o motivo da revolta. “Não vamos aceitar e vamos brigar até elucidarem por completo esse crime. Não aceitamos a versão essa versão de que o Quessi estivesse enfrentando o policial. A vítima era atleta, gostava de jogar bola e era um bom homem”, contou.

O professor disse também que o PM não tem condições "nem para conduzir uma equipe" e que já havia se envolvido em outras confusões. “Há duas semanas ele se envolveu em outra situação com outros policiais. nesse dia, eles trocaram tiros com uns pescadores” afirmou.

Iuquese estava trabalhando há dois anos como vendedor em um mercadinho. O proprietário do local, o empresário Arnaldo Martins, de 42 anos, lamentou o ocorrido e disse que o jovem era "responsável e um bom rapaz". “Eu não tenho nada do que reclamar. Era um bom rapaz, pontual e responsável. Eu lamento pela família por essa perda tão grande. Estamos indignados e no dia do protesto vimos o quão a população está sem entender o motivo disso tudo”, disse o patrão de Iuquese.

Policial vai responder por legítima defesa

Em nota, a Polícia Militar informou que a vítima estava armada com um terçado, que o policial se sentiu ameaçado e por isso atirou. Ao ser atingido, o homem foi socorrido e levado para o hospital, onde não resistiu aos ferimentos. A PM informou também que a morte será apurada em procedimento administrativo interno.

O delegado titular da Delegacia Interativa de Eirunepé, Mauro Canale, informou que foi realizada uma perícia básica na vítima. Quanto ao policial militar, o delegado disse que ele não está preso. Mauro Canale afirmou que o inquérito ainda está em andamento, mas adiantou que Ramon Alves vai responder processualmente pelo crime de homicídio motivado por legítima defesa.

A reportagem solicitou da PM os contatos de Ramon Alves, que permanece em Eirunepé, para ouvir o relato dele. A PM informou que tentou contato com os policiais do município nesta quarta-feira (1º), mas não obteve sucesso. A coorporação afirmou que enviará uma nota sobre o caso nesta quinta (2).

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