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Moradores utilizam água poluída de cacimba para criarem peixes e até fazerem dindin, em Iranduba

A água utilizada pelos moradores vem de várias cacimbas, que ultimamente servem como criadouro de larvas de mosquito da dengue, algumas espécies de peixes como tilápia, pirarucu e até tartarugas 22/01/2015 às 09:42
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Com infraestrutura precária e sem encanamento de água, moradores do distrito de Cacau Pirêra cavam buracos na terra e utilizam a água das cacimbas no consumo e para a produção de dindin
Perla Soares Iranduba (AM)

Os moradores do bairro Nova Veneza, no distrito de Cacau Pirêra, em Iranduba, utilizam as água poluídas das várias cacimbas construídas no bairro para criarem peixes e com a mesma água usam para lavar roupas, louças, tomar banho, fazer comidas e até mesmo na produção de dindin.

A CRÍTICA foi até o local e constatou a utilização dessa água por moradores do Nova Veneza. Os buracos (cacimbas) feitos no chão antigamente eram muito utilizados onde não existiam água encanada. Hoje estão sendo criadouros de larvas de mosquito da dengue (Aedes aegypti), algumas espécies de peixes como tilápia, pirarucu e até tartarugas.

O pescador Matheus Reis da Silveira, 23, estava escovando a cacimba que fica no quintal da casa dele e afirmou que cria pirarucu para vender. “Eu tinha três pirarucus aqui, mas vendi dentro desta cacimba, agora só tenho um”, disse. Com a mesma água onde o pirarucu está sendo criado, Maria José de Lima Queiroz, 75, vizinha do pescador, leva a louça e a roupa suja para lavar. “É o mais perto que posso ir e essa água não mata minha filha, se matasse já estavam todos daqui mortos”, disse.

Em outra cacimba no mesmo bairro foi encontrado outro criadouro de peixe e tartarugas. O homem, que não quis se identificar, pois sabe que criar tartarugas é crime, disse que mantém os quelônios na cacimba somente para seu consumo e ainda informou que dentro de outra cacimba existem peixes da espécie tilápia e na cacimba ao lado ficam as seis tartarugas. “Se alguém paracer aqui para falar comigo vou atrás de vocês. Eu não vendo apenas é para a minha família comer”, disse.

Em várias ruas do bairro foi fácil encontrar cacimbas a céu aberto com a água totalmente poluída, cheias de lixo, tornando-se um verdadeiro criadouro de mosquito da dengue. Segundo Maria José, essa situação é bem antiga e que existe crianças que ficam doente durante o ano todo. Segundo ela, a situação piora quando começa o período das chuvas. “Quando chove, as águas da cacimba misturam com as águas chuva que viram lama. Ninguém sabe se é amarela do barro ou se não é lama de água parada, mas mesmo assim as pessoas bebem, fervem e fazem dindin para vender com essa água podre”, afirmou.

Área sofre com a cheia e invasão

O prefeito de Iranduba, Xinaik Medeiros, informou que a maior parte do Cacau Pirêra é uma área de enchente e que toda a área do bairro Veneza é de invasão. Ele afirma que a invasão é um problema sério para o município, Poder Público e para os próprios moradores. “Se é ruim na cheia, imagina na seca. Mas não se preocupe o rio já está enchendo e essas cacimbas vão sumir”, disse Xinaik.

O prefeito ainda informou que por enquanto não pode fazer nada, pois o que tinha que ser feito já foi executado pela prefeitura e que agora é esperar. “Eu levei ao conhecimento do Governo Federal, que me informou que eles têm um projeto de fazer um Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim)”, disse. Xinaik ainda informou que 2.200 casas, em parceria com o Governo do Estado, serão construídas, mas está esperando o dinheiro ser liberado. “O valor do projeto é de R$ 75 milhões e o projeto está com o Governo Federal, só faltam alguns detalhes. Até o fim de março deste ano estão finalizando os trâmites para dar início às obras e fazer uma revitalização geral, criar o aterro para construção de apartamentos de três pisos para assentar aquele povo”, declarou o prefeito.

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