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Morre em São Paulo, aos 77 anos, o empresário amazonense Adib Mamede Assi

Empresário do ramo da construção lutava contra um câncer. Tio do escritor Milton Hatoum, ele foi uma das pessoas que incentivaram o sobrinho a escrever 20/10/2015 às 15:25
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Empresário foi uma das pessoas que inspirou o sobrinho a escrever
Jony Clay Borges Manaus (AM)

Faleceu na madrugada de hoje, aos 77 anos, em São Paulo, o empresário amazonense Adib Mamede Assi. Além de atuar no ramo da construção no Amazonas, ele era também tio do escritor Milton Hatoum. Adib era cardíaco e estava se tratando de um câncer no intestino, do qual já havia se operado quatro anos atrás, mas acabou sucumbindo durante o tratamento.

Em entrevistas à imprensa, Hatoum costumava dizer que Assi fora uma das pessoas que mais o estimularam a escrever. O escritor dedicou a ele “O adeus do comandante”, um dos contos de seu livro “A cidade ilhada” (2009), hoje prestes a ser adaptado para o cinema pelo cineasta baiano Sérgio Machado.

“O sonho dele (Assi) era ver esse filme pronto, assim como outros também, como o ‘Órfãos do Eldorado’ (baseado em romance homônimo de 2009)”, declarou Hatoum, emocionado. Segundo ele, o tio apontou que seu futuro estaria na escrita. “Ele sempre acreditou no meu trabalho, e dizia que eu não ia ser arquiteto, que minha paixão era mesmo a literatura”.

Hatoum descreveu Assi como “um sonhador”. “Ele tinha também um ímpeto empreendedor, o único empreendedor da família que deu certo”, brinca ele, saudoso. O escritor acrescenta que o empresário era um apreciador da natureza, e que uma de suas últimas iniciativas foi a Pousada dos Pássaros, em Presidente Figueiredo.

“É um projeto muito bonito, criado por Newton Massafumi e Tânia Parma, dois arquitetos premiados que se formaram comigo na USP (Universidade de São Paulo). Ele os conhecia há mais de 40 anos, tinha uma relação forte com eles, que eram também apaixonados pela Amazônia”, comenta.

Adib, lembra Hatoum, também foi um “grande empinador de papagaios” e um apaixonado por Manaus. “Ele adorava Manaus e se deprimia quando saía de Manaus. Era o mundo dele. Nunca viajou ao exterior, não fazia questão de sair do Brasil, nem da cidade. Era um manauara totalmente preso às raízes”, define.

O desprendimento era outra marca do empresário da construção, segundo o sobrinho. “Morava no São Jorge, na fronteira com a Compensa. Não tinha uma vida de ostentação, não tinha luxo. Não ligava para roupas, carros”, diz Hatoum. “Foi um homem modesto com grandes ambições e sonhos. Como todos nós, sempre sonhou com uma cidade melhor, mais humana”.

O corpo de Adib será trasladado para Manaus, onde tem chegada prevista para as 22h40 de hoje (20). O velório será realizado na Funerária Almir Neves da rua Monsenhor Coutinho, no Centro, e o sepultamento marcado para amanhã, quarta-feira (21), às 16h, no Cemitério São João Batista.

*Atualizada às 15h27


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