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Cotidiano
Luto

Morre o psiquiatra e ativista antimanicomial Rogélio Casado, aos 63 anos de idade

Personagem influente no cenário cultural do Amazonas, Rogélio estava internado em Manaus e teve uma parada cardiorrespiratória 17/05/2016 às 15:04 - Atualizado em 18/05/2016 às 10:13
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Rogério Casado faleceu às vésperas do Dia Nacional da Luta Antimanicomial, data celebrada no dia 18 de maio, e que o médico ajudou a instituir no Brasil / Foto: Bruno Kelly / Arquivo AC
Rafael Seixas Manaus (AM)

O médico psiquiatra Rogélio Casado morreu na manhã desta terça-feira (17), aos 63 anos de idade, em decorrência de uma parada cardiorrespiratória. Rogélio estava internado há 17 dias na Unidade de Terapia Intensiva da Unimed Manaus, situada no espaço físico da universidade Nilton Lins, na Zona Centro-Sul de Manaus.  

De acordo com o empresário e atleta Pablo Casado, filho do médico, Rogélio estava com complicações respiratórias há oito meses.

“Estávamos tentando investigar o que meu pai tinha. Na semana passada, ele fez uma biopsia e o material estava em análise na USP [Universidade de São Paulo], mas, hoje pela manhã, teve uma parada cardíaca na UTI da Unimed. O pulmão dele não estava legal, estava comprometido e ninguém sabia o que ele tinha”, contou.

“Meu pai foi referência na luta antimanicomial no Amazonas e no Brasil. Ele nos deu grandes exemplos de humanidade e de solidariedade, sempre preocupado com o bem-estar de todos. Além disso, ele sempre foi preocupado com o futuro político do nosso País. Um cara politizado que vai fazer muita falta. Não vejo outra pessoa que possa ocupar essa grande lacuna”, acrescentou.

Rogélio Casado deixa três filhos: Pablo, 38, Diego, 35, e Ruan, de 11 anos de idade. A esposa do médico, Nivya Valente, faleceu há 22 dias em decorrência de um câncer de mama.

O velório do psiquiatra ainda está sendo organizado, mas, segundo familiares, deve ocorrer na funerária Almir Neves, na avenida Joaquim Nabuco, no Centro de Manaus. O enterro será no cemitério São João Batista, na Zona Centro-Sul.

Trajetória

Rogélio Casado é um dos principais nomes da luta antimanicomial no Brasil. Ele era membro da Associação Chico Inácio, filiada à Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial. Chegou a fazer greve de fome por seis dias em defesa da reforma psiquiátrica, coordenou a Saúde Mental do Amazonas de 2003 a 2007,   coordenou três CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), teve uma residência médica em psiquiatria, participou de duas paradas do orgulho louco, idealizou um projeto de censo psiquiátrico e uma Lei de Saúde Mental.

Na área cultural também fez grandes contribuições, seja como fotógrafo, documentarista ou como um dos fundadores da Banda Independente Confraria do Armando (Bica).

Segundo o jornalista Mário Adolfo, também um dos fundadores da Bica, Rogélio foi uma pessoa importante para os movimentos sociais e estudantis contra a Ditadura Militar.

“Ele foi um grande psiquiatra e fez um importante trabalho na sua área. Participou desde a primeira Bica fazendo registros fotográficos. Manaus perdeu um dos seus filhos mais representativos. O Rogério sempre lutou pela justiça social e pelos direitos humanos. Ele não conseguia ficar perto de alguém sem ficar preocupado com a pessoa e, principalmente, com os seus pacientes. Não perdermos só um amigo, mas sim um grande intelectual”, declarou.

Mensagens na rede social

Muitos alunos, admiradores e amigos lamentaram a morte do médico em sua página no Facebook. O compositor e músico amazonense Zeca Torres, o Torrinho, escreveu: “Tristeza grande! Soube agora da partida de uma admirável figura, um amigo com quem eu não tinha contatos frequentes, mas o admirava muito pela inteligência e combatividade, principalmente na luta pela humanização dos hospitais psiquiátricos, contra o preconceito e pela inclusão dos doentes mentais na sociedade. Vá em paz, grande Rogélio Casado”.

O diretor de cinema Aurélio Michiles também comentou a morte precoce do psiquiatra. “Notícia hiper triste. Acabo de saber da morte do nosso querido Rogélio Casado, médico psiquiatra que batalhou pelas lutas antimanicomiais no Amazonas. Arriscaria dizer que foi um pioneiro. Não faz um mês que perdeu a esposa, nós amazonenses estamos abalados por esta perda, desejando paz e a permanência do legado desta grande personalidade”.

Rogério Casado faleceu às vésperas do Dia Nacional da Luta Antimanicomial, data celebrada no dia 18 de maio, e que o médico ajudou a instituir no Brasil.

Rogélio foi um dos fundadores da Banda Bica

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