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Morte de músico Champignon não é caso isolado

Suicídio de Champignon vai aumentar as estatísticas que, segundo a OMS, registram 1,1 milhão de casos a cada ano 11/09/2013 às 08:44
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Chorão e Champignon formaram o Charlie Brown e morreram este ano, um por overdose e outro cometeu sucidídio. Ambos os casos poderiam ser evitados
Gerson Severo Dantas Manaus

A morte do baixista do grupo Charlie Brown Júnior e vocalista da Banca, segunda-feira, com um tiro na boca, ressaltou a importância da prevenção aos casos de suicídio, causa provável da morte do músico. O caso dele não é isolado e, segundo dados da Organização Mundial de Saúde, o número cresceu 60% em 40 anos e mais de 1,1 milhão de pessoas tiram a própria vida a cada ano.

O pior é que, também segundo estimativas  da OMS, para cada tentativa bem sucedida, há outros 20 casos nos quais a vítima é salva nas redes de saúde.  Para se ter uma ideia desse número, a pandemia da Síndrome Respiratória Aguda Severa, a SARS, começou na Ásia em 2003. Foram notificados aproximadamente oito mil casos com 800 óbitos. Um bom paralelo com o suicídio  está na gripe de Hong Kong (H3N2), doença que assustou o mundo entre 1968 e 1969. Espécie de gripe aviária, ela matou um milhão de pessoas em dois anos em todo o mundo. Os números mostram que apenas nas duas primeiras semanas de registros, meio milhão de casos foram diagnosticado em Hong Kong, então um protetorado da Inglaterra dentro do território da China.

Para chamar atenção da população mundial para o problema, que pode ser considerado uma pandemia, a OMS estabeleceu o dia 10 de setembro como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Não há dados específicos do Brasil, mas conforme o estudo Mapa da Violência, citado pelo blogueiro Andre Trigueiro, são 5,1 suicídios para cada grupo de 100 mil habitantes, um número ainda modesto em termos mundiais, mas que está periogosamente crescendo. Na década de 80, segundo o estudo, o crescimento foi residual e na casa de 2,7%. Na década seguinte registrou-se crescimento de 18,8%. Entre 2001 e 2011 houve uma explosão no número de suicídios, que cresceram 28,3%.


A mais antiga ong dedicada a prevenir suicídios no Brasil, o Centro de Valorização da Vida (http://www.cvv.org.br/), que não tem unidades em Manaus, registra no boletim de maio deste ano que, segundo o Sistema de Informações de Mortalidade, do Ministério da Saúde (MS), 9.090 pessoas chegaram ao suicídio no Brasil em 2008, o que correspondia a 25 mortes diárias. Em Manaus não há dados claros sobre o número de suicídios cometidos, mas houve pelo menos três casos ao longo deste ano. Um cidadão se jogou do 17º andar de um prédio, outro se atirou da ponte Rio Negro e uma jovem se enforcou em casa.

Em comum, segundo dados da OMS, os suicidas têm transtornos de humor (depressão), transtornos decorrentes do consumo de alcool ou drogas ilícitas, transtornos de personalidade (bipolaridade) e esquizofrenia. Todos são diagnosticáveis e tratáveis, com porcentual de 90% de cura, diz a OMS.

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