Terça-feira, 21 de Maio de 2019
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Morte de negras é a maioria entre as mulheres, afirma estudo

Em 10 anos, dos 727 casos de mulheres assassinadas, 582 eram negras. Em 2015, quase 10 mil mulheres sofreram violência no AM



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Crime de lesão corporal contra a mulher chega a 2 mil casos somente neste ano, conforme registro do Mapa da Violência
11/11/2015 às 08:52

O crime de ameaça foi o mais denunciando por mulheres no Amazonas, neste ano. Até setembro, foram quase 3,5 mil denúncias registradas. O Mapa da Violência contra a Mulher no Brasil, divulgada na última segunda-feira, confirma que, após as ameaças, o pior ainda pode acontecer. Além disso, o estudo aponta que a maioria das mulheres mortas são negras. Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) mostram que, de janeiro a setembro deste ano, 51 mulheres foram assassinadas e quase 10 mil sofreram algum tipo de violência no Estado. Crimes de injúria e lesão corporal sucedem, respectivamente, a campeã de denúncias no Amazonas.

Pelo menos 2 mil mulheres sofreram lesão corporal até setembro, e quase mil mulheres denunciaram crimes de ‘vias de fato’, caracterizado por empurrões, puxões de cabelo, arremessar-lhes objetos, e outras práticas de ato agressivo, dirigido a alguém. No período de 2003 a 2013, 78 mulheres brancas foram mortas e 582 das outras vítimas eram negras.

Em dez anos, o número de mulheres assassinadas cresceu 174,3% no Estado, com um total de 727 homicídios no período de 2003 a 2013, sendo 582 mulheres pobres e negras.

A secretária de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), Graça Prola, comentou os índices do Mapa da Violência e informou que o número de mulheres que denunciam agressões ainda é baixo. “A maioria dos crimes é cometido pelos ex-companheiros e elas precisam denunciar. Nós agimos imediatamente justamente para fazer a prevenção e evitar crimes letais”.

O município de Barcelos (a 399 quilômetros de Manaus) tem encabeçado a lista das cidades onde mais se matam mulheres. Prola informou que uma equipe irá, ainda esta semana, ao município para tentar buscar providências.

Apoio

A secretária citou, ainda, que a mulher vítima de agressão tem duas alternativas para denúncias e amparo pelo Estado. “Uma é a denúncia rotineira, nas delegacias especializadas de crime contra a mulher e a outra é procurar os serviços de atendimento que disponibilizamos na rede”, informa.

Atrás da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher, na avenida Mário Ypiranga, no Parque 10, Zona Centro-Sul, há um Serviço de Apoio Emergencial a Mulher (Sapem). Na avenida Presidente Kennedy, bairro Educandos, Zona Sul, o Centro de Referência de Apoio a Mulher também é uma opção. “Elas também podem denunciar pelo disque 100, o disque 181 e 180”, ressalta.

Denunciar é o primeiro passo

A titular da Delegacia das Mulheres, Débora Mafra, acredita que os números estão crescendo porque o problema está sendo cada vez mais discutido. Por mais que os crimes tenham aumentado, a delegada ressalta a importância da lei Maria da Penha e aconselha que todos os tipos de violência sejam denunciados.

“É importante que a mulher saiba que ela não vai estar desamparada e que a denúncia é o primeiro passo para acabar com as agressões”. Ainda segundo Débora, a maioria dos casos de mortes de mulheres são passionais, conforme aponta o estudo.

Ela admite que “um pedaço de papel” - referindo-se aos boletins de ocorrência - muitas vezes não surtem efeito. “Foi preciso que outros mecanismos fossem lançados aqui no Estado para coibir essa violência”, comenta.

Os mecanismo são as tornozeleiras eletrônicas, utilizada para o monitoramento dos agressores. O botão do pânico, utilizado no aplicativo ‘Alerta Rosa’, que pode ser acionados pelas vítimas se estiver em perigo e o Ronda Maria da Penha, que, segundo a delegada, faz um acompanhamento das vítima.

Ranking

O Amazonas está em segundo lugar no ranking de mortes de mulheres na região Norte, perdendo apenas para Roraima, que apresentou um aumento de 500%. O Pará ocupa a 3º posição, com aumento de 147,3%.

Mortes

Em 2013, último ano avaliado pelo estudo, 96 mulheres foram assassinadas no Amazonas, sendo 63 vítimas da capital. Dos 727 homicídios em todo o Estado, 62% foram praticados em Manaus.

Em casa

O estudo revelou que a maioria dos casos de assassinatos de mulheres no País em 2013 foram praticados por familiares, sendo 32,2% dos casos pelo parceiro ou ex-companheiro.



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