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Cotidiano
SETEMBRO AMARELO

‘Motivos que levam uma pessoa a tirar a própria vida ainda são tabu’, diz psiquiatra

O suicídio representa 1,4% de todas as mortes no mundo. Dentre as capitais brasileiras, Manaus é a nona com o maior número de casos 26/08/2018 às 07:51
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Foto: Reprodução/Internet
Tiago Melo Manaus (AM)

O suicídio é um fenômeno que ocorre em todas as regiões do mundo. Estima-se que, todos os anos, cerca de um milhão de pessoas morram por suicídio. Só no Brasil, o número chega a 10 mil pessoas. E a cada adulto que se suicida, pelo menos outros 20 atentam contra a própria vida. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) também apontam que o suicídio representa 1,4% de todas as mortes no mundo, tendo se tornado, em 2012, a 15ª causa de mortalidade na população geral; entre os jovens de 15 a 29 anos, é a segunda principal causa de morte.

Pensando nessa realidade alarmante, o Centro de Valorização da Vida criou em 2015, em parceria com o Conselho Federal de Medicina e a Associação Brasileira de Psiquiatria, uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio, o Setembro Amarelo. Em Manaus, o mês contará com ações voltadas para a problemática, como a 4ª Jornada Amazonense de Psiquiatria: Prevenção do Suicídio, com palestras de vários especialistas, incluindo o psiquiatra Cleber Naief, Presidente da Associação Amazonense de Psiquiatria e Diretor Regional Norte da Associação Brasileira de Psiquiatria. O evento, que acontece de 31 de agosto a 1º de setembro, será  aberto para o público.

Para Naief, a melhor defesa contra o suicídio é a ampla divulgação sobre o assunto. “Noventa e cinco por cento dos suicídios são causados pela depressão ou algum tipo de diagnóstico psiquiátrico. Infelizmente, para a sociedade é um tabu aceitar que a depressão necessita de tratamento. Que essas pessoas estão em um sofrimento mental tão profundo que já não querem mais viver”, afirmou ele.

De acordo com o psiquiatra, a depressão se caracteriza como a perda do prazer na vida, tristeza profunda, falta de esperança em resolver os problemas e o sentimento de uma vida sem sentido. Somado a isso, também se encontram pequenas tentativas de suicídio de baixa gravidade, como cortes, ingestão de altas quantidades de remédios e dependência de drogas ilícitas.

“A maconha é uma delas. Temos que combater essa ideia, essa falsa propaganda de que a maconha não faz mal, de que não vicia”, comentou o psiquiatra. Segundo ele, ainda que, de forma geral, o índice de suicídios tenha permanecido estável nos últimos anos, o número de casos cresceu entre os jovens. “Entre as causas do aumento de suicídio de jovens, está o consumo de drogas ilícitas, como a maconha. Importante alertar que ela causa dependência e aumenta cinco vezes o risco de esquizofrenia e de depressão”, alertou.

Dados alarmantes

No Brasil, a cada 100 habitantes, 17 já pensaram em suicídio, cinco planejaram, três tentaram e um conseguiu tirar a própria vida. Conforme o especialista, no país, 6% da população sofre com depressão.

“Dentre as capitais, Manaus é a 9ª com mais casos de suicídio. Em primeiro lugar está Boa Vista, seguida por Porto Alegre, Florianópolis, Vitória, Campo Grande, Teresina, Goiânia e Rio Branco. No ano passado, o Instituto Médico Legal registrou 88 casos na capital amazonense, oito casos a menos do que em 2016, quando registrou-se 96 ocorrências”, informou o médico.

Ainda conforme os dados do IML, desse total de 88 casos, 80% era do sexo masculino e 20% do feminino.

Quanto à faixa etária, Naief revela que há um índice global: “Nos países de renda mais baixas, o pico de suicídios é por volta dos 20 anos. Em países de alta renda, o pico é na faixa dos 50 anos de idade”.

Prevenção e tratamento

A prevenção se dá pela divulgação de que pessoas com depressão, transtorno de personalidade ou abuso de álcool e drogas ilícitas são as mais propensas ao suicídio. “Elas devem receber tratamento psiquiátrico especializado. O tratamento pode ser obtido com médicos clínicos não especialistas e com antidepressivos de baixo custo, alguns deles são distribuídos gratuitamente no SUS”, concluiu Naief.

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