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Cotidiano
CONVERSÕES

Motoristas criticam placas instaladas em pontos críticos do trânsito em várias zonas

Em apenas uma manhã, reportagem constatou a confusão causada por algumas delas e, também, a imprudência e ousadia de motoristas que desrespeitam a existência desses sinais 18/03/2017 às 05:00 - Atualizado em 18/03/2017 às 09:08
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Na avenida J, no Alvorada, ninguém respeita essa placa de sinalização / Fotos: Márcio Silva
Paulo André Nunes Manaus (AM)

O trânsito caótico de Manaus tem um componente extra que vem enchendo a paciência e provocando confusão na cabeça de boa parte dos motoristas da cidade: a existência de placas de sinalização que comprometem a fluidez nas ruas. Em apenas uma manhã, a de ontem, A CRÍTICA  constatou a confusão causada por algumas delas e, também, a imprudência e ousadia de motoristas que desrespeitam a existência desses sinais e ficam, claramente, sujeitos a serem multados.

No cruzamento da avenida J com rua 5 do Alvorada, há um semáforo na esquina da loja Ramsons com a Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (DERFD). O motorista que vem no sentido Alvorada-Dom Pedro, teoricamente pode pegar a esquerda para ir em direção à Fundação Bradesco, em frente no sentido Dom Pedro e à direita para ir em direção ao Santo Agostinho. Ocorre que há uma placa de sinalização que proíbe a conversão dos motoristas para o lado direito, o que é considerado um absurdo para os motoristas tendo em vista que toda conversão à direita é livre.

Para o motorista, motociclista e ourives Raimundo Nonato F. Lima, 61, o problema existente no local é fruto de uma sinalização feita de forma equivocada. “Esse problema existe há um ano. Se ele é uma bifurcação, ele tem que ser direita e esquerda, e não só à esquerda, como esse aqui. Se o condutor virar à direita, ele está sujeito a levar uma multa e receber sete  pontos na carteira de habilitação. Isso tem que ser revisto”, comenta ele. . 

A  CRÍTICA  flagrou condutores desrespeitando a sinalização e fazendo a curva  proibida, fato que foi criticado  pelos motoristas. “Está errado, mas sempre o pessoal faz essa trajetória na esquina”, comenta Joel Rocha. Para o motorista Leandro Barreto, que vinha do Alvorada sentido Dom Pedro, a proibição  é, “sinceramente, uma perda de tempo em virtude de nós termos que fazer o retorno lá na frente”.

A comerciante Ariadne Gomes de Santana, que tem um quiosque de lanches no referido cruzamento, reclama dos constantes acidentes que ocorrem na via. “Esse cruzamento é muito perigoso, não possui faixa para pedestre em todo o local, e as existentes os motoristas não respeitam.  Tinham que melhorar a sinalização pois é um perigo principalmente para as crianças e pessoas que saem do colégio. Os carros passam de qualquer jeito e não param. É um perigo. O ‘horário de pico’ é de 11h30 ao meio-dia e entre 17h e 18h. É preciso haver mais segurança pois os motoristas não respeitam, e somos que temos que ter mais cuidado com a própria vida”, relata ela.

“Deveria ser liberada essa entrada para escoar o trânsito melhor”, disse o motorista Frank Lima.

Condutores não compreendem proibições

Na avenida Dom Pedro 1º com Pedro Teixeira, na Zona Centro-Sul, bairro Dom Pedro, uma placa impede, em tese, quem vem das proximidades da Bola das Letras dobrar à esquerda. Mas, a exemplo da localidade descrita anteriormente, a reportagem também flagrou condutores infringindo a sinalização e avançando pela via proibida. 

A CRÍTICA entrevistou um deles que teve o nome preservado. Ele admitiu o erro de transgredir a sinalização, mas afirmou que é difícil trafegar no local. “É meio difícil você trafegar por aqui. Deveria ser liberada a via de quem vem da Pedro Teixeira (sentido Constantino Nery à avenida Dom Pedro) para entrar à esquerda. Às vezes temos que esperar os carros pararem ou diminuir o fluxo para podermos fazer essa conversão. Na verdade isso não é correto, mas é muito difícil e a gente tem que fazer esse retorno muito longe daqui”, contou ele, que veio do Nova Cidade, Zona Norte.

“Além de tudo isso fica confuso pois os carros que ficam à nossa frente começam a fazer a conversão e causam confusão, e a gente acaba fazendo a conversão junto também. Outro exemplo fica entre a avenida Samaúma com o Igarapé do Passarinho: o retorno tem quase 1 quilômetro. Fora isso a rua é esburacada e muitas vezes está fechada. Como você não pode fazer a curva à esquerda, tem que entrar à direita e fazer uma conversão muito grande até chegar ao destino que é o sinal”, comentou.
Outro motorista, Cosme José Ribeiro, que vinha do sentido Bola das Letras-Dom Pedro, “disse que no local não há uma seta para indicar para fazer a curva e nem para ir direto no semáforo”.

Raiz

Na esquina da avenida Silves com a rua Atlântica, na Raiz, Zona Sul, ocorre a mesma situação com a existência de uma placa impedindo quem vem do sentido Cachoeirinha dobrar à esquerda.

O motorista Adi Pedro é contrário às placas.  “Seria melhor uma sinalização mais ampla, para que o motorista tivesse um sentido melhor para isso aí, porquê da maneira que está fica uma ao lado da outra e chega a confundir muitas das vezes. É comum parar com a placa já em cima de você e às vezes gera acidente mesmo”, comentou ele.

Outro lado

A CRÍTICA  entrou em contato com o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização de Trânsito (Manaustrans) para se pronunciar sobre os locais apontados na reportagem. Por meio de sua assessoria de comunicação, o órgão informou que as observações serão analisadas pelo setor de sinalização do Manaustrans e, caso seja verificada alguma inconsistência, a sinalização será corrigida.

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