Publicidade
Cotidiano
MAUS CAMINHOS

Mouhamad planejava expandir esquema da Maus Caminhos para outros estados do País

Relatório final da PF aponta que o responsável pelo Instituto Novos Caminhos projetou atuar no Amapá, Mato Grosso do Sul e DF, onde “investiu” R$ 1,3 milhão 24/01/2018 às 07:09 - Atualizado em 24/01/2018 às 10:29
Show mouhamad
Investigações apontam que Mouhamad Moustafa já tinha feito “pagamentos” no Distrito Federal, no Amapá e no Mato Grosso do Sul. Foto: Arquivo AC/Márcio Silva
Janaína Andrade Manaus (AM)

O empresário e médico Mouhamad Moustafa, apontado como o líder da organização criminosa que desviou cerca de R$ 110 milhões do Fundo Estadual de Saúde, planejava expandir a atuação do Instituto Novos Caminhos (INC) para outras unidades da Federação, como Distrito Federal (DF), Amapá e Mato Grosso do Sul. Mouhamad, segundo a Polícia Federal (PF), chegou a “investir” R$ 600 mil, por meio de doações na campanha do governador eleito do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB).

Os projetos futuros de Mouhamad fazem parte do relatório conclusivo produzido pelo delegado da PF e responsável pelas investigações da operação “Custo Político”, Alexandre Teixeira, encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF-AM). A operação, que é uma segunda fase da operação “Maus Caminhos”, prendeu cinco ex-secretários do governo José Melo.

 Em conversa interceptada pela PF, Mouhamad afirma a Priscila Coutinho - considerada seu braço direito no esquema - que entre doações a candidatos e pagamento à cúpula do governo do DF, teria “investido” por meio das empresas que controlava - Salvare, Total Saúde e Simea, R$ 1,3 milhão. Deste total, R$ 600 mil foi doado para a campanha do então candidato ao governo do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), como forma de “investimento futuro”. Rollemberg foi eleito naquele pleito.

O restante foi investido, segundo o empresário, com membros da cúpula do governo do DF, para tentar qualificar o INC como Organização Social para poder celebrar contratos de gestão naquela unidade federativa.

As transferências efetivadas para a campanha de Rollemberg seguem, segundo a PF, um determinado padrão. Cada empresa fez apenas uma doação nos dias 26/09/2014 e 22/10/2014. “Merece destaque que as datas das transações, 26/09/2014 e 22/10/2014, foram às vésperas de cada turno eleitoral daquele ano. A data de 26/09/2014 foi há 9 dias do primeiro turno (05/10/2014). Já o dia 22/10/2014 corresponde a sexta-feira imediatamente anterior ao segundo turno (26/10)2014), ou seja, a transferência foi efetivada 4 dias antes da realização do segundo turno”, avalia trecho do relatório da Polícia Federal.

As doações constam na prestação de contas do candidato Rollemberg no sistema da Justiça Eleitoral. No dia 26 de setembro de 2014, a empresa Salvare doou R$ 120 mil, a Total Saúde doou R$ 280 mil e o SIMEA doou R$ 100 mil. No dia 22 de outubro de 2014, as três empresas doaram, respectivamente R$ 30mil, R$ 20 mil e R$ 50 mil.

Conversas interceptadas

Os planos de Mouhamad Moustafa visando a ampliação da atuação do Instituto Novos Caminhos ficam evidentes, segundo o relatório da PF, em conversas, por exemplo, com um empresário identificado como Silvio de Assis. Em 2 de março de 2016, Mouhamad conversa com Assis sobre as negociações com a cúpula do governo do Distrito Federal para viabilizar o INC como Organização Social.

Moustafa diz a Silvio de Assis que já enviou dinheiro para pessoas ligadas a governos de outros estados, em quantias menores que as enviadas para o Distrito Federal, citando os estados de Mato Grosso do Sul e Amapá. Mouhamad revela insatisfação com a demora na qualificação do INC. A operação Maus Caminhos foi deflagrada seis meses depois.

R$ 1,3 milhão no DF

Em conversas de Mouhamad Moustafa obtidas pela PF, o médico discute com Priscila  Marcolino, coordenadora financeira do esquema e seu braço direito, o envio de pessoas para trabalharem na qualificação do Instituto Novos Caminhos como Organização Social no Distrito Federal. Em determinado momento, Mouhamad pede para Priscila organizar todas as viagens dessas pessoas, porque somente para o “povo” do Distrito Federal ele já deu “R$ 1,3 milhão entre campanha e agora” e que ele precisa “recuperar de alguma maneira”.

Na conversa, Mouhamad diz que já dava Brasília como “investimento perdido”. Demonstrando insatisfação, ele afirma não depender de “contrato público”. “Logo vem outra campanha. Eles voltam a lembrar de mim, mas eu nunca esquecerei deles. Não foram honestos”, diz o empresário, segundo o relatório conclusivo da Polícia Federal.

Publicidade
Publicidade