Terça-feira, 23 de Julho de 2019
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Movimento AfroAmazon busca resgate da cultura negra na educação básica em escolas

Demora do Estado em adequar currículo escolar motiva comunidade a criar escola para difundir história



1.gif O ‘Barranco’, onde vivem remanescentes de escravos, como ‘dona Guguta’ (foto) é o 2° quilombo urbano do País
25/10/2014 às 15:39

O Movimento Afrodescendente do Amazonas (AfroAmazon) afirma que a Lei 10.639/03, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana nos currículos da Educação Básica, encontra resistências sociais e institucionais para ser implementada no Amazonas. Os líderes do movimento lamentam que, embora mais de 88% dos estudantes da rede pública sejam pardos, indígenas e negros, as escolas do Estado não ofereçam disciplinas que contemplem a cultura e a contribuição dos negros na história do País e do Estado.

“Os pardos também têm uma descendência negra. O boi-bumbá no Amazonas da cultura indígena está muito ligado à cultura negra também”, declarou a pedagaga e membro do AfroAmazon, Marieny Matos.

Segundo Marieny, o movimento coleciona ofícios e recomendações do Ministério Público Federal (MPF) à Secretaria de Estado de Educação (Seduc), mas o que conseguiram até agora foram ações isoladas de difusão da cultura africana.

“O que foi desenvolvido não é o que preconiza a lei, sequer os professores estão preparados para lidar com o assunto sob a ótica correta. É preciso implementar uma disciplina ”, declarou a pedagoga.

Ela afirmou que há um setor na Seduc específico para tratar o assunto, mas que não demonstra interesse em obedecer a lei. “Há recursos para essa disciplina que a Fundação Palmares (ligada ao Ministério da Cultura) disponibiliza para aquisição de recurso didático”, declarou a pedagoga.

Escola na ‘Praça’

A pedagoga afirmou que a Comunidade do Barranco, recentemente reconhecida como o segundo quilombo urbano do País pela Fundação Palmares do Ministério da Cultura, pretende desenvolver e implementar o projeto de uma escola quilombola no bairro Praça 14 de Janeiro. A ideia, embora remeta ao passado, é nova e conta com cerca de duas mil escolas implantadas em todo País. Nenhuma delas no Amazonas.

O reconhecimento da comunidade como remanescente de escravos possibilita à Comunidade do Barranco acesso a políticas públicas voltadas para a população negra nas áreas de saúde e educação. Uma delas é justamente a possibilidade de criar a escola quilombola - uma proposta de educação aberta à diversidade e à construção de novos parâmetros de cidadania.

A escola quilombola é uma forma de preservar a cultura dos remanescentes de escravos da Praça 14, esclarecer toda a comunidade sobre a importância do negro na construção social e fortalecer a ideia de que as diferenças não precisam ser alicerces da desigualdade. “Não se trata de construir um gueto. Queremos construir um centro de referência para abordar, de uma maneira mais correta, a história dos negros no Brasil e no Amazonas”, explicou Matos.

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