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Cotidiano
CASO DR. GOMES

MP abre inquérito contra deputado que trocou votos por consultas médicas na ALE

Após um ano e depois de denúncia de A CRÍTICA, Ministério Público do Estado instaurou inquérito civil para investigar o caso. Portaria foi publicada na edição de ontem do MP-AM 03/05/2017 às 08:59
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Dr. Gomes será investigado pelo Ministério Público do Estado (Foto: Divulgação/ALE)
acrítica.com Manaus (AM)

O Ministério Público do Estado do Amazonas instaurou um inquérito civil para investigar o deputado estadual Francisco Gomes por possível ato de improbidade administrativo por ter usado o seu gabinete, na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) como consultório médico em troca de votos.

A portaria de abertura do procedimento investigativo foi publicada na edição de ontem do MP-AM. A denúncia, contudo, foi feita há mais de um ano por A CRÍTICA. Na edição do dia 21 de março do ano passado, o jornal, a partir de uma consulta filmada pela reportagem, noticiou que o parlamentar, que é médico, estava atendendo pacientes dentro da ALE-AM, prescrevendo receitas e pedido apoio eleitoral.

A reportagem levantou que, às terças e quintas-feiras, uma média de 14 pessoas eram atendidas. Em um vídeo feito pela reportagem no dia 17 de março de 2016, Francisco Gomes, ao final da consulta, lembra o paciente de que é vereador e que estava na ALE-AM de passagem, e faz a seguinte observação ao final da conversa: “Meu parceiro, esse ano nós vamos voltar para a luta de vereador. Tem uma lá (suplente) no meu lugar, mas vou voltar pra lá para concorrer e garantir que a gente possa continuar esse trabalho (consultas). Então, você já sabe: Dr. Gomes para vereador”, disse o deputado estadual.

À época, Francisco Gomes, que era vereador afastado, estava na ALE-AM na condição de suplente. Com a eleição do deputado Bi Garcia como prefeito de Parintins, ele passou a titular do mandato de deputado estadual. Gomes não concorreu à reeleição na Câmara Municipal de Manaus (CMM).

Na consulta gravada por A CRÍTICA, em 2016, o parlamentar demonstrou ter consciência da ilegalidade do uso estrutura da Assembleia para cooptar o voto dos pacientes. “Só que o endereço que te atendi não é aqui na Assembleia. É em outro endereço, lá na avenida Duque de Caxias. Se te perguntarem, nada é aqui, é lá na Duque de Caxias. Aqui não pode fazer consulta”, orientou o parlamentar.

O endereço a que o deputado se referiu é da Sociedade Beneficente Pró-Vida, localizada na avenida Duque de Caxias, n° 1872, 2° andar, bairro Praça 14 de Janeiro. Gomes é o fundador da ONG, supostamente bancada com dinheiro público. Que já foi alvo, em 2008, de uma operação da Polícia Federal (PF) que cumpriu mandados de busca e apreensão em investigação de suposta compra de votos e corrupção eleitoral.

Na portaria do inquérito público, o promotor de Justiça Edilson Martins determina que seja requisitado da Superintência Regional da Polícia Federal no Amazonas, cópia integral do um inquérito policial sobre o caso.

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