Segunda-feira, 21 de Outubro de 2019
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MP-AM anuncia preparação de denúncias contra autoridades do Município de Coari

Relatório produzido pelo órgão, após tumulto na cidade, traz indícios de enriquecimento de secretários municipais e vereadores



1.gif Procurador-geral de Justiça, Fábio Monteiro, citou a ostentação de riqueza de secretários municipais e vereadores
05/02/2015 às 09:16

O relatório produzido pela comissão instituída pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) para investigar irregularidades em Coari (a 363 quilômetros de Manaus) aponta indícios de enriquecimento ilícito de agentes políticos da administração do município. A informação foi dada ontem pelo procurador-geral de Justiça do MP-AM, Carlos Fábio Monteiro, em coletiva à imprensa.

Encaminhado ao Gabinete de Assessoramento Jurídico (GAJ) da Subprocuradoria-Geral para Assuntos Jurídicos e Institucionais do órgão, o documento é composto de cinco volumes contendo depoimentos, arquivos em áudio e vídeo coletados pela comissão em dois dias e meio de trabalho em Coari. O MP cogita a apresentação de um novo pedido de intervenção no município.



Os fatos passarão por análise, desmembramento e definição das medidas a serem tomadas em âmbito penal, administrativo e eleitoral nos próximos dias. “É um contrassenso: um município tão rico como Coari, que não está conseguindo pagar seus fornecedores e funcionários, com uma demonstração de ostentação de evolução patrimonial dos secretários municipais e membros da Câmara”, declarou o Fábio Monteiro.

“Entraremos com ações civis públicas e, se confirmado pelo Judiciário, culminarão com a suspensão de direitos políticos”, completou. “Achamos prudente que aprofundássemos a investigação em todos os seguimentos para, aí sim, quando apresentarmos ao Poder Judiciário, façamos isso de uma vez só. Mas em pouquíssimo lapso de tempo tomaremos algumas medidas imediatas pelos diversos dados que nos chegaram pela comissão”, disse Monteiro.

A comissão do MP-AM esteve em Coari há menos de uma semana após “um dia de fúria” da população, no dia 14 de janeiro, que resultou em depredação de patrimônios público e privado. A equipe é coordenada pelo procurador de Justiça Públio Caio Bessa Cyrino, que conta com o suporte dos promotores Alberto Nascimento (promotorias criminais) e Igor Peixoto (juizado especial criminal), além do major da Polícia Militar Algenor Teixeira e dois oficiais da equipe de inteligência da PM.

Fábio Monteiro também colocou sob suspeita a relação entre os dirigente da prefeitura e da Câmara de Vereadores de Coari. “O que mais preocupa é a relação temerária entre o Executivo e o Legislativo: um presidente da Câmara Municipal (Ilizeu Monteiro) que é irmão do prefeito atual (Igson Monteiro). Mais grave ainda é que, na ausência do prefeito, quem chefia é o executivo. Ou seja, o próprio irmão”, afirmou.

O procurador também citou indícios de irregularidades eleitorais. “Há dados de eventuais irregularidades com doações que não teriam sido feitas, mas que aparecem na prestação de contas”, disse.


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