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MP-AM e MPF são acionados para intervir numa saída para o caos na saúde do Estado

Simeam e deputados estaduais protocolam representação, denunciando o atraso no pagamento de salários dos servidores, e pedindo fiscalização no sistema de saúde, que se encontra caótico e coloca em risco a vida dos usuários 29/12/2015 às 15:50
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Sindicalistas e deputados estiveram reunidos com promotores do MP-AM
SILANE SOUZA Manaus (AM)

O Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) sugere a implantação de um comitê de gestão de crise junto aos Ministérios Públicos Estadual e Federal (MP-AM e MPF) e representantes da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) para que possa, de uma forma emergencial, encontrar uma solução para o caos que se instalou no sistema de saúde do Estado, em Manaus.

O anúncio foi feito nessa terça-feira (29), pelo presidente do Simeam, Mário Vianna, após uma representação nos MPE-AM e MPF protocolada pelos deputados estaduais Luiz Castro (Rede) e Alessandra Campêlo (PCdoB), em conjunto com a entidade de classe. A ação denuncia o atraso no pagamento de salários dos servidores, e pede fiscalização ao sistema de saúde.

De acordo com Mário Vianna, foram elencadas três prioridades, o que não significa dizer que as demais não sejam importantes. A primeira é a situação dos transplantados de fígado, que estão sem medicação e acompanhamento especializado. “Todos os acompanhamentos em Manaus foram suspensos, e tão pouco, esses pacientes são enviados para locais de referência nesse tipo de serviço. 150 pessoas transplantadas estão sofrendo por conta dessa situação”, disse.

A segunda prioridade é na área de cirurgia vascular, onde pacientes que estão internados nos Prontos Socorros 28 de Agosto e no João Lúcio não conseguem realizar os exames de arteriografia, que determina se as áreas afetadas pelas doenças vasculares têm que sofrer amputação ou outro tipo de tratamento que possa salvar o membro. “É um exame muito importante que pode salvar algum membro ou até mesmo uma vida”, salientou.

A terceira, conforme Vianna é na área de neurocirurgia, que funciona no Pronto Socorro João Lúcio como referência em traumatismo neurológico, mas que pacientes não estão conseguindo atendimento porque o tomógrafo não está funcionando há três meses. “Se chegar um afundamento de crânio o paciente terá que ser levado para o 28 de Agosto para realizar a tomografia porque no pronto socorro de referência o equipamento não funciona”, enfatizou.

Recursos

A deputada estadual Alessandra Campêlo, relatou que existem recursos para a saúde do Tesouro e do Governo Federal, mas a saúde do Estado passa por problemas crônicos, que já vem há tempos. Porém, agora chegou ao momento de colapso, onde se falta desde um fio para da um ponto no pequeno corte a um material anestésico para cirurgias complexas. “O governador precisa tomar uma decisão porque essa situação pode agravar com os servidores que não recebem salários há três meses”.

O deputado estadual Luiz Castro também apontou que o problema já é antigo, no entanto, o acúmulo de problemas e dívidas junto com a prioridade clara para pagamento de empreiteiras de obras em detrimento da saúde só piorou ainda mais a situação. “Nós entendemos que tudo isso tem que ser assumido pelo governador do Estado como uma situação de crise grave. É muito triste vê o governo dizer que está tudo bem, quando não está”, destacou.

Resposta

O presidente do Simeam, Mário Vianna, afirmou que ficou aliviado com a posição do subprocurador do MPE-AM, Jéferson Neves Carvalho, que recebeu a comitiva nessa terça-feira de forma bastante Cortez.

“Ele se mostrou extremamente preocupado com as denúncias que todos nós fizemos e nos prometeu de imediato pedir que as procuradorias de plantão, uma vez que o MPE está de recesso, se debrucem sobre as denúncias tanto a que o Sindicato protocolizou na semana passada como o documento protocolizado agora pelos deputados Luiz Castro e Alessandra Campelo”, declarou.

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