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MP investiga ex-prefeito de Autazes sobre suposto desvio de R$ 4,7 milhões de cofres públicos

Denúncias miram convênios firmados entre Prefeitura de Autazes e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Atual prefeito do município acusa Raimundo Wanderlan Sampaio (PMDB), de ter deixado pendência milionária 05/01/2015 às 10:13
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Ex-prefeito de Autazes, Raimundo Wanderlan Sampaio (PMDB) é alvo de investigação
Raphael Lobato Autazes (AM)

Cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em novembro de 2014, após dois anos de guerras na justiça, o ex-prefeito de Autazes, Raimundo Wanderlan Sampaio (PMDB), será alvo de investigação pelo Ministério Público Federal (MPF). Denúncias ingressadas pelo atual prefeito, José Thomé Filho (PSD), ao longo das últimas semanas, acusam Sampaio de ter deixado um rombo de R$ 4,7 milhões nos cofres do município.

As denúncias protocolizadas na Procuradoria Regional Eleitoral (PRE-AM) abordam três convênios firmados entre a gestão de Wanderlan Sampaio na Prefeitura de Autazes e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para a construção de creches, escolas e compra de ônibus escolares. Os documentos, que foram enviados ao Ministério Público Federal, aos quais a reportagem de A CRÍTICA teve acesso, apontam que houve saques de R$ 4,7 milhões, e também mostram imagens dos locais das obras sem nenhum sinal de construção.

Em um dos pedidos de abertura de inquérito, advogados de Thomé Filho chegam a citar que, quando o atual prefeito foi empossado, no último dia 12 de novembro, “não havia na prefeitura nenhum documento da movimentação financeira ordinária municipal”. A denúncia acusa o ex-prefeito Wanderlan Sampaio de ter esvaziado os cofres do município. “Foi encontrado, nos cofres apenas a quantia de R$ 22”, relata.

Os documentos foram reunidos pelo vereador Thomé Neto (PSD), filho do atual prefeito, que comandou a oposição a Wanderlan na Câmara do município. Segundo a procuradoria, o vereador encaminhou os documentos ao Ministério Publico Estadual (MPE), que repassou ao MPF por se tratar de recursos federais. “Foram instaurados inquéritos civis públicos, que estão em andamento”, informou o órgão, por meio de sua assessoria.

Ao longo dos últimos dois anos, Wanderlan Sampaio e Thomé Filho travaram uma guerra pelo comando de Autazes, até a cassação definitiva dada pelo TSE. O peemedebista foi eleito em 2012 com 531 votos de diferença, mas logo teve o diploma cassado por ter usado ilegalmente uma rádio clandestina durante a campanha. Ao longo dos últimos meses, maratonas de liminares e recursos provocaram constantes trocas na administração.

Em janeiro deste ano, Sampaio conseguiu reverter a sua cassação menos de 24 horas após decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TER-AM), com um mandado de segurança. No episódio, Thomé Filho já escalava futuros secretários e o próprio tribunal já havia preparado a cerimônia de posse do segundo colocado nas eleições, que acabou cancelada.

Ambos adversários já tiveram contas reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). Thomé Filho foi condenado alguns dias após ser empossado a devolver R$ 4 milhões aos cofres por irregularidades em sua gestão de 2008. Já Wanderlan teve as contas de 2009 reprovadas por irregularidades que vão desde demora no envio de relatórios da prestação de contas até a falta de processo licitatório para a aquisição de vários serviços.

“Fomos saqueados”, diz Thomé

Procurado pela reportagem, o prefeito Thomé Filho disse que uma comissão foi instalada após a saída de Sampaio para avaliar os problemas financeiros do município. Segundo ele, até mesmo o décimo terceiro dos servidores da prefeitura ficou ameaçado por conta das irregularidades. Thomé disse que tentará evitar a inadimplência com o governo federal por meio das denúncias junto ao MPF.

“Saquearam os cofres e agora a prefeitura está totalmente no vermelho. Para que não tenhamos os convênios com o governo federal cancelados, vamos informar aos ministérios sobre as denúncias. As obras estão todas paradas. E as contas dele serão novamente reprovadas porque ele deixou dívidas de restos a pagar sem recursos. Estamos correndo para avaliar o que poderá ser feito”, disse, por telefone.

Raimundo Wanderlan Sampaio foi procurado pela reportagem, mas não foi localizado. Aliados do ex-prefeito na Câmara do município se recusaram a dar declarações sobre o assunto e não sabem informar sobre o paradeiro dele. A advogada que atuava nos casos do peemedebista, Maria Benigno, disse que Sampaio deixou de ser seu cliente após a cassação.

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