Quarta-feira, 05 de Maio de 2021
Investigação

MP investiga suposto esquema de 'mensalinho' em Coari

A suspeita é de irregularidades praticadas pelo delegado José Ribeiro Barradas, que vão desde provável recebimento de mensalinho de R$ 20 mil ao mês pago pelo prefeito afastado Adail Filho, até a cobrança de propina de investigados



show_coari_493CC5E7-83CD-4A6F-925A-056F8034EEAB.jpg Foto: Reprodução/Internet
31/03/2021 às 17:43

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM), por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Coari, investiga supostas irregularidades praticadas pelo delegado titular da Delegacia Interativa do município, José Ribeiro Barradas, que vão desde de provável recebimento de mensalinho de R$ 20 mil ao mês pago pelo prefeito afastado Adail Filho (Progressistas) até a cobrança de propina de investigados. 

Os fatos são narrados pelo ex-promotor de Justiça da comarca de Coari, Weslei Machado Alves, em ofício datado dia 23 de fevereiro, dirigido ao atual procurador de Justiça de Coari, Thiago de Melo Freira. 



No texto, o ex-procurador de Coari que atualmente atua na 1° promotoria de Justiça de Humaitá, cita que foi procurado por Jesus da Silva Mafra, servidor público lotado na delegacia interativa que denunciou uma alegada gama de crimes, inclusive a própria participação dele no recolhimento do mensalinho. 

Segundo o ofício, a que a reportagem teve acesso, Jesus recolheu a quantia em espécie na sede da Prefeitura Municipal de Coari e entregava diretamente na sede da delegacia. 

“Como contrapartida pelo percebimento da vantagem ilícita, o Delegado de Polícia José Afonso Ribeiro Barradas Júnior, dentre outras questões, liberava o uso de lanchas e embarcações apreendidas em operações policiais, sem decisão judicial, à Prefeitura Municipal de Coari/AM”, diz um trecho do ofício.

Além disso, conta o ofício, que o delegado vendia armas de fogo apreendidas em ações policiais, o combustível contido nos tanques das lanchas também era vendido pelo delegado. Outra denúncia é que o delegado “extorquia presos e investigados, inclusive percebendo valores para não lavratura de flagrantes ou para não realização de atos de investigação”.

“O Sr. José Afonso Ribeiro Barradas Júnior dava acesso privilegiado a informações e procedimentos ao advogado Wnaderson Andrew Torres de Oliveira, bem como realizada atos de investigação especificamente destinados a beneficiar investigados e presos representados por esse advogado”, narra outro trecho do ofício.

Segundo os fatos captados pela promotoria, a quantia requerida para não instalação de investigação ou flagrante era de R$ 10 mil. “Como contrapartida, o Sr. José Afonso Ribeiro Barradas Júnior deixou de realizar atos investigatórios para comprovação do envolvimento de Tatiana Frazão e de Edelson Fialho (seu esposo) com o crime organizado no município de Coari/AM”, contou.

O ex-promotor de Coari escreve que o advogado Gilberto Mitouso dos Santos Neto procurou o MPE-AM para dar mais elementos sobre a conduta do delegado nos atos criminosos, “mas, até a saída deste membro do Ministério Público de Coari, ainda não tinha retornado". 

De acordo com o MPE-AM, o caso está sendo investigado pela 2ª Promotoria de Coari e no momento está sob sigilo e quando houver mais informações "vamos colocar no site". A assessoria de imprensa da Polícia Civil (PC), informou que não recebeu nenhum comunicado oficial do Ministério Público, referente ao pedido de afastamento do delegado José Barradas.

Ao A CRÍTICA, o delegado José Afonso Barradas respondeu que o conteúdo do ofício pretende manchar a sua imagem e que o denunciante foi preso por arquitetar roubo de 6 kg de maconha tipo skank, avaliada em R$ 30 mil da sede da delegacia. Ele afirmou que como delegado, entende que o procurador está apenas apurando a denúncia, no entanto, diz que o promotor de justiça tem um problema pessoal com ele.

A respeito das denúncias, José Barradas declarou que ofício não traz evidência alguma de cometimento de crime e que já prestou informações requeridas pelo MP a respeito de alegações de ter liberado lanchas apreendidas a mando da prefeitura sem ordem judicial. 

“ [Wesley Machado] fez a parte dele. Ele tem que fazer o controle externo da polícia. Está certo. Agora o cara que denuncia, fala, fala, mas cadê essa estória do mensalinho? A estória da lancha? Não tem nada, as informações que me perguntaram eu mostrei através de documento”, se defendeu.


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