Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
ABANDONO

MPC vai apurar abandono de mais de 600 casas populares construídas em Manacapuru

Financiadas com R$ 41,3 milhões do Minha Casa Minha Vida, as residências estão prontas para morar, mas não foram entregues aos beneficiários



show_MANA__1_.JPG Foto: Arquivo A Crítica
16/02/2018 às 09:03

O Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC) vai investigar o abandono de 667 casas financiadas pelo programa Minha Casa, Minha Vida, que estão prontas desde janeiro de 2017, na estrada AM-452 (Manacapuru-Novo Airão), mas que não foram entregues às famílias beneficiadas.

A construção das 667 unidades habitacionais pelo programa do governo federal, batizada de “Residencial Manacapuru”, custou ao bolso do contribuinte R$ 41,3 milhões e iniciou em 14 de janeiro de 2013, com a primeira previsão de término em 14 de abril de 2014, mas que só foi concluída quase três anos depois - em janeiro de 2017, segundo o Ministério Público de Contas.

As residências foram construídas pela empresa Staff Construções Ltda e a Prefeitura de Manacapuru, próximo à lixeira do município, que fica a 84 quilômetros de Manaus.

A obra que deveria beneficiar a população de Manacapuru, segundo placa afixada na entrada do empreendimento, é palco de uma polêmica: o esgoto foi construído em direção ao Rio Miriti, principal fonte hídrica de abastecimento do município.

Reportagem do Portal A Crítica publicada em 24 de março de 2017 mostrou a denúncia de moradores de seis comunidades ribeirinhas sobre a mudança de coloração e mau cheiro das águas do rio Miriti. À época, uma das suspeitas para o problema era a construção do residencial popular. Dois dias depois, o então secretário Municipal de Meio Ambiente, Sandro Augusto Santos, disse que sua equipe esteve no local e “não foi encontrado nenhum crime ambiental” e foi além – se tratava de um fenômeno natural, devido o volume de chuva.

Procurado pela reportagem, o prefeito de Manacapuru, Beto Dangelo (Pros) informou nessa quinta-feira (15) que o impasse para que as casas sejam entregues aos beneficiários se deve ao fato de que a Eletrobras vinha alegando não ter recursos financeiros para realizar o serviço de instalação de cabeamento nos postes de luz.
 
“O impasse é que a Caixa Econômica precisava que a Eletrobrás realizasse a parte de fiação. Até o mês passado, a Eletrobrás argumentava não ter recursos para realizar o serviço, mas depois nos informaram que eles já possuem o recurso para conseguir fazer o trabalho devido. Temos famílias que ao longo de 2017 perderam suas casas em desabamentos. Tem uma outra parcela de famílias, uma média de 100, que são de um Prosamim antigo que não foi para frente. Também pretendemos colocar eles lá. Então, nós da Prefeitura de Manacapuru temos pressa, mas infelizmente há esse impasse da Eletrobras”, explicou o prefeito.

Sobre a estação de tratamento de água construída no residencial, o prefeito disse:  “ela deságua no Rio Miriti, então tenho que ter 100% de certeza de que não haverá material sendo jogado na água, pois aquele residencial fica muito próximo às cabeceiras do rio, de onde a gente coleta água para fornecimento do município”.

Irregularidades

O prefeito Beto Dangelo disse que detectou, no cadastro do residencial, feito pelo antecessor, Jaziel Tororó, irregularidades como o de uma servidora da prefeitura com quatro pessoas da família cadastradas. “O cadastro foi cancelado”, disse.

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