Publicidade
Cotidiano
Notícias

MPE-AM investiga calote de R$ 323,8 mil de prefeito cassado a fornecedores de Coari

Fornecedores de serviços em Coari acusam administração de Igson Monteiro de não honrar compromissos com eles 17/01/2015 às 17:02
Show 1
O vice de Adail Pinheiro assumiu como titular da prefeitura desde fevereiro de 2014
Raphael Lobato Manaus (AM)

O Ministério Público do Estado (MPE-AM) em Coari investiga calotes que teriam sido dados pelo prefeito cassado Igson Monteiro (PMDB) em fornecedores do município. Sem ter recebido R$ 323,8 mil em serviços prestados há quase um ano, um dos fornecedores ameaça “confiscar” 2.500 cadeiras escolares que atendem a rede estadual de ensino da região.

A denúncia foi ingressada pelo próprio empresário fornecedor, Agostinho Farias, em dezembro do ano passado. “Já fui mais de onze vezes até Coari para tentar receber o pagamento. E estou quase indo à Justiça pedir minhas cadeiras de volta. Não sei por que ainda não fiz isso”, disse à reportagem.

O empresário venceu o edital em 21 de fevereiro passado, algumas semanas após Igson Monteiro assumir a prefeitura no lugar de Adail Pinheiro (sem partido), que à época havia sido detido. Segundo documentos aos quais a reportagem de A CRÍTICA teve acesso, a primeira ordem de serviço foi recebida pelo empresário ainda em fevereiro, no valor de R$ 190,5 mil.

Em maio, a prefeitura de Coari pediu uma nova sequência de cadeiras escolares, totalizando mais R$ 133,3 mil em serviços. No edital assinado pelo peemedebista, a comissão de licitações especifica que o pagamento dos fornecedores “não pode passar de trinta dias úteis” e os extratos “serão automaticamente depositados”.

Agostino Farias diz que resolveu recorrer à imprensa após as manifestações contra Igson em Coari. “Vi aquelas declarações dele, dizendo que não havia nenhuma dívida no município e fiquei revoltado. Tenho décadas de trabalho com governos e prefeituras e nunca tive esse tipo de problema como eu tenho em Coari”, declarou.

A denúncia envolve também outros contratos em Coari com fornecedores de serviços, como  escolares e até panelas. A reportagem  entrou em contato com o secretário de Administração do município, Elton Rodrigues, mas ele afirmou que os contratos devem ser discutidos pelo secretário de finanças, que não atendeu as ligações.

Alvo das manifestações que tomaram Coari na última terça-feira (13), Igson deverá apresentar embargos de declaração para reverter a sua cassação no Superior Tribunal Eleitoral (TSE). O peemedebista calcula que teve prejuízos de R$ 500 mil com os ataques a residências e veículos de propriedade da sua família durante os atos. O efetivo policial que reforça a segurança do município deverá retornar no início da próxima semana.    


Publicidade
Publicidade