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MPF e Senado silenciam sobre xingamento de Collor a procurador-geral da República

Senador alagoano disparou contra Rodrigo Janot, que lidera a Operação Lava Jato, se defendeu das acusações e acabou 'desabafando', chamando o procurador de 'filho da p...' 06/08/2015 às 22:21
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Senador se defendeu das acusações
acritica.com ---

CONFIRA O VÍDEO DO XINGAMENTO

Até agora, nem o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado e nem o Ministério Público Federal (MPF) se pronunciaram sobre o xingamento do senador Fernando Collor (PTB-AL) ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na sessão de ontem (5) na Casa Legislativa. Nenhuma nota oficial, nenhuma notícia nos sites dos dois orgãos trataram sobre o assunto.

O senador alagoano subiu à tribuna para se defender das acusações de que um grupo ligado a ele teria recebido R$ 26 milhões em propina do esquema de corrupção da Petrobras. Collor é investigado pela Operação Lava Jato, cujas investigações são lideradas por Janot. 

Collor afirmou que Janot transforma propositalmente a operação em um “festim midiático” e que as acusações que pesam contra si na investigação são usadas pelo procurador-geral para se autopromover.

"Desde que (Janot) se apoderou da função, vem imprimindo aos trabalhos daquele órgão um modus operandi baseado principalmente, e isso é visível, no conluio com grande parte da mídia, em que prevalece o vazamento de informações e a criação de uma narrativa, de modo a dar aparente veracidade aos fatos", afirmou o senador.

Entre fatos que fazem parte da “sórdida estratégia”, Collor citou a apreensão de três carros de luxo de sua propriedade e a citação de seu nome como coordenador de um grupo que teria movimentado os R$ 26 milhões no esquema de corrupção da Petrobras entre 2010 e 2014.

O petebista qualificou a operação como um "espetáculo midiático" e defendeu que seus carros foram comprados com dinheiro lícito. Após explicar-se, Collor sussurrou o xingamento.

"As empresas têm contrato social, estão devidamente registradas na junta comercial, têm suas atividades de acordo com o que define a legislação. Se existem parcelas em atraso é uma questão comercial que diz respeito a mim e ao credor, não podendo em tempo algum, sob o risco de uma grave penalização judicial a quem afirma, que tal atrasos se devem a falta de recursos escusos. Afirmações caluniosas e infames", disse Collor.

O xingamento veio logo em seguida, em voz mais baixa. "Filho da puta", disparou..

"Nada tenho a ver com os fatos a mim imputados. Reafirmo que tudo não passa de ilações, falsas versões impingidas à opinião pública de forma a esterilizar a verdade, a escamotear as reais intenções midiáticas do procurador-geral e a impor a narrativa que a ele interessa", disse.

Decoro

De acordo com 9º artigo, §2º da Resolução 20/93 do Senado Federal (o Código de Ética e Decoro Parlamentar), é quebra do decoro parlamentar: "usar, em discurso ou proposição, de expressões atentatórias ao decoro parlamentar" ou "praticar ofensas físicas ou morais a qualquer pessoa, no edifício do Senado, ou desacatar, por atos ou palavras, outro parlamentar, a Mesa ou Comissão, ou os respectivos Presidentes".

Entretanto, pela lógica penal dos crimes contra a honra, a "vítima" só é vítima se sentir ofendida. Caso contrário, ela não é vítima e não há ofensa.

Recondução

Collor ressaltou que Janot está em campanha para ser reconduzido ao cargo de procurador-geral (seu mandato encerra-se em setembro) e que o Senado tem a palavra final sobre a indicação a ser feita pela presidente Dilma Rousseff.

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