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Cotidiano
DESVIOS DA SAÚDE

MPF pede bloqueio de R$ 5,7 milhões em bens de réus da operação Maus Caminhos

O empresário Mouhamad Moustafa, outros oito réus e sete empresas envolvidas no esquema de desvios de verba desarticulado na Maus Caminhos estão nas ações do Ministério Público. Justiça já bloqueou R$ 1 milhão 04/05/2018 às 22:50
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Foto: Márcio Silva/Arquivo-AC
acritica.com Manaus (AM)

O Ministério Público Federal (MPF) pediu em sete ações na justiça o bloqueio de bens no valor de R$ 5,7 milhões do empresário Mouhamad Moustafa e outros oito réus e sete empresas envolvidas no esquema de desvio de verbas desarticulado pela operação Maus Caminhos.

A Justiça já determinou, em caráter liminar, o bloqueio de R$ 1 milhão, em dois processos. Além de Mouhamad, são alvos das novas ações de improbidade Jennifer Naiyara Yochabel Rufino Correa da Silva, Karina Moustafa, Paulo Roberto Bernardi Galácio, Alessandro Viriato Pacheco, Davi de Azevedo Flores, Gilberto de Souza Aguiar, Erhard Lange e Priscila Marcolino Coutinho, além das sete empresas utilizadas pelo grupo para praticar os desvios e do Instituto Novos Caminhos (INC), principal destinatário de recursos públicos da área de saúde do Estado no período investigado e também réu nas ações.

Nos pedidos finais, baseados na Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/92), o MPF pede a condenação do grupo à devolução integral dos recursos desviados, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, multa civil de até duas vezes o valor do recurso desviado, perda dos direitos políticos, suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos e proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais por prazo de cinco anos.

Investigação conjunta envolvendo o MPF, a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal (PF) constatou que o grupo se uniu com a finalidade única de desviar recursos públicos federais, destinados à saúde no Estado do Amazonas. Para isso, atuaram como agentes para a contratação das empresas Salvare Serviços Médicos, Total Saúde Serviços Médicos e Enfermagem, Sociedade Integrada Médica do Amazonas (Simea), D' Flores, Ita Serviços, Amazônia Serviços e Comércio e Medimagem, por meio do Instituto Novos Caminhos (INC).

Nas ações, o MPF ressalta que, embora a contratação das empresas para o fornecimento de serviços e materiais não fosse proibida, o grupo realizou contratações diretas, sem prévio procedimento de seleção, desobedecendo os critérios previstos pela Lei de Licitações de forma consciente, a fim de viabilizar que membros da organização criminosa se passassem por legítimos fornecedores e obtivessem para si parte dos valores superfaturados provenientes de pagamentos do Estado.
 
As ações tramitam na Justiça Federal. Duas das sete ações, referentes às empresas Salvare e Simea, já tiveram decisões liminares favoráveis ao bloqueio de bens, decretando a indisponibilidade de R$ 1 milhão.

Grupo mantinha contratos com a Susam

Deflagrada em setembro de 2016, a operação Maus Caminhos desarticulou um grupo que possuía contratos firmados com o governo do Estado para a gestão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Campos Sales, em Manaus; da Maternidade Enfermeira Celina Villacrez Ruiz, em Tabatinga; e do Centro de Reabilitação em Dependência Química (CRDQ) do Estado do Amazonas, em Rio Preto da Eva. A gestão dessas unidades de saúde era feita pelo Instituto Novos Caminhos.

Dos quase R$ 900 milhões repassados, entre 2014 e 2015, pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS) ao Fundo Estadual de Saúde (FES), mais de 250 milhões de reais teriam sido destinados ao Instituto Novos Caminhos.

Os órgãos de fiscalização apuraram que os maiores fornecedores do Instituto Novos Caminhos eram apenas três empresas: Salvare Serviços Médicos, Total Saúde Serviços Médicos e Enfermagem e Sociedade Integrada Médica do Amazonas (Simea), que faziam parte, na verdade, de um mesmo grupo econômico, comandado por Mouhamad Moustafa.

A investigação mostrou ainda a existência de um forte braço político do esquema, também denunciado pelo MPF, envolvendo o ex-governador do Amazonas José Melo de Oliveira e cinco ex-secretários.

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