Quarta-feira, 19 de Junho de 2019
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Mulher que cortou barriga de grávida é julgada nesta quarta-feira

Mulher que cortou barriga de grávida para ficar com bebê vai a júri a partir da 9h, no Fórum Henoch Reis, em Manaus



1.jpg Daiana Pires dos Santos foi abandonada pela família, que nunca mais lhe visitou
27/11/2013 às 08:34

O advogado Francisco Boary disse ontem que vai pedir clemência para a doméstica Daiana Pires dos Santos, que será julgada hoje pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado contra Odete Pego Ferreira, 22, de quem cortou a barriga com uma lâmina de barbear para tirar o bebê em um parto “forçado”. “Eu não tenho como pedir a absolvição da minha cliente, porque tudo depõe contra ela. Só me resta pedir clemência para que a pena dela seja reduzida”, declarou Boary.

O advogado disse ainda que vai pedir a desclassificação do delito praticado por Daiana. Ela foi denunciada pelo crime de tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil. O advogado disse ainda que Daiana praticou o crime porque desejava intensamente ser mãe e que esse desejo foi motivado pelo fato da mesma ter sido abandonada pela mãe quando ainda era criança.

Segundo Boary, Daiana está presa na cadeia Feminina de Manaus e foi abandonada por familiares, que nunca compareceram ali para visitá-la, até o companheiro, com quem ela vivia antes do crime, também a abandonou. O advogado revelou que não está cobrando os honorários da ré e que está fazendo a defesa por compaixão. “Como eu já tinha começado a defendê-la, agora vou até o fim”, sustentou.

O julgamento de Daiana está marcado para começar às 9h desta quarta-feira (27), no plenário do Tribunal do Júri, no fórum Henoch Reis, e será presidido pelo juiz da 3ª Vara do Tribunal do Júri, Mauro Antony, e a acusação será do promotor de Justiça Rogério Marques. A previsão é que encerre no final da tarde.

Daiana disse que foi orientada por ‘vozes do além’ para matar a dona de casa Odete Pego Ferreira e roubar o filho que ainda estava na barriga da vítima. A declaração foi feita ao juiz Mauro Antony e ao promotor Rogério, durante interrogatório ocorrido no fórum Henoch Reis no início deste ano. A acusada chorou várias vezes. Disse que estava muito arrependida do que fez e pediu perdão à vítima.

Odete, que acompanhava o depoimento sentada no plenário, ao lado do marido, respondeu: “Prefiro morrer a perdoá-la”. Odete disse que conhecia Daiana Pires dos Santos de um encontro num posto de saúde no bairro Mauazinho, Zona Leste de Manaus, onde fazia os exames de pré-natal, e que foi à casa de Daiana para receber o enxoval de bebê que a doméstica havia doado a ela.

“Chegando a casa dela, ela começou a catar piolhos da minha cabeça usando uma faca. Depois, ela laçou meu pescoço com uma corda e me enforcou. Foi quando desmaiei”, lembrou Odete, que só acordou no hospital. “Eu só lembro que, quando a Odete estava na minha casa e eu fui para o banheiro tomar banho, comecei ouvir vozes do além, que mandavam eu fazer coisas para eu conseguir o que eu queria”, disse a ré.

Segundo Daiana e familiares, o maior sonho dela é ser mãe. Sonho que ela disse que ainda não desistiu de realizar. Ela contou que foi abandonada pela mãe quando criança e esteve grávida uma vez, mas sofreu um aborto depois de cair no quintal. Por várias vezes ela afirmou não recordar de nada do que fez com Odete.

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