Publicidade
Cotidiano
Notícias

Mulheres do AM debatem sobre o espaço feminino na sociedade

Questionamento norteou debate sobre a participação da mulher nos espaços de poder realizado na Universidade Federal do AM 26/07/2013 às 08:59
Show 1
Encontro que discute a condição da mulher foi realizado no hall e na sala 4 da FES, na Ufam. Na foto, professora Arlete Anchieta
Ivânia Vieira Manaus (AM)

Que poder a mulher quer? Para quê e para quem vai exercer esse poder? São respostas a essas questões que os participantes do 2º Encontro Internacional de Mulheres Afroameríndias e Caribenhas querem construir a partir de uma reflexão, para além do encontro de ontem, e mais presente no movimento social, nas organizações feministas e no interior dos partidos políticos.

As perguntas foram feitas pela cientista política e diplomata venezuelana Carmen Navas Reyes, responsável por desenvolver o tema “A participação da mulher nos espaços de poder”. Carmen utilizou a experiência venezuelana para debater o eixo mulher e poder a partir do enfoque “Mulheres na vanguarda da Revolução Bolivariana: A mulher no poder?”.  As perguntas marcaram toda a exposição da cientista política e também ativista do movimento feminista venezuelano.

“Falamos em poder feminino/feminista ou de uma mulher em cargo de poder?. Falamos de uma mulher no poder ou de uma mulher poderosa? Tratamos da mulher no poder ou da mulher empodeirada? ”, questionou a cientista política.

Na opinião de Carmen Navas Reyes, o momento de problematizar a mulher no poder é agora e precisa ser feito em todos os espaços de militância feminista, nas escolas, nas fábricas, nos conselhos comunitários, no exercício da política partidária e no âmbito dos governos. “Temos de decidir se queremos ser funcionárias (do poder) ou manter o debate aberto, vivo, a respeito da participação da mulher no poder”, disse a cientista.

 Dilma x Lula

Para o professor de Artes, da Universidade Federal do Pará (UFPa), Artur Leandro,  refletir sobre o tema é oportuno. No caso brasileiro, afirma, a presidente Dilma (primeira mulher a ocupar a Presidência) se perdeu nas negociações com os movimentos sociais e com as feministas e não propiciou avanços que deveriam ter ocorrido. “A sensação  que eu tenho é que Lula foi mais feminista do que Dilma”, provocou o professor diante de participantes, a maioria  dilmista.

Artur Leandro criticou a ministra da Cultura, Marta Suplicy, afirmando que em nome de um projeto pessoal (ser governadora de São Paulo), ela atropela a gestão frente ao ministério e não conseguiu até hoje ter um olhar diferenciado para a Amazônia.

Negros são esquecidos pelo Governo

As mulheres negras presentes no 2º Encontro Internacional Afroamerindias e Caribenhas criticaram a inexistência tanto no âmbito do Governo Estadual quanto do Governo Municipal de um espaço institucional que trate dos negros no Amazonas.

“Continuamos invisíveis para os governos”, disse a professora e pesquisadora Arlete Anchieta, da Faculdade Salesiana Dom Bosco (FSDB) e uma das fundadoras do Fórum Internacional de Mulheres Afroamerindias e Caribenhas (Fiama). Para Arlete, a luta travada pelas mulheres e, em especial, as negras e indígenas “é  o preço que cada uma de nós paga por querermos a liberdade e a liberdade exige uma eterna vigilância contra todas as formas de aprisionamento”.

Francy Guedes, coordenadora da Marcha Mundial de Mulheres no Amazonas (MMM-AM) e fundadora do Fiama, afirmou que um dos desafios imediato às mulheres de Manaus é o de decidir que perfil de secretária o movimento quer ter na Secretaria Municipal de Mulher.

Encontro anima outras iniciativas

O estudante de Jornalismo, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Sheu Mané, natural de Guiné Bissau, um dos participantes do 2º Encontro Internacional de Mulheres Afroamerindias e Caribenhas, quer levar a experiência dessa reunião para o país dele.

Disse que em Guiné Bissau, pelo menos 80% das famílias são sustentadas por mulheres. “Enquanto os homens procuram empregos de carteira assinada, garantias de trabalho, as mulheres saem para fazer qualquer trabalho e, assim, garantir alimento diário às famílias. Infelizmente, a voz da maioria delas ainda é desprezada, não conta”, relatou o acadêmico.

Lucemir Santos, líder do grupo AfroBaré, participou pela primeira vez do encontro e disse que está redirecionando a vida dele e, junto com ele, a família,  para conhecer mais a arte afro e se reencontrar como pessoa. “É pela arte que vamos posicionar nossas identidades, nossa paz espiritual e nossa resistência”, afirmou. O grupo AfroBaré foi o responsável, este ano, pelas apresentações musicais o 2 º Encontro de Mulheres Afroamerindias e Caribenhas. O encontro ocorreu ontem nas dependências da Universidade Federal do Amazonas.

 

Publicidade
Publicidade