Sexta-feira, 14 de Maio de 2021
Gravidez após os 30

Mulheres estão adiando a maternidade cada vez mais

Houve um aumento de 45% no número de mulheres em Manaus que esperam para ter bebês



_111455015_gettyimages-1158208759_50A83E8C-2F9A-40B1-813B-D030189245D0.jpg Foto: Reprodução / Internet
11/12/2020 às 09:53

Quanto mais o tempo passa, mais as mulheres decidem deixar a maternidade para depois dos 30 anos. Pelo menos é isso que mostrou os dados da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa), o qual revelou, nesta quinta-feira (10), o aumento de 45% no número de mães na faixa etária dos 30 anos ou mais, em comparação a 14 anos atrás.

Os dados mostram também queda de 21% na quantidade de mães entre a faixa etária de 15 a 19 anos. Para se ter noção, em 2019, 2.331 mulheres tiveram seus filhos pela primeira vez após os 30 anos, enquanto no ano de 2006, os dados desse perfil somavam 1.564 mulheres. No ano passado, 4.948 mulheres tiveram o primeiro filho entre a idade de 15 a 19 anos, enquanto em 2006, o levantamento somava 6.312 mães primíparas.



Escolha

A empreendedora, Fernanda Fernandes, 30 anos, ficou grávida em novembro do ano passado e teve o bebê durante a quarentena. Ela comenta que sempre teve vontade de ser mãe, porém optou pela maternidade na faixa etária dos trinta.

“Eu sempre soube da responsabilidade que é ter um filho e os custos que tem que se arcar. Então, eu coloquei na cabeça que teria depois que tivesse em uma situação mais tranquila financeiramente. Não estipulei uma idade, mas também não queria ter filho muito nova e sim, imaginava depois dos 32 anos”, comentou. Fernanda Fernandes destacou que passou por momentos difíceis desde a descoberta até o fim da gestação.

Já a autônoma Lana da Silva Araújo, era mãe de três até vir o quarto filho, após 14 anos. Aos 35, ela afirma, que hoje em dia, tem uma visão diferente da maternidade.  “Foram enjoos fortes e indisposição. Quase tive diabetes gestacional e foi horrível, por que eu tive que mudar toda minha alimentação e tomar alguns remédios. Minha imunidade caiu muito também, ficava gripada facilmente”, relembrou.

“Eu era uma menina quando dei a luz ao meu primeiro bebê. Eu não tive apoio do pai na época, então trabalhei para comprar as coisas para o meu filho e quando ele nasceu sofri bastante a violência obstétrica. Hoje eu conheço os meus direitos, fui bem assistida e amparada pela minha família, inclusive, das consultas do pré natal ao parto, eu tive um acompanhante e isso há 20 anos não se tinha”.

COMPLICAÇÕES DURANTE A GESTAÇÃO

De acordo com a médica ginecologista e obstetra, Sônia Diniz, não há relatos de gravidez de risco em mulheres  acima dos trinta anos. Isso se ela for saudável, ou seja, não tenha comorbidades. 

“As complicações obstétricas ocorrem com mais frequência nos extremos da idade fértil, ou melhor, na adolescência, dos 10 aos 15 anos e após os 40 anos, como hipertensão, diabetes, mal formações congênitas, patologias do líquido amniótico, entre outras”, afirmou.

“Não há evidências de riscos na mulher grávida acima de 30, desde que não haja comorbidades associadas como obesidade, tabagismo, hipertensão arterial e diabetes”, reforçou. A médica avalia ainda as estatísticas que mostram a mudança durante os anos. 

“A incidência de gravidez nessa faixa etária tem aumentado consideravelmente nos últimos anos nas classes com melhores condições sócio-econômicas, seja pela maior inclusão da mulher no mercado de trabalho, seja pelo desejo de estabilidade e independência financeira”, finalizou.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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