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Mulheres protestam de forma discreta, mas precisa na ALE-AM

'Chega de Nicolau'. Essa era uma das inscrições das camisas de cinco mulheres que realizaram um protesto em silêncio na galeria da Assembleia 21/06/2013 às 09:20
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Grupo formado por uma cabeleireira, uma vendedora e três donas de casas condenou a corrupção na política e cobrou melhorias dos serviços públicos em Manaus
André Alves ---

Um grupo de mulheres formado por vendedora, cabeleireira, donas de casa e domésticas, de bairros pobres de Manaus, decidiu dar um recado silencioso e discreto, mas preciso, aos representantes do povo na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE/AM): “Chega de Cachoeiras, Valérios e Nicolaus. Não à corrupção”. Para as eleitoras, é evidente que o desvio de dinheiro público afeta o cotidiano de cada uma delas e resulta em transporte coletivo sucateado, hospitais precários e escolas cujo ensino não alcança a qualidade que desejam para os filhos. Questionadas se pertenciam a partido político, associação ou sindicato, responderam: “Somos do povo!”

Antes mesmo da população de Manaus ir às ruas pleitear melhorias nos serviços públicos da cidade, as cinco mulheres ocuparam as cadeiras da galeria da ALE-AM, na manhã desta quinta-feira (20), para promover o protesto. Praticamente sozinhas assistindo a sessão plenária desta quinta-feira, munidas de cartazes e camisas com palavras de ordem, elas disseram que essa foi a forma que encontraram para contribuir com os protestos que acontecem Brasil afora. Em um dos cartazes, diziam: “ALE-AM, diga não à corrupção”. Em outros: “Chega de impunidade Bra$il”.

Cada uma apresentou um ponto de vista sobre os serviços prestados pelo poder público, que se encaixa com as insatisfações apresentadas no País inteiro. “Estamos aqui, mas não queremos escândalo, briga, bala de borracha. Queremos nos manifestar pelos nossos direitos, por posto de saúde, remédios. Tudo está muito caro”, comentou a vendedora Rosimeire Brasil Cruz, 50, moradora do bairro Glória, na Zona Oeste. Para sobreviver, ela vende bolo e banana frita.

“Montam hospital de primeiro mundo, mas o povo não tem atendimento. Cadê a nossa dignidade? Cadê os nossos direitos? Cadê os impostos que nós pagamos? Quando é na época de eleição, eles (políticos) sabem te cumprimentar. E depois?”, questionou a cabeleireira Flaviana Rodrigues, 32, moradora do bairro Santo Antônio, Zona Oeste. “Agora, o povo acordou. Todo o Brasil acordou. Sabe que quanto mais o tempo passa eles estão se beneficiando. Estão enchendo o bolso. E a gente? E emprego? E saúde? Como vai ficar a saúde dos meus filhos?”, indagou.

Sobre o escândalo de corrupção que atinge diretamente a Assembleia, com o desvio de dinheiro público em obra da Casa, apontado pelo Ministério Público Estadual (MPE-AM), na gestão do deputado Ricardo Nicolau (PSD),  Flaviana disse: “Não queremos que isso passe impune como tudo o que acontece. Estamos acompanhando o noticiário. O Cachoeira foi aquela repercussão toda. Mídia, mídia. Agora, não se fala nada! Nicolau, ninguém fala mais. Só se fala da Copa do Mundo”.

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