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Cotidiano
NO CORPO

Mulheres tatuam corpo como forma de eternizar superações e conquistas

A reportagem conversou com duas mulheres que relataram a escolha de lembrar as conquistas por meio das tatuagens. Confira as histórias 15/10/2017 às 19:14 - Atualizado em 16/10/2017 às 07:36
Show tatuagem
Katiuscia fez a última tattoo no dia nove de outubro (Foto: Divulgação)
acritica.com Manaus (AM)

Como você escolheria lembrar de uma conquista? Um troféu ou uma medalha poderiam corroer com o tempo, algo eterno não seria mais vantajoso? A estudante de pedagogia, Katiuscia Morais, 37, e a compradora, Jamille Rodrigues, 33, fizeram a cirurgia bariátrica no ano passado. Para comemorar a nova fase da vida decidiram eternizar a conquista com tatuagens.

De acordo com o tatuador Adriano Machado, 41, é normal as pessoas buscarem símbolos que representem alguma superação ou a obtenção de uma conquista.

 “Quando a pessoa decide fazer uma tatuagem de superação, ela deve focar naquele evento de obstáculos superados. É sempre bom, durante o processo de tatuagem, ter na mente um espécie de mantra, ou seja, pensar em tudo que passou até chegar ali no momento de marcar a pele como símbolo de sua vitória”, disse.

E foi justamente isso que Katiuscia levou para o estúdio de tatuagem. Ela tem duas tatuagens que marcam dois períodos importantes de vida. A primeira são 10 pássaros negros nos ombros. “Eles significam a liberdade da transição do que eu era para aquilo que me transformei: um ser leve com a liberdade de sair, se vestir e comer! São as asas de uma vida nova, cheia de saúde e disposição”, disse.

No antebraço direito ela carrega a data 24.08.16, que foi o dia em que fez a cirurgia, uma borboleta e a palavra “gratidão”. “A borboleta é o que me transformei depois de um ano. Sai da metamorfose e virei uma borboleta e minha gratidão está na pele, por tudo que vivi antes da bariátrica. Isso me trouxe um despertar para a outra vida. Todos os meus problemas de saúde deixei naquele dia ‘24.08.16’, juntamente com os 33 kg eliminados até agora”, afirmou.

 A borboleta é considerada um símbolo dos pacientes bariátricos. Por isso, Jamille Rodrigues também a fez. “Eu a carrego no ombro esquerdo como símbolo do meu ressurgimento, a saída do casulo para a nova vida após a cirurgia. Eu quis registrar esse momento. Passei o Natal no hospital. Fiz a cirurgia em 23/12/16 e só sai no dia 25”, contou.

O desenho foi tatuado no dia 01 de julho deste ano e foi o primeiro a ser feito no corpo dela. “Como símbolo da minha vitória”, pondera. Antes de fazer a cirurgia, Jamille sofria de síndrome metabólica. “Eu fazia acompanhamento médico, mas não tinha retorno do tratamento e com isso continuava engordando por conta da grande quantidade de corticoide que estava tomando por conta das crises alérgicas constantes. Um dos médicos que passei me indicou a cirurgia e eu ainda relutei em fazer por um ano”, contou.

Jamille perdeu 45 quilos e hoje confessa estar muito feliz com o resultado obtido. “Hoje tenho saúde, não tomo mais remédios, não tenho crises alérgicas com aumentos de medicamentos como antes. É uma nova vida”, finaliza.

Tatuagem grátis para reconstrução mamária

Além de fazer desenhos artísticos, o tatuador Adriano Machado iniciou uma campanha em prol das mulheres que tiveram câncer de mama e realizaram a mastectomia. “Eu iniciei essa campanha esse ano para alcançar aquelas mulheres que retiraram a mama. Iremos fazer a reconstrução do mamilo e aréola mamária de forma gratuita. É uma forma de fazer o social”, disse.

O estúdio de tatuagem dele “Drimarch Tattoo” fica na Rua Cuba nº 10, quadra 21, bairro Parque das Nações. Quem estiver interessada pode procurá-lo nas redes sociais (@adriano.macha-do.tattoo). Segundo Adriano, não é preciso ter medo da dor da tatuagem. “Às vezes as pessoas pensam que a dor da tatuagem é intensa, mas não é. O que de fato machuca é uma separação, a não aceitação do próprio corpo e o preconceito. Eles não só ferem o corpo, mas a alma. Não existe dor maior do que aquela que você possa imaginar”, pondera.

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