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Cotidiano
Câncer de pele

Multidão correu atrás de socorro no mutirão dermatológico da Fundação Alfredo da Matta

População procurou o mutirão dermatológico da Fundação Alfredo da Matta no fim de semana, dentro da campanha de câncer de pele 28/11/2016 às 05:00
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A dona de casa Vanda dos Santos mostra as mãos irritadas, motivo pela qual ela procurou o Alfredo da Matta em busca de diagnóstico (Fotos: Euzivaldo Queiroz)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

O caótico sistema de saúde nacional se torna mais latente quando as filas de atendimento se formam em grande escala à frente das unidades de atendimento. Foi o que aconteceu no último sábado, quando uma multidão se dirigiu à sede da Fundação Alfredo da Matta (Fuam), na rua Codajás, Cachoeirinha, Zona Sul, em busca de um diagnóstico ou socorro para doenças de pele.

Com o objetivo de identificar casos de câncer de pele, ainda no estágio inicial, além de disseminar informação sobre esta doença e sobre o acesso aos serviços de diagnóstico e tratamento, a instituição acabou recebendo um número além do esperado de pacientes (o balanço da ação não havia sido divulgado até o fechamento desta edição) que buscavam informações a respeito de outras doenças dermatológicas.

"Todas as zonas de Manaus têm dermatologistas nas policlínicas e podem absorver essa demanda.Existe um problema, senão existisse você não estaria vendo tantas pessoas aí. Existe uma demanda reprimida muito grande", explicou Lucilene Sales,diretora-técnica da Fundação Alfredo da Matta e dermatologista, falando sobre a quantidade de pessoas que procurou a unidade de referência no fim de semana.

A multidão (boa parte dela que já estava no local desde a madrugada) aguardava sob o sol para entrar na instituição. Uma delas era Nazaré de Castro, 69, moradora do Centro: ela já se tratou de câncer de pele no nariz e frequentemente faz exames no Alfredo da Matta. “Cheguei aqui umas 4h da madrugada pois fiquei preocupada: pois geralmente dá muita gente nestes mutirões”, comentou a dona de casa.

Também no interior da Fuam, Vanda F. dos Santos aguardava ser chamada pelos atendentes. Ela disse que estava na fundação por conta de dores nos dedos da mão, além de uma irritante coceira. “Meus dedos coçam, incham, doem e eu fico assim sem poder fazer. E nos pés, se eu molhar e não secar os dedos ficam corroídos”, declara ela, que buscava auxílio pela primeira vez.
Diferente dela, na fila do lado de fora estava a professora Fátima Pereira, 43, que veio de Nhamundá (a 375 quilômetros de Manaus). Ela estava sem uma sombrinha para se precaver dos raios ultravioletas (principal causador do câncer de pele).

“Vim me consultar em outro médico, mas como surgiu essa oportunidade eu vim aqui no mutirão para verificar umas manchas que apareceram na pele. Não custa nada precaver e iniciar um tratamento se possível”, disse a professora, uma ex-agricultora que se protegia do forte sol com apenas uma toalhinha amarela.

Mais precavida estava a dona de casa Rosângela da Silva Muniz, 59: ela estava devidamente usando uma sombrinha para evitar os raios ultravioletas. “Tem que se precaver desse Sol, né. A sombrinha é minha companheira?”, brincou ela que, a exemplo de todas as pessoas abordadas pela reportagem, sempre traziam um sorriso no rosto e a esperança no coração.

Campanha

A ação  fez parte do Dia Nacional de Combate ao Câncer de Pele promovido em todo Brasil pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), através de suas Regionais e instituições parceiras. Além do atendimento na Fuam, a campanha também aconteceu no Ambulatório Araújo Lima/Hospital Universitário Getúlio Vargas, localizado no bairro da Praça 14, Zona Sul, e Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), no Dom Pedro, Zona Centro-Oeste.

No atendimento do último sábado a Fundação Alfredo da Matta contou com uma equipe de 15 médicos dermatologistas, três técnicos de enfermagem, três técnicos de dermatologia, além de profissionais para apoio administrativo.

Além do Fuam, a campanha também aconteceu no Ambulatório Araújo Lima/Hospital Universitário Getúlio Vargas, localizado no bairro da Praça 14, Zona Sul de Manaus e Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), no bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste da cidade.

Sobre o câncer de pele

O câncer de pele é o crescimento anormal e descontrolado das células da pele. Estas células se dispõem em camadas, por isso, dependendo da camada afetada, tem-se diferentes tipos de câncer. Os mais comuns são os carcinomas do tipo basocelular, espinocelular e o melanoma; este último é o tipo mais agressivo.

Lesões na pele, inicialmente semelhantes a uma espinha que não cicatrizam ou crescem lentamente e que com o passar do tempo podem sangrar espontaneamente ou formar pequenas feridas; alteração em pintas pretas ou acastanhadas (mudança na cor ou textura, bordas irregulares e alteração do tamanho) podem ser alguns dos sinais da doença.

A radiação ultravioleta é uma das causas do câncer de pele, por isso é importante proteger-se, evitando uma exposição exagerada ao sol, utilizando protetor solar, roupas e acessórios como chapéus com abas e guarda-sol. Estar atento a qualquer alteração na pele e visitar regularmente um médico dermatologista também são medidas para prevenir a doença. Quanto mais cedo for detectado o câncer de pele, maiores são as chances de cura.

Câncer de pele em números

Dados epidemiológicos da Fundação Alfredo da Matta apontam que ao longo dos últimos 16 anos foram registrados 5.058 casos de câncer de pele na instituição. Deste total, 178 (3,8%) foram diagnosticados como melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele.

Em 2015 foram registrados 422 casos de câncer de pele, sendo 20 casos de melanoma. Em 2016, até o mês de outubro já foram notificados 331 pacientes com a doença.

Frase

"Antes uma pessoa me indicou uma pomada que aliviava as coceiras das mãos. Mas agora a situação ficou pior e eu resolvi vir ao Alfredo da Matta”  

Vanda Santos, dona de casa e uma das pessoas que buscava atendimento na Fuam no último sábado

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