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Cotidiano
ENCHENTE

Município de Anamã (AM) está sob as águas do Solimões

Cidade, cuja sede fica em um lago e sempre é um dos mais afetados, já está sem abastecimento de água 20/05/2017 às 05:00
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(Foto: Arquivo/ AC
Isabelle Valois Manaus

Com praticamente 100% da zona urbana debaixo d’água, o Município de Anamã (a 168 quilômetros de Manaus) está com todos os serviços públicos paralisados há quase um mês.O abastecimento de água potável foi interrompido e a prefeitura do município teme que, dentro de duas semanas, os moradores passem a sofrer, também, com o racionamento de alimentos.

O panorama alarmante foi apresentado, ontem, pelo representante da prefeitura de Anamã, Marcos Oliveira, durante reunião com o secretário-executivo da Defesa Civil do Amazonas, Fernando Pires Júnior. “Se a sede do município está 100% debaixo d’água, imagina o resto. Agora começou a faltar alimentos e, por isso, estamos hoje (ontem) em Manaus  buscando  recursos. No momento não temos nem de onde coletar água potável. Praticamente todas as famílias estão sendo assistidas pela prefeitura de alguma forma e, por conta disso, estamos correndo em busca de ajuda financeira”, explicou Marcos Oliveira.

Segundo o representante de Anamã, ao todo, mais de três mil famílias foram afetadas pela cheia no município, que hoje tem uma população estimada de pouco mais de 12 mil pessoas. “A população de Anamã ainda consegue comprar alimentos, mas nas próximas duas semanas estimamos que não haverá mais essa possibilidade. Por conta disso estamos aqui, reforçando o nosso apelo ao Estado”, disse Oliveira.

Ajuda
O Município de Anamã está entre os 13 municípios incluídos na segunda fase de atendimento da Defesa Civil estadual aos afetados pela enchente dos rios da bacia Amazônica. Esses municípios irão receber ajuda humanitária nas próximas semanas.

Ao todo, 900 toneladas, entre materiais de higiene e alimentos, serão distribuídos   a esses  municípios. Os pacotes de ajuda humanitária  começaram a ser enviados ainda ontem para  o interior. “Estamos em uma nova etapa. Na primeira atendemos os municípios localizados na calha do rio Juruá e, dessa vez, estamos atendendo as calhas dos rios Solimões e  Purus. Queremos deixar claro à população que iremos, como todos os anos, passar por essa situação de emergência juntos. Estamos ajudando com as necessidades primárias, com a doação de gêneros alimentícios, medicamentos e água potável”, afirmou  o secretário-executivo da Defesa Civil,  Fernando Pires Júnior.

Além da cesta básica, a ajuda humanitária também oferece  kit’s de dormitório (colchão, lençol, mosqueteiro e rede), medicamentos e de higiene pessoa e fralda, além de  água potável e hipoclorito de sódio.

Os recursos para a compra da ajuda humanitária são orinudos dos cofres estaduais e do governo federal.

Emergência
Ontem, mais dois municípios decretaram situação de emergência: Tefé (a 525 quilômetros de Manaus) e São Paulo de Olivença (a  988 quilômetros). Agora são 23 cidades do Amazonas em emergência por conta da cheia e um total de 46.070 famílias afetadas.

Além dos 23 que estão em situação de emergência, os municípios de Manacapuru (a 68 quilômetros da capital) e Tefé (a 525 quilometros) também estão em situação de emergência, mas nestes casos  por conta de deslizamentos de terra ocasionados pela subida dos rios. Outros 21 municípios  estão em situação de alerta e três estão em situação de atenção.

Anori também está enfrentando dificuldades
O prefeito do Município de Anori, também no baixo Solimões,  Jamilson Ribeiro, destacou que a população, tanto da zona Rural quanto da Urbana, está enfrentando dificuldades e que ações estão sendo desenvolvidas para amenizar a situação dos flagelados da enchente. “A Defesa Civil já fez o cadastro das famílias que necessitam do apoio para que todos sejam contemplados”, ressaltou Ribeiro.

O deputado estadual Sabá Reis, enfatizou a importância do trabalho do órgão em favor dos afetados. “O nosso povo é calejado com essa questão da subida das águas, e a Defesa Civil está se antecipando ao desastre por que o Governo não para”, disse o deputado, que acompanhou o início da segunda fase da operação de ajuda.

Operação monitora a calha de rio
Conforme o secretário-executivo da Defesa Civil do Estado, Fernando Pires Junior, o órgão  está acompanhando com mais atenção os municípios da calha do rio Solimões. “A calha chegou ao pico de enchente e este deve começar a baixar. Nosso olhar agora é voltado para o baixo Solimões e para a calha do rio Amazonas, que irá receber essas águas que estão vindo tanto da calha do Juruá como da calha do Solimões. Vamos monitorar esse processo”, explicou o secretário-executivo.

De acordo com Fernando, a calha do Juruá também está em processo final de enchente neste ano. “Estamos monitorando todas as calhas de rios durante 24 horas. No caso do Juruá, estamos em final de enchente. Dos oito municípios pertencentes a essa calha, seis foram afetados pela cheia e todos eles foram atendidos na primeira fase, assim como os municípios da calha do Purus”, disse o secretário, que ontem coordenava o envio dos kits de ajuda humanitária para os treze municípios em emergência.

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