Segunda-feira, 20 de Maio de 2019
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Museu do Seringal retrata tradição que colocou a capital amazonense ‘no mapa’

O Museu do Seringal é um espaço aberto ao público de terça a domingo, das 8h às 16h. Por mês, mais de mil  pessoas passam pelo local e, na maioria, são visitantes de outros Estados e países



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A guia Marilene Batista faz um ‘tour’ no museu com turistas de Brasília
12/01/2016 às 14:11

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Que tal fazer uma viagem no tempo e poder conhecer como viviam seringalistas e seringueiros no início do século 20, no período áureo da borracha? A família do farmacêutico Alessandro Vicente, que veio de Brasília pela primeira vez, aceitou o desafio e encarou uma curta viagem de barco à comunidade Nossa Senhora de Fátima, na Zona Rural, onde está situado o Museu do Seringal Vila Paraíso, um dos projetos turísticos mais bonitos da capital amazonense.

Para eles, o passeio começou logo na Marina do Davi, na Zona Oeste, de onde saem as embarcações que atendem as comunidades ribeirinhas de Manaus.  O local é um dos acessos ao Museu que pode e deve ser um dos roteiros de visitações para quem está de férias e pretende conhecer um pouco mais sobre a história do Amazonas. A viagem, dura aproximadamente 20 minutos e deixa qualquer um impressionado com a paisagem natural e a beleza do rio Negro.

Viagem no tempo

No Museu do Seringal Vila Paraíso, os visitantes são recebidos por guias turísticos que os fazem entrar em uma “máquina do tempo”: a casa do coronel, dono do seringal, o barracão do aviamento, a extração do látex, e a casa dos seringueiros, mostram com riqueza de detalhes, a forma o luxuosa como viviam os donos dos seringuais  e a pressão a que eram submetidos os seringueiros, para produzirem o “ouro negro”.  

“Aqui está set de filmagem do filme ‘A Selva’, que é uma réplica de um seringal do início do 20. Agora  nós vamos viajar no tempo, saber como os coroneis viviam e como era extraída a borracha que fez Manaus ser uma das capitais mais ricas do Brasil”, disse a guia turística Marilene Batista, 37, ao receber Alessandro, a esposa dele, Valéria Vilela, e os filhos, Djorkaeff  e Sarah Vilela, de 17 e 12 anos, respectivamente.

Atenta e curiosa, a pequena Sarah foi  uma das mais empolgadas durante o passeio. Ela contou que a experiência foi diferente por poder ver de perto o  que é retratado nos livros de história. “Já tive aulas sobre o Ciclo da Borracha, mas foi legal  porque eu nunca tinha ido em um seringal. Vou contar isso para as minhas amigas quando chegar em casa”, contou a estudante, ao indicar o local como um roteiro para quem vai passar as férias em Manaus. “Gostei muito”, garantiu a pequena.

Revivendo o tempo áureo

A empolgação da pequena visitante Sarah tem um porquê. Logo no começo  da expedição, o primeiro ponto a ser visitado é a casa do coronel. Em cada canto, sinais de luxo e poderio em plena floresta amazônica. “As casas dos coroneis da borracha eram muito luxuosas. As louças vinham da China, Europa, as roupas eram mandadas ser lavadas em Paris. As senhoras usam chapéus enormes e, quanto maiores, mais imponentes elas eram. Quem era dono de seringal gostava de ostentar”, afirmou a guia turística Marilene Batista.

As trilhas que levam às seringueiras, o local onde o látex era transformado na borracha e onde os seringueiros “moravam” também chamam a atenção. A professora Valéria Vilela aprovou a viagem. “Saber como era feita a borracha e pegar nela fez a gente entrar na história e viver o que aquele povo viveu naquela época. Foi maravilhoso”, afirmou.

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Visitas

O Museu do Seringal é um espaço aberto ao público de terça a domingo, das 8h às 16h. Por mês, mais de mil  pessoas passam pelo local e, na maioria, são visitantes de outros Estados e países.

Agendamento

As visitas são direcionadas e agendadas por email (demus@culturamazonas.am.gov.br). O visitante paga uma taxa simbólica, de R$ 5 por pessoa.

‘A Selva’

De acordo com Marilene Batista, que também é moradora da comunidade, o set do filme ‘A Selva’ foi mantido, para que pudesse servir como mais uma opção de lazer, na capital.

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Marilene Batista, 37, guia turística

Trabalho aqui no Museu há três anos e vim a convite da diretora. Mas, quando cheguei, não sabia muito sobre a história desse lugar, apenas o que estudamos na escola mesmo. À medida que os turistas visitavam e faziam perguntas, me senti na obrigação de pesquisar mais sobre o assunto para ter mais elementos que prendessem a atenção dos visitantes. Hoje, poder contar essa história com riqueza de detalhes é muito gratificante para mim, porque também aprendi muito, e aprendo a cada dia. Às vezes recebemos visitas de ex-soldados da Borracha, eles contam com era naquela época e essas informações são agregadas. Como moradora da comunidade, fico muito feliz em poder aguçar a imaginação dos turistas que vêm conhecer o nosso museu, e ajudar a preservá-lo”.


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