Quinta-feira, 23 de Maio de 2019
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Na orla do Educandos, moradores contabilizam os prejuízos causados pela última enchente

No beco Manoel Urbano existem muitas casas que apresentam as marcas onde as águas subiram na última cheia, além disso, há muito lixo acumulado em baixo das palafitas



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Francisca Feijó de Alencar, 63, conta que todos os anos constrói marombas
06/01/2016 às 20:57

Em época de cheia muitos transtornos são causados aos moradores que vivem às margens dos igarapés e o efeito disso pode ser visto na área da orla do bairro Educandos, Zona Sul, onde muitas residências  já se preparam para uma nova cheia.

No beco Manoel Urbano existem muitas casas que apresentam as marcas onde as águas subiram na última cheia, além disso, há muito lixo acumulado em baixo das palafitas.

Dona Francisca Feijó Alencar, 63, moradora do beco há mais de 40 anos e relata que é muito difícil lidar com cheia todos os anos. Com o alagamento é preciso construir marombas, levantar os móveis e redobrar o cuidado com as crianças. “Sofremos muito aqui, quando alaga a gente tem que fazer as marombas porque a água invade toda a nossa casa. Nós temos que dar o jeito de comprar madeiras, pregos e todo o material. As crianças também são prejudicadas porque a água traz muitas doenças”, relatou.

Ela conta que muitas promessas já foram feitas. Segundo a moradora, muitos políticos se aproveitam do sofrimento dos moradores para conseguir votos. “Na época das eleições recebemos muitas promessas. Os eles vêm e prometem que vão nos tirar daqui e que vamos melhorar de vida, mas nada acontece”, disse.

Segundo a moradora, além dos transtornos causados na época da chuva, quando as águas baixam outro problema aparece, que é o lixo que fica acumulado em baixo das casas. “Eu dou meu jeito de limpar, retiro todo lixo acumulado aqui em baixo da minha casa. A minha parte eu faço, mas tem morador que não está  nem aí, deixam o lixo todo acumulado, isso atrai muita imundíce pra nossa casa”, conta a moradora.

“Eu quero sair porque eu moro há mais de 40 anos. Estamos aqui esperando alguma providencia. Não saio porque não tenho pra onde ir. Se o governo ou a prefeitura tivesse pra onde levar a gente, eu iria. Por enquanto a gente tem que enfrentar essa situação aqui mesmo”, disse dona Francisca.

Rosangela da Silva, 40, conta que na época da cheia às vezes é preciso pedir para passar por dentro da casa dos outros moradores porque a água alaga tudo, e todo o lixo acumulado traz um mau cheiro que chega a ser insuportável e sonha um dia ver a área revitalizada. “É ruim morar aqui assim, vivendo nessas condições. Nós nos sentimos abandonados”, lamentou.

O industriário Paulo Jeferson Coutinho, 31, mora desde que nasceu naquela área. “Quando eu era criança não existia nenhuma casa aqui. Eu jogava bola aqui com os outros meninos. Acho que todas essas pessoas deveriam ser retiradas daqui e poderiam ser levadas para outro lugar”, disse.


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