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Nações Unidas condenam morte de jornalistas brasileiros

Para o representante da entidade para América do Sul, Amerigo Incalcaterra, cabe ao Estado brasileiro investigar exaustivamente os casos para identificar e levar à Justiça os responsáveis pelos crimes. 08/06/2015 às 20:07
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O número de mortes de jornalistas em anos recentes no país é motivo de preocupação.
Flávia Villela - Repórter da Agência Brasil ---

O Escritório Regional para a América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Acnudh) condenou hoje (08) a morte dos jornalistas brasileiros Evany José Metzker e Djalma Santos da Conceição. Eles foram mortos no fim de maio, em Minas Gerais e na Bahia, respectivamente.

Para o representante da entidade para América do Sul, Amerigo Incalcaterra, cabe ao Estado brasileiro investigar exaustivamente os casos para identificar e levar à Justiça os responsáveis pelos crimes. “Chamamos as autoridades a esclarecer os fatos e a garantir que não fiquem na impunidade”, disse ele em nota divulgada pelo órgão das Nações Unidas.

O número de mortes de jornalistas em anos recentes no país é motivo de preocupação. “Estamos preocupados com a insegurança, o assédio e os crimes contra jornalistas que observamos no Brasil. Isso constitui uma ameaça à liberdade de expressão”, afirmou Incalcaterra. “O Brasil deve redobrar seus esforços para proteger os defensores de direitos humanos, incluindo jornalistas, assegurando que não sofram represálias, pressões e violência no exercício de suas atividades, adotando medidas concretas e efetivas em matéria de prevenção.”

Para Incalcaterra, o Brasil precisa pôr em prática as recomendações feitas em 2014 pelo grupo de trabalho sobre direitos humanos dos profissionais de comunicação no Brasil no Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana. O relatório final recomenda a criação de um observatório da violência contra comunicadores, em cooperação com o Sistema das Nações Unidas no país.

Em 18 de maio, Evany José Metzker, conhecido como Coruja, foi encontrado decapitado e com sinais de tortura na cidade de Padre Paraíso, em Minas Gerais. Ele tinha o blog Coruja do Vale e, na época, investigava irregularidades da administração pública local. O crânio foi encontrado a 100 metros do corpo.

Cinco dias depois, o radialista Djalma Santos da Conceição, conhecido como Djalma Batata, foi assassinado e seu corpo deixado às margens da BR-101 em Timbó, área rural do município de Conceição da Feira, a 110 quilômetros de Salvador. Batata investigava a morte de uma adolescente. Ele foi sequestrado por três homens encapuzados quando participava de roda de samba em um bar. O cadáver foi encontrado na manhã seguinte, com 15 marcas de tiros.


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