Publicidade
Cotidiano
Notícias

Não há como pensar em 2018 sem resolver crise econômica e política, diz ex-presidente Lula

Mais uma vez, o ex-presidente defendeu a relação do governo com o partido e voltou a cobrar dos militantes que defendam o PT, afirmou que o partido pode fazer “uma surpresa” em 2016 21/11/2015 às 10:24
Show 1
Lula sai em defesa das medidas fiscais duras aplicadas por Dilma e Levy
reuters brasil ---

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou seu discurso na abertura da 3ª Conferência da Juventude do PT, na manhã desta sexta-feira, para alertar o partido que não há como pensar em 2018, ano eleitoral, sem resolver a crise política e econômica atual e ajudar a presidente Dilma Rousseff, mas pôs a culpa dos problemas na oposição.

“Antes de a gente pensar em 2018 nós temos que ajudar a companheira Dilma a sair da encalacrada que a oposição colocou a gente depois das eleições”, afirmou, para um plateia que o recebeu com gritos de “Lula de novo com a força do povo”.

“O que precisamos ter consciência é que a primeira tarefa é ajudar a companheira Dilma. Deus queira que seja aprovado tudo o que ela quer até o final do ano para que gente possa virar a página do ajuste e colocar a página do crescimento no lugar, para que a gente possa fazer esse país voltar a crescer”.

Crítico dos métodos ortodoxos do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, Lula diz constantemente e interlocutores que é preciso ir além do ajuste fiscal. No entanto, nas últimas semanas tem moderado as cobranças a pedido da própria presidente e do ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, de acordo com auxiliares palacianos ouvidos pela Reuters.

A  avaliação feita por Wagner a Lula antes do encontro do Diretório Nacional, há duas semanas, é que o vazamento de conversas do presidente minava o poder do ministro, responsável por negociar o ajuste fiscal.

Já na reunião do diretório Lula sai em defesa das medidas fiscais duras aplicadas por Dilma e Levy. Esta manhã, voltou à carga. “Se nós estamos passando por um momento delicado, é hora de nos juntarmos e ajudar a Dilma a vencer todos os obstáculos”, disse.

Antes do ex-presidente chegar ao Congresso, no entanto, os jovens reunidos não deixaram de lado os gritos de “Fora, Levy”, e “Fora Cunha”, referindo-se ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Lula ironizou os pedidos. “’Fora Levy’ ou ‘fora PMDB’ é muito pouco,  me desculpem, é muito pouco. Eu quero saber quais as propostas da nossa juventude para educação, para o país, o que esse congresso vai propor para geração de emprego”, disse. “Essas palavras de ordem até eu com 70 anos falo, eu sei. Eu quero que vocês me digam o que eu não sei”.

Logo que o presidente chegou ao local do Congresso, um clube em Brasília, foi recebido com gritos de “Lula de novo”, mas também com cobranças para que o partido rompa com o PMDB. “Lula eu quero ver você romper com o PMDB”.

Mais uma vez, o ex-presidente defendeu a relação do governo com o partido. Ao cobrar que o PT precisa ter candidatos em todos os lugares nas eleições municipais de 2016, “com chances de ganhar”, afirmou que se não for possível é necessário sim fazer alianças. “O ideal seria se pudesse disputar e ganhar a presidência, 27 governadores, 81 senadores e 513 deputados com um partido só. Seria maravilhoso”, disse.

“Quando a gente ganha precisa construir a governabilidade. Seria maravilhoso se a Dilma sozinha pudesse votar tudo, mas entre a política e o sonho, entre o meu desejo ideológico e partidário e o mundo real da política tem uma distância enorme, e a gente tem que governar”.

Lula voltou a cobrar dos militantes que defendam o partido, afirmou que o PT pode fazer “uma surpresa” em 2016 aos que acham que partido está derrotado e chegou a defender o ex-tesoureiro petista, João Vaccari, preso por suspeita de corrupção na Petrobras pela operação Lava-Jato, dizendo que “tem que se parar de dizer que só o dinheiro do PT veio de empresas.“Quero saber se o dinheiro do PSDB foi buscado numa sacristia”, disse.

Publicidade
Publicidade