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'Não precisava levar uma coerção. Era só ter comunicado', diz Lula na sede do PT

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alvo da nova fase da operação Lava Jato, afirmou em pronunciamento que esta sexta-feira é o dia da "indignação" e de desrespeito à democracia 04/03/2016 às 18:09
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Lula em coletiva após depoimento à PF
agência brasil e reuters brasil ---

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse há pouco que jamais se recusou a dar depoimentos à Polícia Federal nas investigações da Operação Lava Jato. "A minha bronca é com o MP Estadual [Ministério Público Estadual]. Não precisaria levar uma coerção à minha casa, dos meus filhos. Não precisava, era só ter me comunicado. Antes dele, já fazíamos a coisa correta nesse país. A gente já lutava para fazer a coisa certa nesse país", disse em entrevista coletiva, na sede do PT, em São Paulo.

Ele continuou: "Lamentavelmente preferiam usar a prepotência, a arrogância, o show de pirotecnia. É lamentável que uma parte do Judiciário esteja trabalhando com a imprensa". O ex-presidente depôs nesta sexta-feira (4) - quando a PF deflagrou a 24ª fase da Lava Jato - por cerca de três horas no escritório da Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas, zona sul paulistana. Depois do depoimento, o ex-presidente foi para a sede nacional do PT.

Lula foi levado de sua casa, em São Bernardo do Campo, na região do Grande ABC, sob um mandado de condução coercitiva, para o aeroporto. De acordo com o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), foram abordados diversos assuntos durante o depoimento, como as palestras que o ex-presidente concedeu após deixar o Palácio do Planalto e a ligação com um sítio em Atibaia, no interior paulista.

Além da condução coercitiva, foram expedidos mandados de busca em diversos endereços do ex-presidente, como parte da 24ª fase da Operação Lava Jato. Segundo o procurador da República, Carlos Fernando Lima, da Operação Lava Jato, há indícios de que Lula recebeu pagamentos, seja em dinheiro, presentes ou benfeitorias em imóveis das maiores empreiteiras investigadas na operação policial.

De acordo com o procurador, foram cerca de R$ 20 milhões em doações para o Instituto Lula e cerca de R$ 10 milhões em palestras de empresas que também financiaram benfeitorias do sítio em Atibaia e de um apartamento tríplex no Guarujá.

'Não devo e não temo', diz a militantes

O ex-presidente disse hoje que não teme a investigação da Polícia Federal. "Eu já prestei vários depoimentos. Eu suspendi minhas férias para ir a Brasília prestar depoimento. Porque não devo e não temo. O que vale mais é um show midiático do que uma apuração séria", disse o ex- presidente a militantes, na sede do PT.

Em frente ao local onde Lula prestava depoimento, houve confusão após a chegada de um grupo de militantes do PT e da Central de Movimentos Populares que trocaram agressões e ofensas com manifestantes que criticavam o ex-presidente. Também houve tumulto no saguão do aeroporto. Além de xingamentos e agressões verbais, houve empurrões e bandeiradas. Ninguém ficou ferido.

"Hoje, na minha vida, é o dia da indignação. É o dia da falta do respeito democrático, o dia do autoritarismo", disse. "Eu me senti prisioneiro hoje de manhã". Segundo o MPF, as ações têm por objetivo aprofundar a investigação de possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Além dos mandados contra Lula, determinados pelo juiz federal Sérgio Moro a pedido do Ministério Público Federal (MPF), também foi realizada busca e apreensão na casa de filhos do ex-presidente e do Instituto Lula, em São Paulo.

Cerca de 200 policiais e 30 auditores da Receita Federal cumpriram 34 mandados de busca e apreensão e 11 de condução coercitiva, incluindo o de Lula em São Bernardo do Campo (SP), de acordo com a Polícia Federal.

O ex-presidente criticou Moro pela decisão de determinar que policiais fossem à sua casa e de familiares cumprir mandados de busca e apreensão.
Segundo Lula, lamentavelmente, a Justiça preferiu usar a arrogância e prepotência.

"Não há explicação para terem ido atrás de meus filhos, a não ser o fato de eles serem meus filhos", criticou. Lula disse que, embora não saiba ainda se será novamente candidato à Presidência em 2018, episódios como o desta sexta-feira alimentam sua vontade de fazer mais coisas pelo país.

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