Quinta-feira, 23 de Maio de 2019
NOTA

‘Não pretendo voltar para a política’, revela ex-prefeito de Coari, Adail Pinheiro

Em nota enviada à imprensa, ex-prefeito diz que "não aceitou ser prefeito da sua cidade para fazer carreira". Na terça-feira (24), Adail conseguiu a extinção de sua pena de 11 anos



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Adail afirma que não voltará para a política (Foto: Arquivo/AC)
27/01/2017 às 12:17

Acusado de ter integrado esquema de exploração sexual infantil, o ex-prefeito de Coari, Adail Pinheiro, disse que não “pretende voltar para a política” e que “não aceitou ser prefeito da sua cidade para fazer carreira”. Na terça-feira (24), Adail conseguiu a extinção da pena de prisão de quase 11 anos pelos crimes de favorecimento da prostituição, indução à satisfação de impulsos sexuais e por submeter criança ou adolescente à prostituição ou à exploração sexual.

Em nota enviada à imprensa, Adail afirma que não pretende voltar para a política e que não é político. “Sou uma pessoa comum. Não aceitei ser prefeito de minha cidade para fazer carreira. Queria somente ajudar Coari a crescer como o fiz e disto tenho muito orgulho”, disse ele.

No texto, o ex-prefeito citou supostos jogos de poder. Ele diz que a imagem montada dele é cruel e que os julgamentos são, para ele, motivo de grande tristeza. “Quero poder provar que é possível você ser útil e ajudar quem mais precisa sem ter que estar na política. Vou continuar minha luta quase solitária para provar minha inocência, ainda que seja esta a última missão de minha vida”, finaliza.

Leia a nota na íntegra: 

"Há pouco, recebi um e-mail. Nele um jornalista local muito respeitado me pergunta se, diante deste novo momento que vivo, pretendo voltar para a política. Foi a frase “Me aguarde Coari. Estou chegando”, da Carta Aberta que despertou essa curiosidade nele.

Faço questão de responder em público para que não restem dúvidas. Não pretendo voltar para a política.

Não sou político, sou uma pessoa comum. Não aceitei ser prefeito de minha cidade para fazer carreira. Queria somente ajudar Coari a crescer como o fiz e disto tenho muito orgulho.

Não sei jogar esses jogos de poder. Sou uma pessoa comum. E não tenho a cara de pau de ignorar tudo o que aconteceu. Meu povo e minha família não merecem mais estar nesse palco.

Há pessoas que me julgam sem ao menos me conhecer de verdade e confesso que isto para mim é motivo de grande tristeza. Mas não os culpo. A imagem que montaram sobre mim é cruel.

Quando digo para me aguardar, é porquê quero voltar para casa, para perto dos amigos e do meu povo, que graças ao trabalho que fiz me tem na memória e no coração.

Quero poder provar que é possível você ser útil e ajudar quem mais precisa sem ter que estar na política.

Vou continuar minha luta quase solitária para provar minha inocência, ainda que seja esta a última missão de minha vida."

Perdão presidencial

O ex-prefeito de Coari, Adail Pinheiro, conseguiu na terça-feira a extinção da pena de prisão de quase 11 anos pelos crimes de favorecimento da prostituição, indução à satisfação de impulsos sexuais e por submeter criança ou adolescente à prostituição ou à exploração sexual. A decisão que tornou Adail Pinheiro livre da cadeia é assinada pelo juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Luís Carlos Valois.

Adail conquistou o perdão da pena por pedofilia, após se enquadrar no artigo 3° do Decreto Presidencial n° 8.940/16, de 22 de dezembro de 2016, o qual concede o perdão da pena “nos crimes praticados sem grave ameaça ou violência à pessoa, quando a pena privativa de liberdade não for superior  a doze anos, desde que, tenha sido cumprido um quarto da pena, se não reincidentes, ou um terço, se reincidentes”.

O Ministério Público Estadual (MP-AM) se manifestou favorável a extinção da pena. Na decisão, Valois esclarece que “o indulto é causa extintiva da punibilidade que está sob a discricionariedade do Presidente da República, cabendo a este juízo tão somente, e fundamentadamente, declarar o apenado enquadrado nas hipóteses do perdão presidencial”.

Em novembro de 2014, Adail Pinheiro foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) a quase doze anos de reclusão. À época, Adail já estava detido preventivamente desde fevereiro daquele ano no quartel de Policiamento Especial da PM, em Manaus, em um processo que apura outros supostos casos de pedofilia. Em maio de 2016, o TJ-AM negou dois pedidos de soltura que questionavam a prisão preventiva que se estende por dois anos e oito meses. Mas em agosto, o juiz da 2ª Vara da comarca de Coari, Fábio Lopes Alfaia, autorizou o relaxamento da prisão.

Histórico

Encarcerado desde fevereiro de 2014, preventivamente, por conta de um inquérito do Ministério Público Estadual (MP-AM) que investiga uma suposta rede de pedofilia, Adail ocupou uma cela no quartel de Policiamento Especial da PM em Manaus durante todo esse tempo. 

Sua ida pra casa coincidiu com a eleição do filho dele Adail Filho, conhecido como ‘Adailzinho’, que mora em Manaus, como prefeito de Coari, e da filha, a médica de 29 anos Mayara Pinheiro, como vice-prefeita de Coari.

Outros dois parentes do ex-prefeito também conseguiram se eleger nesse pleito. A irmã de Adail, Jeany Pinheiro (PP), foi a vereadora mais votada. Obteve 1.204 votos. E sobrinho de Adail, Keitton Pinheiro, que já era vereador, se reelegeu.


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