Sexta-feira, 06 de Dezembro de 2019
POLÊMICO

Não se combate violência com flores, diz líder da 'bancada da bala'

Deputado Capitão Augusto (PL-SP) defende um novo projeto de lei para facilitar a posse e o porte de armas do governo Bolsonaro, que será votado em breve no Congresso



show_1__1__AB0A9B32-E084-492F-A2B4-F6876C70FBC9.jpg Foto: Arquivo AC
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04/11/2019 às 11:23

O deputado Capitão Augusto exerce uma função peculiar no Congresso brasileiro: é líder da "bancada da bala", poderoso lobby pró-armas, que defende uma política de linha dura de combate à criminalidade.

Vestindo terno azul, óculos combinando e grande anel dourado com o selo do Congresso na mão direita, o bronzeado deputado é um fervoroso defensor da repressão da violência, que produziu mais de 57.000 homicídios no país no ano passado. 



"Isso não é guerra? Sim, estamos numa guerra civil", diz o deputado de 53 anos em entrevista à AFP na Câmara dos Deputados. "Temos que combater essa violência, e isso, infelizmente, não é com flores", ressalta.

José Augusto Rosa, conhecido como Capitão Augusto - é capitão da reserva da Polícia Militar de São Paulo - é um dos apoiadores mais sólidos na área da segurança do presidente Jair Bolsonaro. 

A "bancada da bala" subiu de 36 para cerca de cem deputados nas eleições de 2018, aproveitando a onda bolsonarista.

O deputado do Partido Liberal (PL) afirma ter em sua casa um revólver e uma pistola e está convencido: armar as "pessoas de bem", ter penas mais pesadas para os criminosos e intervenções mais radicais das forças policiais vão fazer diminuir o número de mortos num dos países mais violentos do mundo.

O que não exclui uma pequena pitada de mágica. "E só pela retórica já houve redução da criminalidade de 22% no primeiro semestre deste ano", assegura. "Por que houve essa queda? Não houve uma melhora da economia, nem melhora do nível de emprego, não houve nada significante no nível da educação, a única coisa significativa foi a eleição de um governo disposto a endurecer a legislação penal".

Mais atiradores

Capitão Augusto é o relator de um grupo de trabalho da Câmara dos Deputados sobre o polêmico "pacote anticrime", submetido em fevereiro pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e que patina desde então no Congresso.

O deputado espera que o texto seja adotado em novembro, apesar das críticas dos partidos de esquerda e de ONGs. Ele prevê um endurecimento das penas e amplia a legítima defesa para a polícia e para a população.

"Esse projeto vai reduzir a criminalidade e a superlotação das prisões", assegura o deputado que fala como uma metralhadora, ao mesmo tempo que fez rolar na tela de seu smartphone suas mensagens no WhatsApp, onde acompanha os debates do grupo de trabalho.

"A partir do momento que você falar que ele vai ficar 15 anos, 20 anos preso, sem saídas temporárias, sem visita íntima, sem progressão de pena... vão pensar duas vezes antes de cometer o crime", acredita.

O estado do Rio de Janeiro é laboratório da nova política de segurança, colocada em prática pelo governador Wilson Witzel. O número de pessoas mortas em operações policiais em um mês atingiu o recorde de 194 em julho, enquanto a lista de vítimas de balas perdidas, incluindo crianças, não para de crescer.

Witzel promove o uso de atiradores de elite para liquidar pessoas armadas nas favelas. Quando esses atiradores efetuam disparos de helicópteros, o cenário é de guerra.

Capitão Augusto aplaude esse tipo de ação: ele apresentou um projeto de lei autorizando atiradores de elite em todo o Brasil. "O sniper pode estar no morro, no carro, no helicóptero, por drone ou a pé. O importante é o alvo. O sniper deveria ser mais utilizado", afirma.

Glock, "nossa Ferrari" 

O líder da bancada da bala defende ainda um novo projeto de lei para facilitar a posse e o porte de armas do governo Bolsonaro, que será votado em breve no Congresso.

Também luta para acabar com o monopólio da brasileira Taurus, a fim de abrir o vasto mercado para fabricantes estrangeiros de armas de "melhor qualidade", como a austríaca Glock, "nossa Ferrari", que é do gosto do colecionador Eduardo Bolsonaro, filho deputado do presidente.

"Não há vínculo entre dar uma arma para o cidadão de bem, honesto, correto, com boa índole, com o aumento da criminalidade. Ao contrário, vai reduzir", assegura. "Os marginais vão evitar cometer um crime por medo da pessoa estar armada", justifica.

"Pode ocorrer ter excessos (...) Mas a gente não trabalha com a exceção", conclui.


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