Entrevista!

‘Não tivemos nenhum caso de aluno contaminado’, afirma secretária da Seduc

Titular da pasta afirma que não houve casos de covid-19 em estudantes da rede estadual e garante que todos os professores “conscientes” estão vacinados

Waldick Júnior
12/12/2021 às 12:35.
Atualizado em 08/03/2022 às 19:48

(Foto: Iago Albuquerque/Freelancer)

O Amazonas foi o primeiro estado do País a voltar com as aulas 100% presenciais em agosto deste ano, após dois picos pandêmicos de Covid-19. A afirmação é vista como positiva por  Kuka Chaves, titular da Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc).

Em entrevista para A CRÍTICA, a secretária fez um balanço da retomada do ensino em 2021 e comentou sobre o avanço da imunização entre os “professores conscientes” que a vacina funciona.

Ela também destacou que desde o início das aulas em agosto nenhum caso de Covid-19 foi diagnosticado entre os alunos da rede estadual.

E deu detalhes do novo projeto, ‘Mestre Qualificado’, que deve oferecer 15 mil vagas para cursos de pós-graduação destinados a professores da rede pública e privada do Amazonas. O lançamento está previsto para o ano que vem. Abaixo, a entrevista.

De modo geral, o ano de 2021 foi um período de recuperação em relação às sequelas da pandemia. O que representou esse ano para a educação do Amazonas?

Estávamos prontos para retornar para o presencial quando veio a segunda onda [em janeiro de 2021], a mais crítica para o Amazonas. Então, tivemos que praticamente retomar o ensino on-line até que, em meados de maio, pudemos retornar com o ensino híbrido. E tivemos a possibilidade, de acordo com os números da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), de retomar as aulas na rede estadual em agosto, nos tornando o primeiro estado do Brasil a voltar 100% presencial.  Fizemos toda a parte de infraestrutura em todas as escolas da rede, capital e interior, para que nós tivéssemos todo o controle sanitário necessário para proporcionar aos nossos alunos e professores uma escola que fosse um ambiente seguro. Fizemos toda  a parte de contratação e compra de equipamentos de proteção, máscaras, sabonetes, álcool em gel, sinalização vertical e horizontal. Implantamos horários de intervalo diferenciados, de almoço, com distanciamento entre os alunos, e graças a Deus desde que o Estado voltou [com as aulas presenciais] não tivemos nenhum caso de aluno contaminado por covid-19.

O que diferenciou a capital do interior durante os trabalhos para minimizar as consequências da pandemia?

Todos são importantes para nós, então houve uma grande mobilização para que nós pudéssemos estar atuando ao mesmo tempo com a rede da capital e do interior, porém temos distâncias continentais dentro de um único estado e dificuldades impostas pela pandemia que fizeram com que vários municípios que sofreram restrições a gente não tivesse condição de começar [as aulas] com a mesma data de Manaus. O interior é tratado do mesmo jeito, com a mesma equidade, não existe diferença de políticas pedagógicas, qualquer tipo de diferença.

O que existem são restrições pelo momento que se viveu e da difícil logística do Estado que faz com que a gente tenha um tempo maior de deslocamento e isso acaba prejudicando o calendário, o início das atividades, prejudicando que o material chegue no mesmo momento. É diferente eu ir até uma escola em Manaus. Se  retirar algo da minha logística, a tarde este material vai estar [na escola]. Mas, nós temos municípios como Guarajá que levamos quase 50 dias para levar o mesmo material. Então, essa é a diferença.

Como a Seduc  tem acompanhado a vacinação dos professores? Podemos dizer que 100% deles já estão vacinados?

A cobertura vacinal não é obrigatória, mas foi feita e oferecida a todos os professores da rede. Mas temos a certeza que todos os professores [que são] conscientes que a vacina pode salvar vidas, todos se vacinaram e todos tiveram a oportunidade, inclusive, de já ter a terceira dose, que é o que garante o salvamento das nossas vidas, é o que temos como oportunidade de combater a Covid-19.

Houve casos de professores que não quiseram se vacinar e que a Seduc soube e precisou acompanhar?

Não.  Não houve nenhum caso que precisamos acompanhar ou, na verdade, a gente não, não existe essa obrigatoriedade, mas, eu acho que a consciência é grande e nós não tivemos nenhum caso de professores que não quiseram.

A vacinação dos adolescentes avançou e isso permite uma maior segurança na sala de aula, mas a imunização ainda não chegou para as  crianças. Quais alternativas a Seduc têm seguido para conseguir diminuir a contaminação do vírus em escolas com crianças ainda sem a vacina?

Na verdade, reforçando para você que graças a Deus nós não tivemos nenhum caso de Covid-19 nos nossos alunos. Agora, essa [questão de crianças não poderem se imunizar, ainda] já é uma situação que foge do nosso controle, porque as vacinas ainda estão em teste para a cobertura vacinal de um ano até a faixa etária de dez anos. Então você sabe que todos os movimentos e as autorizações para qualquer evento estão até a partir da idade em que a criança já possa estar vacinada. Houve um treinamento, uma formação para que o professor pudesse atuar da maneira mais segura para que não houvesse esse contágio, e se em algum momento, qualquer criança ou professor apresentasse algum tipo de sintoma já existia juntamente à Fundação de Vigilância Sanitária uma intervenção para que esses alunos fossem acompanhados. Graças a Deus nenhum caso foi confirmado de Covid-19.

Temos a ameaça, ou pelo menos a preocupação em relação à nova variante ômicron. Como a Seduc está acompanhando esse cenário?

Existe um comitê de enfrentamento à Covid-19 que é composto por várias secretarias e presidido pelo governador [Wilson Lima] e pela presidente da FVS [Tatyana Amorim], que se reúnem semanalmente ou quinzenalmente e fazem a avaliação. Graças a Deus não temos nenhum caso apresentado [da variante ômicron] no Estado e temos acompanhado de perto desde que apareceram as outras variantes. Ainda existe uma preocupação muito grande do Estado em perceber essa movimentação, então, assim, enquanto estivermos como estamos hoje, dentro de uma cobertura vacinal avançada e com o número de controle de pacientes hospitalizados e sem aumento de novos casos confirmados, nós vamos seguir dessa forma e ir acompanhando todo o tempo os dados da FVS.

Então para o ano que vem a previsão é que as aulas continuem presenciais?

De olho nessa questão [da variante ômicron] sempre, desde que não haja qualquer movimento que seja diferente do que vivemos hoje, em início de fevereiro voltaremos com ano letivo 100% presencial.

Sobre os décimo quarto e décimo quinto salário dos professores, quais  motivos levaram ao surgimento dessa política e como irá funcionar?

Esse é um grande projeto do governador Wilson Lima para uma valorização muito sensível ao professor, ao pedagogo, a toda a classe, todos os profissionais que compõem [o ensino], porque quando a gente fala de escola a gente tem que entender que cada um tem um papel prioritário.  E valorizar a escola pelo trabalho que ela faz. Essa é uma meta obrigatória nossa e foi aprovado na Assembleia [Legislativa do Amazonas] o décimo quarto e décimo quinto e nós tivemos agora a publicação do decreto que regulamenta [esses pagamentos].

Deixando claro que o décimo quarto e o décimo quinto serão pagos a partir do recebimento das notas que teremos do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), porque várias métricas são feitas através dos números que obtivermos da avaliação. Assim que saírem as notas do Ideb, nós nos programaremos para poder fazer o pagamento do décimo quarto e o décimo quinto, que deve ocorrer no primeiro semestre de 2022.

Como está a implementação do Novo Ensino Médio?

A Seduc já teve a aprovação do referencial curricular do ensino fundamental e do ensino médio. Estamos muito à frente, discutindo, mostrando quais vão ser as principais diferenças em relação ao novo ensino médio e acredito que teremos boas surpresas para os nossos alunos que poderão escolher, a partir desse momento, quais tipos de itinerários formativos eles mais se adéquam, mais têm aptidão. Com isso tenho certeza que formaremos jovens mais conectados com o seu tipo de inteligência, habilidade e nós vamos corrigir uma defasagem muito grande. Porque assim, nós temos pessoas que já nascem e ainda crianças começam a dizer “quero ser jornalista”, ou “quero ser médico”, “quero ser professor”, mas isso são números reduzidos nesse grande rol de alunos que temos dentro da rede. Então através do novo ensino médio uma das principais mudanças é essa: oportunizarmos itinerários que venham a agradar a vontade de cada um.

Pensando que uma mãe neste momento lê essa matéria e quer entender o que muda para o filho dela na prática, o que diria?

Teremos um aumento de carga horária. Na verdade, o aluno vai se dedicar muito mais à aprendizagem. Teremos algumas matérias que terão horas de redução do seu currículo para que possamos entrar com outras que sejam do agrado daquele aluno. Então, na verdade, a escola vai se tornar mais atrativa, é isso que o pai e a mãe têm que entender. Precisamos fazer com que esses jovens venham para a escola para ter algo que eles possam se sentir motivados a querer estudar, então preparamos uma proposta de currículo para que esses itinerários sejam atrativos para os jovens.

Há algum planejamento para implantação de convênios com universidades para capacitação de professores da rede pública?

Tem um projeto lindo que é o Mestre Qualificado em parceria com a UEA. Nós vamos oportunizar para os professores, tanto da rede estadual como municipal, cursos de pós-graduação. Serão 15 mil vagas para formações especializadas que o governo do Estado irá ofertar tanto na capital quanto no interior, inclusive com um quantitativo mínimo para a rede privada. Será no ano que vem.

Além disso, hoje já temos quase sete mil professores formados no projeto Trilhas do Saber, que oferta desde cursos de primeiros socorros até de formação. E aí passa por todos os tipos, por exemplo, como tirar foto, como criar uma página no Instagram, no Facebook,  como montar um podcast.

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