Sexta-feira, 07 de Maio de 2021
UM NATAL DIFERENTE

Natal na pandemia: nova realidade impõe desafios para pais e filhos na época festiva

Sem as grandes reuniões de famílias e brincadeiras entre amigos e parentes, os pais terão que buscar no diálogo e na tecnologia para diminuir a ansiedade e stress dos pequenos na época natalina, afirma neuropsicóloga



06-1_403BBCEB-6DE0-4D88-B831-07578DE29B76.jpg Foto: Reprodução/Internet
24/11/2020 às 15:30

Faltando pouco mais de um mês para o Natal, uma das épocas de festas mais tradicionais do calendário e, principalmente, aguardada com ansiedade por crianças, pais buscam alternativas para adequar os filhos à nova realidade com o contexto da pandemia e o isolamento social. Para muitos, planejar a festa em família é tradição indispensável.

Para a família do jornalista Elvis Chaves o natal tem valor especial. “Sempre gostei de celebrar o natal e quando me casei com a Jeane Clay, passamos a decorar nossa casa juntos, é um passatempo que nós dois gostamos. Já fazem 15 anos, começamos em 2005! Este ano trouxe muitos desafios, nós tivemos COVID-19 e foi complicado, mas a vontade de celebrar e agradecer em família só aumentou”. 



Sem brincadeiras em grupos as usuais reuniões de famílias, especialistas listam dicas de como diminuir a ansiedade e estimular novas interações e atividades para os pequenos. Conforme a neuropsicóloga Eliana Maria Monteiro, o confinamento imposto pela pandemia ocasionou no aumento de atendimentos a crianças com ataques de pânico, ansiedade e alto nível de agressividade. 


Segundo Eliana Monteiro, maior desafio dos pais será diminuir ansiosidade dos filhos durante época natalina. Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

“O convívio de adultos e crianças às vezes acontece sem diálogo, a criança é afastada da escola e não sabe porque saiu, sabe que não vão haver aulas, mas não participou dessa decisão então também não compreende bem a gravidade da situação. São diversos os contextos de conflito que não são conversados com as crianças. Mas eles são como um radar, podem não saber o que está acontecendo, mas sabem que alguma coisa está errada, captam a alteração de conduta e o stress familiar”, explicou Eliana.

Maria Izabel, filha de Elvis, de 6 anos, acompanhou a movimentação da pandemia. “Ela ainda é muito pequena para compreender tudo que tem acontecido, mas felizmente não apresentou nenhum sintoma de ansiedade ou distorções psicológicas. Nós conversamos muito em casa”.

Tecnologia como aliada

Para a neuropsicóloga, é necessário conversar com a criança, ajudando na compreensão do momento histórico que passamos para que ela não sinta os impactos de forma negativa. Nessas horas, o uso da tecnologia pode ser um importante aliado.

“Dar importância ao diálogo em família e planejar o tempo de convívio, com atividades de leitura e videochamadas com colegas! É uma forma de usar a tecnologia para se aproximar dos amigos” 

É o que tem feito o pequeno Lucas, de 11 anos. Ele conta que a mudança de rotina da pandemia faz com que ele passe os dias em casa com o irmão fazendo atividades recomendadas pela escola. “Ah, agora preciso lembrar sempre da máscara, até já acostumei, mas não gostava. Ficamos tristes porque esse ano não vamos passar o natal com todos os primos na minha avó, mas nos falamos pelo Meet (plataforma de videochamada online)”, comentou. 

Sobre a convivência em família, Eliana recomenda: “É importante partilhar os nossos mundos, assistir tv para fazer companhia a alguém da família mesmo que você não goste da programação. Também é necessário confortar, lamentar a morte de alguém é uma forma de se sensibilizar com o outro. Quando se partilha o medo, minimizamos o peso que carregamos dentro de nós”, destacou.


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