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Navegar é preciso

Embora as embacarções sejam o principal meio de transporte na Amazônia, os serviços são de baixo padrão, segundo a Antaq 07/07/2013 às 14:37
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Porto de São Raimundo, em Manaus: é considerado um dos mais deficientes do Estado em serviços, estrutura e segurança
Jéssica Vasconcelos Manaus (AM)

A navegação na Amazônia é o principal meio de locomoção da população no interior do Estado e, por essa razão, o sistema hidroviário deveria oferecer condições para que os passageiros se sentissem seguros utilizando o serviço. No entanto, o relatório da Agência Nacional de Transporte Aquaviários (Antaq), publicado no mês passado, apontou o que, na prática, os passageiros que utilizam a navegação já sabem: vários pontos precisam ser melhorados.

O relatório analisou 106 portos nos Estados do Amazonas, Pará, Amapá e Rondônia em serviços essenciais como ruas de acesso com capacidade de tráfego adequada, ponto de parada de ônibus, divisão para carros particulares, táxis e veículos particulares, banheiros, posto policial e médico, além da disponibilização de balcão de informações, serviço de carregadores, telefones públicos e lixeiras.

No Amazonas, dos 30 terminais avaliados pela agência reguladora, apenas um apresentou nível elevado de atendimento e três deles registraram um padrão médio. Os outros 26 terminais do Estado tiveram nota baixa. A pior situação ocorre no Amapá, onde todos os 11 terminais registraram baixo padrão de atendimento. Falta de sinalização, de telefones públicos, de posto de atendimento médico e policial, apresentaram índices de 3% de padrão de atendimento, em uma escala de 0 a 100%, considerando este último o de padrão elevado.

Os portos do São Raimundo e dos municípios de Eirunepé e Itacoatiara apareceram como os mais deficientes do Amazonas e que precisam receber melhorias urgentes.

De acordo com a pesquisa de campo, observou-se que uma das principais causas das diferenças de padrões existentes entre os terminais é o desequilíbrio socioeconômico existente na grande área territorial do Estado. Quanto mais distante da capital, pior se torna as características operacionais dos portos.

Apenas quatro terminais - Roadway, Ceasa, Tabatinga e Humaitá - apresentaram percentuais iguais ou acima de 50% no padrão de atendimento. Aproximadamente 80% dos terminais analisados tiveram padrões abaixo de 30%, o que demonstra que intervenções imediatas precisam ser feitas nesses locais em busca do alcance de um padrão operacional adequado.

Demanda de passageiros caiu

Segundo o documento, além do baixo nível de atendimento aos passageiros nos terminais, as embarcações que realizam esse transporte apresentam recorrentes problemas de conforto, higiene e segurança. Além disso, os barcos possuem idade avançada e navegam com tecnologias ultrapassadas. De acordo com o levantamento, 63,5% das 446 embarcações cadastradas na região amazônica são feitas de madeira, seguidas de 22% fabricadas de aço e 10,1% de alumínio. Segundo a Antaq, 16,6% desses barcos têm mais de 20 anos, 21,2% têm de 11 a 20 anos, 29,9% têm registros de 5 a 10 anos e os outros 32,3% têm até 4 anos de navegação.

Com 80% das vias fluviais navegáveis do País, a região amazônica tinha uma média anual de transporte de 13,625 milhões de passageiros em 2012, que caiu para uma média de 8,991 milhões de passageiros com a construção da ponte sobre o Rio Negro, que desativou as linhas Manaus - Cacau Pereira e Manaus - Iranduba.

Para 2022, a Antaq projeta um crescimento de 12% na demanda, passando para 9,948 milhões de passageiros ao ano. Já a movimentação de cargas na região amazônica chegou a uma média de 4,575 milhões de toneladas em 2012. Com um aumento estimado de 13% na demanda na próxima década, a Antaq prevê a movimentação média de 5,159 milhões de toneladas em 2022. Os dados referem-se apenas às 133 linhas regulares de transporte fluvial de carga. sendo três linhas exclusivas e 130 consideradas mistas.

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