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Cotidiano
HISTÓRIA

Seminário que marca 134 anos do fim da escravidão no AM debate negritude no Estado

Evento realizado pelo Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) acontece em Manaus neste sábado (14). Pesquisadores vão apresentar estudos inéditos sobre os negros na Amazônia 12/07/2018 às 20:57 - Atualizado em 13/07/2018 às 08:11
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Prédio do IGHA no Centro. Foto: Arquivo/AC
Silane Souza Manaus (AM)

Novos dados sobre o processo histórico escravista na Amazônia serão apresentados neste sábado (14) em seminário que marca os 134 anos da emancipação dos escravos no Amazonas, completados na última terça-feira (10). O evento, aberto ao público, contará com a presença de estudiosos que desenvolvem pesquisas relacionadas ao movimento negro na região, além de ativistas, e acontecerá às 9h30, na sede do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), na rua Bernardo Ramos, no Centro. 

De acordo com a presidente do IGHA, Marilene Corrêa, dentre as novidades que serão abordadas no seminário, intitulado “Negritude no Amazonas”, está “Amazônia Negra: A história, resistência e luta dos quilombolas do Trombetas e do Andirá”. O tema será apresentado pelos pesquisadores Eliane Arcanjo e João Marinho. “A pesquisa no Andirá, por exemplo, é nova, tratada em nível de doutorado, e traz novos fatos do processo escravista na região”, disse.

Também vão ser debatidos, segundo ela, os temas “Afroamazonenses: a desconstrução de uma presença negada”, com o pesquisador Juarez Silva Júnior, e “Negritude e poder no Amazonas – Eduardo Ribeiro e seu destino político”, com a professora do curso de Direito da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Dorinethe Bentes. “Essas pesquisas são importantes e mais conhecidas pelo campo disciplinar. No sábado, elas serão apresentadas pela primeira vez à sociedade, uma honraria para nós e para eles”, afirmou.

Marilene Corrêa explicou que, desde que assumiu a presidência do IGHA, vem promovendo seminários, com lançamento de pesquisas e com estudos concluídos e consolidados a fim de submetê-los a comentários e diálogos para consolidar a discussão entre os pesquisadores, estudantes e sociedade. “Para o evento deste sábado, por exemplo, teremos ativistas, pesquisadores que têm pesquisas consolidadas na área e pesquisadores que estão em processo de formação”, destacou. 

A presidente ressaltou a importância da comemoração dos 134 anos da emancipação dos escravos no Amazonas. “É um marco histórico do movimento abolicionista, primeiro porque aconteceu quatro anos antes da libertação dos escravos no Brasil. O Ceará foi o primeiro a libertar seus escravos, o Amazonas foi o segundo, depois disso, de certa forma, o movimento nacional tem uma homogênea sobre o processo de libertação”, explicou.

Libertação: Movimento pioneiro no Brasil

Antes mesmo de a Princesa Isabel ter assinado a Lei Áurea a nível imperial, em 1888, o Amazonas, junto com o Ceará, foi uma das primeiras províncias a libertar todos os escravos no seu território. No Estado, o fato aconteceu em 10 de julho de 1884.

A extinção da escravidão na região se deu por influência de entidades como a Sociedade Emancipadora Amazonense, que trabalhava pela causa desde o ano 1880.

Mais de um século de abolição

Manaus também fez história na abolição da escravatura. O Município libertou os escravos negros no dia 24 de maio de 1884, quase dois meses antes da abolição definitiva no Estado do Amazonas e quatro anos antes que a Princesa Isabel assinasse a Lei Áurea, decretando o fim da escravidão no País, em 13 de maio de 1888, há exatos 130 anos. 

A abolição no Amazonas foi decretada no dia 10 de julho de 1884 pelo então presidente da província do Amazonas, Theodureto Carlos de Faria Souto. “Ficando assim, e de hoje para sempre, abolida a escravidão e proclamada a igualdade dos direitos de todos os seus habitantes”, diz o histórico decreto.

Serviço

O quê: Seminário “Negritude e Amazonas”. 

Onde: no Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, localizado na rua Bernardo Ramos, Centro. 

Quando: Sábado (14), às 9h30.

Valor: Gratuito e aberto ao público geral

Informações: (92) 99989-6140

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