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Neto de amazonense condenado à pena de morte na Indonésia por tráfico será executado sábado (17)

Condenado por tráfico de drogas, Marco Archer será fuzilado na tarde do dia 17, segundo divulgou o jornal Folha de S. Paulo. Somente uma intervenção da presidente Dilma faria ele escapar da pena de morte 15/01/2015 às 12:35
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Marco Archer é de família tradicional no Amazonas
acritica.com ---

O brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, 53, que tem família amazonense e é condenado à pena de morte por cometer tráfico de drogas na Indonésia, será executado na noite do próximo sábado (17), pelo horário da tarde em Manaus, conforme informou hoje o governo local, segundo publicação do jornal Folha de S. Paulo.

As informações teriam sido dadas pelo porta-voz da Procuradoria-Geral, órgão responsável pelas execuções no país. Marco e o Itamaraty já teriam sido informados sobre a decisão. O amazonense foi condenado em 2004 após tentar, um ano antes, entrar na Indonésia com 13,4 quilos de cocaína escondidos em tubos de uma asa-delta.

A morte dele será por fuzilamento. Essa seria a primeira vez que um brasileiro será executado no País. Marco ficará isolado na prisão até a data da execução. Segundo a Folha, o amazonense está “chocado” e pensou que ainda hoje seria executado.

Apenas uma intervenção da presidente Dilma Rousseff conseguiria fazer Marco escapar da morte. Todas as tentativas do governo brasileiro para revogar a decisão de execução e tentar salvar o amazonense não foram aceitas pelo governo indonésio, que costuma se implacável com crimes de tráfico de drogas.

Clemência

O pedido de “perdão presidencial”, o segundo solicitado (o primeiro foi em 2006), foi negado no último dia 31 de dezembro pelo presidente da Indonésia. Pelas leis locais, prisioneiros sentenciados à morte só podem fazer dois pedidos de clemência depois que as chances de recursos à Justiça acabam.

Segundo noticiou a Folha de S. Paulo no dia 9, não há mais o que fazer para evitar a execução do ponto de vista legal, mas o gabinete da presidente Dilma Rousseff ainda avalia, com certa urgência, se há mais alguma maneira de interceder pelo brasileiro. Para o jornal, o único meio de evitar o fuzilamento seria fazendo pressão política.

Execução

A execução é feita por 12 soldados. Apenas dois fuzis são carregados, sem que os atiradores saibam quais. Cada soldado atira no peito do condenado uma vez e, se ele sobreviver, leva um tiro na cabeça. Depois, o corpo é entregue à família.

Rota da droga

Antes de ser preso na Indonésia, Marco, que é o instrutor de voo livre, ficou dois dias em Manaus, na casa da avó, com o asa-delta recheada de droga. A cocaína havia sido retirada no Peru, em um hotel no norte do país, na cidade de Trujillo.

Archer entrou no Amazonas de barco e embarcou para São Paulo pelo aeroporto internacional Eduardo Gomes. De São Paulo, ele viajou rumo a Jacarta, na Indonésia, depois de fazer uma escala em Amsterdã, na Holanda.

Marco é neto de Lourdes Acher Pinto, último membro da família a assumir os negócios iniciados pelos irmãos Agnaldo e Henrique Archer Pinto, com a fundação de “O Jornal”, que foi durante décadas um dos principais veículos da mídia impressa do Estado. A mãe dele, Carolina Acher Pinto, morreu em 2011, vítima de câncer.

Conforme foi noticiado na época, o brasileiro saiu do Rio de Janeiro, onde morava, com destino ao Peru para transportar droga até a Indonésia para pagar uma dívida de um hospital em Cingapura, contraída em 1997: na ocasião, ele sofreu uma queda de parapente em Bali, e foi levado para o país vizinho para tratamento. Como não conseguiu pagá-lo integralmente, era constantemente cobrado.

Há quase 12 anos detido, a reclusão na Indonésia mudou Marco. A aparência não é mais sadia: o cabelo está ralo e o brasileiro quase não tem mais dentes que eram, na verdade, implantes feitos depois do acidente de parapente. Sem tratamento dentário, os implantes caíram. Além disso, ele adquiriu o hábito de fumar cigarros, o que não fazia quando estava livre.

Inspira filme

Depois dos sucessos de Tropa de Elite 1 e 2 e do documentário Ônibus 174, o cineasta José Padilha havia declarado, ainda em 2012, que iria fazer um documentário contando a história de Marco Archer. O documentário, previamente intitulado “Curumim, o homem que queria voar”, estaria orçado em R$ 1,5 milhão.

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