Terça-feira, 15 de Junho de 2021
Cheia do Rio Negro

Nível das águas do Rio Negro pode ultrapassar os 30 metros nos próximos dias

A quantidade de chuvas previstas para os próximos dias é o fator determinante para a previsão



Sem_titulo_BD6287FA-5BE2-46B9-A912-4EB5ECBF7F42.jpg Foto: Arquivo A CRÍTICA
30/04/2021 às 12:15

Com base na cota do Rio Negro, desta sexta-feira (30), que é de 29,03 metros, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) espera que o nível das águas chegue a 30 metros. A previsão foi divulgada, na manhã de hoje, durante o 2º Alerta de Cheias Manaus 2021 realizado tradicionalmente pelo órgão.

“Em termos numéricos considerando o intervalo de 80% de confiança de previsão com base na cota de hoje, o intervalo nos diz que a probabilidade maior é que a gente tenha uma cheia próxima aos 30 metros”, explicou a responsável pelo Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas Ocidental, pesquisadora em Geociências, Luna Gripp Simões.

Conforme os estudos do órgão, a previsão, de acordo com a cota de hoje, é o Rio Negro atinja níveis entre 29,50 a 30,50 metros. “É provável que nos tenhamos uma cheia com a mesma magnitude da que foi observada em 2012. Em termos de magnitude do nosso intervalo, a maior segurança é afirmar que o nível do rio deve estar em 29,50 e 30,50 metros”, ressaltou.

“E quando a gente trabalha com números que nunca foram observados, a nossa confiança é menor e então é bem importante ressaltar é que bem provável que o principal resultado observado aqui é que tenhamos uma cheia de grandes magnitudes e talvez uma cheia comparável à observada que em 2012”.

Segundo Luna Gripp, o que deve determinar a subida do rio é a quantidade de chuvas que vão ocorrer nos próximos dias. “O que vai nos dizer se vamos ter uma cheia próximo a 29,50 metros ou acima do que foi observado são as chuvas que vão ocorrer até o mês de junho em toda  a bacia do Negro e Solimões”.

 

Ainda de acordo com a especialista, a probabilidade de se alcançar a cota recorde do Rio Negro, que é de 29,97 metros, chega a 56%, ou seja, considerado alto pelos estudiosos. Ela ainda alerta para a inundação de ruas, especialmente no Centro da capital. O terceiro e último alerta de cheias do CPRM deve ocorrer no dia 31 de maio.

“É uma probabilidade bem alta. A cota de 29 metros representa um principio de inundação na região central, principalmente na rua dos Bares, onde deve começar a inundar ao longo da próxima semana”, ressaltou.

Este ano, o prognóstico feito pelo CPRM está sendo estendido para outros dois municípios amazonenses: Manacapuru, onde o rio Solimões atingiu 19,86m e Itacoatiara, onde o nível do rio Amazonas está em 14,61m. Para Manacapuru, a previsão, com base na cota desta sexta-feira (30), é o nível do rio Solimões chegue a 20,20 a 21,40 metros. Já Itacoatiara, os especialistas esperam que o nível do rio Amazonas chegue a 14,90 a 15,50 metros.

“A gente observa que a expectativa é que a cota em Manacapuru fique próxima a 20,80 metros. A probabilidade que essa cota atinja a recorde de 2015, que é de 20,78 metros, é de 54%. Já Itacoatiara, considerando o nosso intervalo de previsão, é esperado que se atinja 15,20 metros. A probabilidade de se atingir a cota máxima é bem menor, então nesse caso é só 1%”, finalizou Luna Gripp.

Chuva influencia cheia

As chuvas ocorridas na bacia do Rio Negro e na bacia do Rio Branco, nos primeiros meses do ano, foram determinantes para a subida das águas em Manaus, segundo o meteorologista do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Renato Senna.

“Essas duas bacias, do Rio Negro e Rio Branco, que vão contribuir especialmente para essa cheia do Rio Negro aqui em Manaus, por que elas estão entrando em seus períodos de máxima precipitação. As duas, aparentemente, anteciparam esse período de cheia por que começam a ter volumes de chuvas muito expressivos”.

O volume de chuvas nestas regiões foi influenciado pelo fenômeno La Niña, o qual acontece desde dezembro do ano passado. Inicialmente, o evento é identificado por águas anomalamente mais frias na superfície do Oceano Pacifico Equatorial. A condição influencia a circulação da atmosfera em diversas áreas do globo, aumentando ou inibindo a formação de nuvens e, por consequência, incrementa ou reduz as chuvas na região amazônica.

Segundo os estudos do meteorologista Renato Senna, a condição está se encerrando desde o mês de março, no entanto, isso não quer dizer que as chuvas se encerarão nos próximos meses na bacia do Rio Negro. 

“O encerramento do fenômeno não garante que as condições de formações de nuvens terminem imediatamente. A alteração do padrão de circulação, mesmo depois do final do evento, dura certa de trinta a noventa dias. O evento La Nina está acabando, entretanto, as consequências, nós ainda vamos observar mais alguns dias”.



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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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