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Nível do rio Negro vêm subindo e vazante é considerada encerrada

As águas do rio subiram quatro centímetros e especialista em hidrologia considera encerrado o período de descida do nível do rio, a vazante 31/10/2015 às 20:28
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A descida brusca do rio Negro em dez dias pegou de surpresa populações ribeirinhas e secou lagos, como o do Aleixo
Isabelle Valois Manaus (AM)

Após o rio Negro subir mais quatro centímetros ontem, o chefe do serviço de Hidrologia do Porto de Manaus, Valderino Pereira, avalia que o período de vazante chegou ao fim. As águas voltaram a subir na última quinta-feira, quando o rio encheu  três  centímetros.

Na sexta-feira (30), o Negro chegou à cota de 15,99 metros. Até a última quarta-feira o fio continuava a descer. Neste dia, o rio Negro atingiu a cota de 15,92 quando desceu os últimos três centímetros. Esta foi a cota máxima de vazante neste ano.

Para Valderino, é considerado um término da vazante, mas informou que é necessário aguardar pelo menos até a próxima semana para verificar se o rio terá ou não  um repiquete. “Mesmo se houver o repiquete,  podemos considerar o término da vazante deste ano. Uma variação será considerada normais, agora precisamos acompanhar os próximos dias para saber como será a cheia do próximo ano”, explicou.

De acordo com Valderino, a cota máxima da cheia é sempre alcançada  entre os meses  de junho e julho. “Depois do que ocorreu neste ano, quando o rio Negro chegou a descer 40 centímetros em um dia, creio que precisamos monitorar essa subida das águas para podermos afirmar algo sobre a cheia, mas precisamos de mais tempo, verificar se vai haver o repiquete ou se ele vai continuar a subir”, acrescentou Valderino.

Outra possibilidade

Para o Superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Antônio de Oliveira, se ocorrer um repiquete a vazante poderá se prolongar até dezembro.

“Tudo depende se realmente ocorrer. Sabemos que por causa do El Niño (fenômeno caracterizado por um aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico e que afeta o clima regional e global, mudando os padrões de vento a nível mundial, e afetando assim, os regimes de chuva em regiões tropicais e de latitudes médias), estamos sem chuva na região, principalmente na cabeceira do rio Solimões, e ele subiu mais de dois metros desde o dia 5 de outubro”, contou.

Conforme o superintendente, essas águas que surgiram, são considerada águas subterrânea, que são mais intensa quando há grande cheias.

“Este ano houve uma conjunção do período de estiagem na Amazônia, agosto a outubro, com o fenômeno El Niño, que provoca chuvas abaixo da média na região. Isto fez com que o nível dos rios, principalmente o Solimões e Negro, caísse vertiginosamente entre o meses de setembro e outubro. No entanto esta queda acentuada do nível dos rios chegou a um limite, imposto pela descarga das águas subterrâneas, cujo fluxo em direção a calha dos rios fez com que o ritmo de descida das águas diminuísse”, explicou.

Vazante acelerou no último mês

No dia 30 de outubro do ano passado, a rio Negro subiu seis centímetros e atingiu a cota de 20,51 metros. Em 2010, ano da maior vazante, no dia 30 de outubro, o Negro subiu cinco  centímetros e  a cota foi de  13,85 metros.

No dia 11 deste mês, o rio Negro registrou a maior descida dos últimos 112 anos quando iniciou o monitoramento diário. Em um dia o rio desceu 40 centímetros, valor  classificado pelo chefe do serviço de Hidrologia no Porto de Manaus, Valderino Pereira, como um fenômeno, pois a descida máxima registrada era  25 centímetros.

A descida brusca começou no dia  10 de outubro quando o rio desceu 38 centímetros. Um dia antes, ele havia descido 22 centímetros. Após registrar a maior descida no dia 11 de outubro, o rio passou mais oito dias registrando a descida acima da média diária. Em 10 dias o rio Negro chegou a descer 3, 40 metros. Só neste mês de outubro o rio Negro teve uma vazante de 7,26 metros.

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