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No AM, pelo menos 80 bebês nascem com cardiopatia congênita

Essa modalidade de doença cardíaca atinge uma em cada 100 crianças nascidas viva, oitenta a cada mês no Estado 09/06/2015 às 09:11
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Desde que foi criado o serviço, em setembro de 2014, 130 cirurgias foram realizadas em crianças cardiopatas no HFM
Luana carvalho ---

Uma em cada 100 crianças nascidas vivas tem alguma anormalidade na estrutura ou função do coração. No Amazonas, pelo menos 80 bebês nascem, por mês, com cardiopatia congênita, estima o secretário de Atenção Especializada da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), Wagner William Souza.

A cardiopatia congênita surge nas oito primeiras semanas de gestação, quando o coração do feto está em processo de formação e ocorre uma alteração no desenvolvimento embrionário da estrutura cardíaca. É o defeito congênito mais comum, que pode gerar graves consequências caso não seja identificado a tempo, alertam especialistas.

Desde setembro do ano passado, quando aconteceu a primeira cirurgia cardíaca pediátrica no Amazonas, a Fundação do Coração Francisca Mendes realizou 130 intervenções cirúrgicas, entre cirurgias cardíacas convencionais (com abertura de tórax) e cateterismo, em recém nascidos e adolescentes de até 16 anos de idade.

Mesmo que não existam outros pontos de referência para apoio nos municípios, Wagner William destacou que além de crianças da capital, pacientes de 12 municípios foram atendidos na Fundação do Coração Francisca Mendes, em Manaus.

“Nosso centro de referência é integrado a uma rede que atende todo o Estado. Em casos de crianças que nascem com cardiopatia congênita no interior, dependendo da situação, que pode ser de grande ou pequena complexidade, ela pode ser acompanhada pela unidade básica de saúde do próprio município, onde faz o acompanhamento através de consultas pelo sistema de telemedicina”.

Para promover o debate sobre o assunto, está acontecendo, desde ontem, a 1ª Semana de Conscientização sobre cardiopatias congênitas. O evento, organizado pelo setor de cardiopediatria da Fundação vai incluir treinamentos e palestras para profissionais de saúde e da educação, abordando temas importantes para o diagnóstico precoce e tratamento destas doenças.

Sintomas

Quando não detectados em exames neonatais, os pais devem ficar atentos para sintomas mais aparentes, conforme alerta a cardiopediatra, Suely Teles. “A primeira coisa que tem que suspeitar é quando o bebê que se alimenta e não ganha peso, ou quando ele não quer mais a mamadeira porque está muito cansado. Também chama a atenção as pontinhas dos dedos, unhas e lábios roxos”, destacou.

Teste do coraçãozinho é essencial

O exame de oximetria de pulso, mais conhecido como Teste do Coraçãozinho, faz parte da triagem neonatal do Sistema Único de Saúde (SUS) obrigatoriamente desde o ano passado. Este é um dos principais meios para se detectar e prevenir problemas cardíacos em recém-nascidos.

 Quando o pequeno Fabian Mafra Júnior nasceu, há 7 anos, não passou por todos os exames neonatais e descobriu, aos cinco anos, que tinha um ‘furo’ no coração, ou ‘comunicação interventricular’. “Na época, o teste do coraçãozinho não era oferecido e só viemos saber da doença do Fabian depois de cinco anos. Ele ficava muito cansado, não conseguia correr e era muito magro. Procuramos um médico e detectamos a doença. Depois de um ano ele fez a cirurgia e hoje ele leva uma vida normal, até engordou”, contou a tia de Fabian, Noêmia Araújo de Castro, 43.

Salva vidas

A coordenadora da UTI de pós operatório da Fundação Francisca Mendes, Suely Teles, informou que o teste do coraçãozinho é vital. “Existem patologias em que a cirurgia deve acontecer até o terceiro dia de vida. O teste do coraçãozinho veio para melhorar muito a assistência, pois com esse exame conseguimos com poucos dias acompanhar a criança e programar uma evolução”. Segundo Suely, é possível que defeitos cardíacos não sejam detectados no primeiro teste. “Os que a gente mais vê são as patologias mais graves, como transposição das grandes artérias, tetralogia de fallot, comunicação interventricular, entre outros”. Todas as patologias mais graves precisam de intervenção cirúrgica, algumas mais precocemente, por isso é importante que o diagnóstico seja feito enquanto recém nascido.


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