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Cotidiano
Dia D

No estado do Amazonas, 300 pacientes esperam na fila por um transplante de órgão

Neste dia Dia Nacional do Doador de Órgãos, doadores e transplantados contaram como enfrentaram os momentos mais difíceis de suas vidas e orientam sobre a importância da conscientização 27/09/2016 às 05:00
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A jornalista Perla Soares enfrentou a família para realizar o desejo do irmão Joabe - que morreu em um acidente de moto - para doar os órgãos dele
Alik Menezes Manaus

No Dia Nacional do Doador de Órgãos, doadores e transplantados contaram como enfrentaram os momentos mais difíceis de suas vidas e orientam sobre a importância da conscientização. No Amazonas, em média, 300 pacientes aguardam na fila de doação de órgãos como córnea, rim e fígado. Em todo o Brasil, aproximadamente 40 mil pessoas estão cadastradas no Sistema Nacional de Transplante (SNT). 

A jornalista Perla Soares teve que tomar uma das decisões mais difíceis da vida  há menos de um mês, quando o irmão dela, Joabe Soares da Silva, morreu após um acidente de trânsito. Ele morreu no dia 29 de agosto. “Ele estava andando de moto e um motorista invadiu a faixa, na contramão, e atropelou meu irmão. Ele morreu um dia após. Teve morte cerebral”, lembrou. 

Perla contou que teve que enfrentar a dor de perder o irmão e decidir sobre doar as córneas do jovem, que tinha apenas 33 anos. Ela precisou enfrentar a família (que era totalmente contra a doação de órgãos) e realizar o desejo do irmão, que era ser doador de órgãos. 

“Foi super difícil, era um momento de dor,  a família não queria, mas eu tive que decidir e doei escondido deles, eu precisa atender o desejo dele, ele dizia que queria ser doador”, lembrou a jornalista. 

Apesar da dor da perda, ela disse que fez o que era certo e acredita que, com a doação, o irmão continuará vivendo e dando a oportunidade de outras pessoas viverem. “Meu irmão era feliz, alegre, gostava de viver, amava ajudar os outros e com a doação acredito que ele vai continuar vivendo. Com certeza ele está se sentindo bem, uma criança recebeu as córneas dele, ele continua entre nós”, disse, emocionada. 

O receptor
Na outra ponta, a dona de casa Socorro Lustoza Cordeiro, 66, teve a oportunidade de renascer após receber a doação de um fígado. “Eu ia morrer porque meu fígado não estava mais funcionando. Eu tive uma nova chance de viver, eu nasci de novo, nem tenho palavras e nem como agradecer. É uma emoção muito grande”, contou Socorro. 

O sofrimento da dona de casa começou em 2005 após sentir fortes dores na barriga, que dias depois foi diagnosticada como decorrência de uma hepatite C. Socorro iniciou tratamento em Manaus, mas foi transferida para fazer tratamento e avaliações em Fortaleza, em 2011. “É um sofrimento porque você entra numa fila e não sabe quando vai poder receber o transplante e se estará em condições boas quando aparecer”, contou. 

A cirurgia da dona de casa foi realizada no dia 23 de outubro de 2013. “Nasci de novo, ganhei uma nova vida”, comemorou Socorro Cordeiro.

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