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No Amazonas, SUS gasta cerca de R$ 600 mil em atendimentos a acidentados no trânsito

Dados do Ministério da Saúde mostram que o Amazonas está gastando mais recursos do SUS por causa de acidentes de trânsito 23/10/2015 às 20:24
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No último fim de semana, uma colisão entre duas motocicletas, na rodovia Manoel Urbano, matou uma jovem e deixou outros três gravemente feridos. Nenhum dos quatro usava capacete na estrada
silane souza Manaus (AM)

O Amazonas registrou, em 2014, 543 internações em decorrência de acidentes de transporte terrestre (ATT), o que gerou um custo de aproximadamente R$ 600 mil para o Sistema Único de Saúde (SUS). Foi o maior índice de hospitalizações e despesas desde 2010, de acordo com o Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). O aumento foi de 52,5% em relação a 2013, no número de internações, e de 167,8%, no gasto do SUS, no mesmo período.

Ainda conforme o SIH/SUS, o total de mortes em decorrência de acidentes de transporte terrestre, no Amazonas, em 2013 - dados mais recentes, uma vez que o Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) é atualizado a cada 2 anos -, englobando todas as categorias de usuários do trânsito, foi de 453. No ano anterior havia sido 458. 134 do total foram mortes de ocupantes de motos, em 2012 o número de morte nessa categoria foi 125.

O secretário de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde (MS), Antonio Nardi, revelou ao A CRÍTICA que esses dados são extremante preocupante, bem como o cenário encontrado em todo o País. Diante disto, ele conta que, em novembro, o Brasil sediará o 2º Road Safety, Conferência Global de Alto Nível sobre Segurança no Trânsito, com o objetivo de repactuar metas e traçar novas ações para promoção de uma política específica de prevenção aos acidentes.

“O Brasil avançou muito em termos de legislação de trânsito, mas temos que começar agora a pensar em ações que consigam reduzir drasticamente esse número em todo o País e não só nas regiões onde a aplicação da lei e a fiscalização são realizadas de forma intensa”, observou.

Nardi destacou que o governo federal já apresentou uma proposta de plano de ação nacional para o enfrentamento das mortes em decorrência da violência no trânsito. “A proposta envolve mais de sete ministérios e prevê articulação entre as três esferas - federal, estadual e municipal - para juntos trabalhar a segurança diária no trânsito”, relatou.

Para ele, o País gasta milhões de reais ao ano em “atendimento evitável” desde que houvesse cumprimento da legislação e das leis de trânsito. “É preciso haver maior fiscalização, visto que o Brasil tem uma forte legislação, porém, não é cumprida pela maioria dos motoristas. Estamos bastante avançados no quesito legislação, mas é necessário que haja fiscalização integrada e mais adesão dos municípios para que possamos vencer essas barreiras”, apontou.

Acidentes

De acordo com o Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas, 19.334 acidentes foram registrados de janeiro a outubro em Manaus.  No mesmo período, 211 pessoas perderam a vida por causa desses acidentes, e 5.943 ficaram lesionadas.

Maioria admite não usar o cinto

No Amazonas, de acordo com dados da mais recente Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2013/2104), 67,9% da população do Estado admite que nem sempre usa cinto de segurança no banco de trás dos veículos. É a segunda menor proporção da região Norte do Brasil, atrás somente do Amapá, onde 81% assumem nem sempre usar o dispositivo. No banco da frente, são 37,8% os que afirmam nem sempre usar o cinto.

Ainda de acordo com a PNS 2013/2104, 36,7% dos usuários de motocicletas no Amazonas disseram que não usam capacete na garupa das motos, enquanto 63,3% dizem sempre usar o equipamento. Quanto aos motoristas, 95% da população usuária de moto no Estado afirmam sempre usar capacete ao dirigir motos.

Estudos da Organização Mundial de Saúde mostram que o cinto de segurança no banco da frente reduz em 45% o risco de morte, e no banco de trás, em 75%. Em 2013, conforme o Ministério da Saúde, um levantamento da Rede Sarah apontou que 80% dos passageiros do banco da frente deixariam de morrer se os cintos do banco de trás fossem usados com regularidade.

Aumento de acidente em pauta

O aumento de acidentes de trânsitos será debatido durante a 2ª Conferência Global de Alto Nível sobre Segurança no Trânsito – Tempo de Resultados, que acontecerá em Brasília, nos dias 18 e 19 de novembro deste ano. Conforme o secretário de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, Antonio Nardi, mais de 150 países membros da Organização das Nações Unidas (ONU) deve participar do evento.

Ele destacou que, entre outras coisas, a conferência global avaliará o andamento das iniciativas para redução das mortes e lesões ocorridas no trânsito em todo o mundo em meio à Década de Ação para a Segurança no Trânsito 2011-2020. “Ela vai culminar com a Declaração de Brasília, um documento contendo compromissos de todos os países participantes do evento para que haja redução efetiva de acidentes de transporte terrestre em todo o mundo”.

Conforme o secretário, a meta contida no Plano Global para a Década de Ação 2011-2020, e também inserida pela Cúpula da ONU, no mês passado em Nova Iorque, entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável do Milênio, é de reduzir as mortes no trânsito em 50% até 2020.

Em números:  1,25

Milhão de pessoas são mortas a cada ano e em torno de 30 a 50 milhões ficam feridas em decorrência de acidentes de trânsito; de acordo com um estudo da OMS, divulgado no último dia 19. Os óbitos atingem principalmente crianças e jovens de cinco a 29 anos.

Saiba mais

Álcool e direção

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2014, 24,4% da população do Amazonas admitiu dirigir logo depois de beber.

Assumidos

 No mesmo ano, outra pesquisa, desta vez, em parceria com o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (USP) constatou que 4,6% dos moradores de Manaus ainda assumem dirigir logo após consumir bebida alcoólica.

CNHs suspensas

Conforme o Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas, só este ano quase duas  mil habilitações de pessoas que foram pegas somente nas operações da Lei Seca foram suspensas.

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