Domingo, 25 de Agosto de 2019
Saúde nacional

No 'Dia D da Dengue', morador lamenta viver perto de um dos foco da doença

No Dia Nacional de Vigilância, Prevenção e Controle da Dengue, Chikungunya e Zika Vírus, memorado na sexta-feira (02), boa parte da população que vive às margens de igarapés não tinha muito o que comemorar



dengue4.JPG O mototaxista Nonato Lima mostra o igarapé que está “propício” para a dengue no Nova Jerusalém, em Petrópolis / Fotos: Antonio Menezes e Euzivaldo Queiroz
03/12/2016 às 10:01

No Dia Nacional de Vigilância, Prevenção e Controle da Dengue, Chikungunya e Zika Vírus, celebrado na última sexta-feira (02), boa parte da população que vive às margens de igarapés não tinha muito o que comemorar. Como que alijados dos sistemas de prevenção e aguardando por melhorias na infra-estrutura das comunidades onde vivem, eles não tem o que fazer muito além de seguir as normas mínimas de segurança contra o temido e famoso mosquito Aedes Aegypti. 

Na comunidade Nova Jerusalém, divisa com Petrópolis, na Zona Sul, o mototaxista Nonato Gomes Lima, 38, sabe muito bem o que representa se prevenir. Atrás da sua casa, na rua Maranatha, passa um igarapé que, além de estar contaminado e receber a água servida de um dos conjunto ao redor, também é foco de doenças por ter muito lixo e até pneus, um dos principais depositários de água parada, que propicia a dengue.

A atenção é redobrada tendo em vista que ele reside com a esposa, Raquel de Souza Lima, e os filhos Estevão, de 1 ano e 3 meses, e Stefanie, de 8. A prevenção vem dando certo: Nonato e família nunca foram acometidos de dengue Dengue, Chikungunya e Zika Vírus.

“Há muitos casos de dengue aqui no Nova Jerusalém. Eu trabalho como mototaxista e de vez em quando eu levo pessoas para o SPA do Coroado com suspeita de dengue. Nós nos cuidamos, tentando esvaziar as vasilhas e colocando de cabeça pra baixo, para que ela não concentre pra virar um criadouro. Deixamos as panelas tampadas, garrafas pets viradas e emborcamos os vasos”, diz ele, morador do local há 25 anos, mas comentando que nem todos os vizinhos fazem a sua parte na guerra contra o mosquito.

No entanto, a problemática do igarapé é uma das mais preocupantes. “Já moro aqui há 25 anos e eu nunca vi uma limpeza por parte da Prefeitura Municipal nem nada. Já até falaram que iria passar o Prosamim aqui, mas nem limpar fizeram. Algumas pessoas jogam copos, garrafas e tudo na beira do igarapé, que tem criadouros do ‘bicho’ (aedes). Nós tentamos combater, mas no igarapé não há como”, desabafa ele. 

Levantamento

Segundo o segundo Levantamento Rápido do Índice de Infestação do Aedes Aegypti (LIRAa) em Manaus, divulgado em setembro pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), o bairro onde Nonato Gomes Lima mora é um dos 26 que apresentam média vulnerabilidade de transmissão de deoenças pelo Aedes aegypti.

Os outros são Nova Cidade, Colônia Terra Nova, Novo Aleixo, Jorge Teixeira, Tancredo Neves, São José, Armando Mendes, Colônia Antonio Aleixo, Compensa, Alvorada, Redenção, Bairro da Paz, Santo Agostinho, Lírio do Vale, São Jorge, Santo Antônio, São Raimundo, Japiim, Flores, Parque 10, Centro, Morro da Liberdade, Betânia, Santa Luzia e Colônia Oliveira Machado. E de todos os 63 bairros da cidade, é a Cidade Nova que apresenta alta vulnerabilidade, ou seja, local com maior número de criadouros. Apesar de tudo isso, os dados do LIRAs mostram diminuição de 95,4% de bairros com alta vulnerabilidade de transmissão de doenças pelo Aedes aegypti.

No LIRAa de novembro de 2015, a cidade de Manaus tinha 22 bairros com alta vulnerabilidade de risco de transmissão. No primeiro deste ano, realizado em janeiro, o número de bairros baixou para 17 bairros e agora apenas a Cidade Nova.

Dengue é única doença do trio que tem vacina

Das três  doenças provocadas pelo Aedes aegypti, somente a dengue tem vacina prevenível, a Dengvaxia, única no mundo e disponibilizada apenas nas clínicas privadas. Amanda Alecrim explica que a vacina é indicada para as pessoas de 9 a 45 anos, principalmente, para as que vivem em áreas endêmicas, como é o caso do Amazonas. 

A vacina apresenta 93% de proteção nos casos graves da doença e redução de 88% das internações. É aplicada em 3 doses, com intervalo de 6 meses entre elas. “A partir da 1ª dose a vacina já provoca uma resposta imunológica do organismo. Mas, para proteção total, é preciso concluir as três doses”, afirmou a diretora da Clínica Vacinar, Amanda Alecrim, ressaltando que a Dengvaxia é contra-indicada somente para grávidas, lactantes e pessoas com imunidade comprometida.

Ministro participa de lançamento em Manaus

No Amazonas, o dia nacional de mobilização contra a dengue teve como local de lançamento o Centro de Educação em Tempo Integral (Ceti) Áurea Braga, na avenida Brasil, Compensa 2, Zona Oeste,com a presença do ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho. Ele e outras autoridades participaram do lançamento da mobilização nacional contra o mosquito Aedes aegypti e de várias outras atividades alusivas à data.

“Hoje é dia de fazer um chamamento à Nação Brasileira contra o Aedes, de todos nos unirmos contra o mosquito. E claramente o Estado do Amazonas está mobilizado frente a esse desafio”, disse o ministro.

A campanha em nível local é coordenada pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) e Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), além do envolvimento de outros órgãos, como a Secretaria Estadual de Saúde (Susam), secretarias de Educação do Estado (Seduc) e Municipal (Semed), Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmas), Defesa Civil do Estado e Município, Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) e a Unicef. A estratégia da campanha é unir forças numa grande cruzada contra o mosquito que vai continuar nos dias seguintes com mobilização social, visita às casas e trabalho educativo para orientação à população.

Na ocasião houve a entrega simbólica pelo ministro de veículos tipo Doblô para as ações de vigilância dos municípios de Manaus e Humaitá, que foram contemplados com um veículo cada e dois para o Governo do Estado para fortalecer as ações da FVS.

Após análise de técnicos da Defesa Civil Nacional, ficou constatado o impacto ocasionado pela estiagem nas calhas dos rios Juruá, Madeira e Purus. Durante o evento de combate ao aedes, foi informado que o Ministério da Integração destinou aporte financeiro e ajuda humanitária aos municípios atingidos, destinando 1.246 cestas básicas e 24.913 galões de água mineral a eles, além de kits de assistência humanitária (27 toneladas) e o repasse de R$ 65.800 para auxiliar a Defesa Civil do Estado no transporte dos mantimentos. Foi anunciado, também, o envio de medicamentos de saúde básica para os municípios.  

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