Segunda-feira, 21 de Junho de 2021
Dia Internacional dos Enfermeitos

No dia da enfermagem, profissionais da área cobram apoio para conquista do piso salarial

Segundo informações da categoria, muitos profissionais têm que trabalhar em três locais para poder conseguir o mínimo pago para a categoria, que chega no máximo a R$2300



voluntarios-hospital-santa-maria-pedro-ventura-agencia-brasilia-1024x683_684AE501-6DB0-43C0-A2D6-A78347CAC351.jpg Foto: Reprodução / Internet
12/05/2021 às 12:42

No dia da enfermagem e Dia Internacional dos Enfermeitos, comemorado neste 12 de maio, os profissionais da área em Manaus reivindicaram, na Câmara Municipal de Manaus (CMM), apoio à aprovação da PL 2564/2020, que tramita no Senado Federal e pede o estabelecimento de um piso salarial para a categoria no valor de R$ 7.315 por 30 horas trabalhadas por semana. De autoria do Senador Fabiano Cantarato, da Rede Sustentabilidade/ES, a PL vem de encontro com as justificativas da categoria, uma das mais demandadas no início deste ano, principalmente em Manaus, por conta da segunda onda da Covid-19.

Durante a homenagem prestada pela CMM, de autoria do vereador Frasuá (Partido Verde), vários representantes da área explanaram as dificuldades e as reivindicações da categoria, que busca em nível nacional, uma recompensação justa pelos trabalhos desenvolvidos, principalmente, agora, durante o surgimento da pandemia de Coronavírus. “Queremos agradecer a vocês pela aprovação da moção de apoio ao PL 2564 que está no Senado. Isso é uma resposta positiva da voz do povo manauara, para nós da enfermagem, para nossos colegas e, inclusive aqueles que perderam suas vidas nessa pandemia. Manaus foi o epicentro e ficou no noticiário internacional. Manaus foi devastada pelo vírus e, lá na ponta, na beira do leito estavam os profissionais de enfermagem, técnicos, auxiliares cuidando da vida das pessoas, cuidado de nossos familiares, amigos e conhecidos. A gente agradece muito esse apoio da CMM”, disse o coordenador do Comitê de Enfermagem, Elton Alene.

Elton disse que, por conta da falta do piso, muitos profissionais têm que trabalhar em três locais para poder conseguir o mínimo pago para a categoria, que chega no máximo a R$2300. “O enfermeiro graduado que tira 13 plantões no mês, recebe no sistema privado no máximo R$3 mil. O técnico de enfermagem, na mesma jornada de trabalho recebe entre R$ 1.300 a R$ 1.800. Por isso muitos profissionais têm que ter mais trabalhos para poder pagar as contas, manter a alimentação dos filhos e também manter sua graduação, sua qualificação, sua profissionalização”, disse Elton.

O representante disse que mesmo com o apoio dos vereadores é necessário mais trabalho para conquistar os votos junto aos senadores. “A PL precisa de 41 votos dos senadores. Temos a sinalização de 50 senadores, inclusive, a bancada de senadores do Amazonas já declarou apoio. E precisamos do apoio dos deputados federais. E esse pedido é que fazemos que nos ajudem nessa articulação política. Se em janeiros e fevereiro nós precisamos da enfermagem, agora a enfermagem precisa de toda a classe política unificada nessa causa que é justa. Quem bateu palmas para a enfermagem no início do ano, é a hora de dar o voto sim pela enfermagem. Isso vai dar qualidade de vida àqueles que cuidam de vidas”, concluiu o representante.

Os vereadores de Manaus declaram apoio à PL. “A luta não é só da enfermagem, a luta é nossa, minha esposa é enfermeira, meu sobrinho é enfermeiro. São pessoas que merecem o nosso respeito e admiração e precisam de nosso compromisso na sua valorização. Eu já trabalhei com saúde indígena e o enfermeiro fazia tudo. As vezes faltam médicos e o enfermeiro está lá, segurando a equipe, pegando o usuário com a mão, fazendo parto, dando sua vida para salvar o paciente. A gente apoia totalmente a PL para pagar um salário justo para quem merece”, disse o vereador Daniel Vasconcelos (PSC).

Já o vereador e líder do governo, Marcelo Serafim (PSB), lembrou que o piso dos enfermeiros já estava sendo debatido em Brasília, quando era deputado federal. “Embora a cidade de Manaus tenha a carga horária de 30 horas, já obedeça, praticamente o teto da lei federal, nós temos a resistência das clinicas particulares, dos contratos que nós temos dentro do Governo do Estado que não pagam o piso salarial. E a gente vê a profissão da enfermagem cada vez mais desvalorizada. Temos uma quantidade enorme de universidades formando enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas E quando você tem uma grande quantidade de profissionais, o grande capital utiliza isso para achatar o salário desses profissionais”, explicou Marcelo Serafim.

O líder do governo disse que se posiciona a favor dos profissionais da enfermagem. “Nos momentos em que os salários no Estado atrasam, nas empresas e os colegas ficam sem receber, eu já falei isso com o Governador Wilson Lima que isso precisa ser resolvido. É inadmissível, por exemplo, que uma empresa como IET, que está dentro da UTIs públicas do Estado do Amazonas e da cidade de Manaus, trabalhando de forma intensa no combate à pandemia e que os profissionais estejam com os salários atrasados. Muitos adoeceram, morreram trabalhando dentro das UTIs. Acho eu que o ótimo salário pago foi, em torno, de fevereiro. Mês de janeiro foi parcelado em três vezes. Porque o recebimento por parte do governo não está sendo feito de forma regular”, cobrou o vereador.

O vereador Sassá da Construção (PT) disse que todas as classes de trabalhadores estão com os salários defasados. Mas, os enfermeiros que deveriam ser mais valorizados, por conta da pandemia, não foram. “O governo que temos só dá para trás. Não pensa em salário de profissionais, dos servidores públicos. É um governo que só pensa em cloroquina. Tem o plano de carreira dos enfermeiros e não houve nada. Que levou mesmo as pessoas a se curarem foram os enfermeiros. Foram eles que viram as pessoas doentes e levaram a cura. Os enfermeiros viram muita gente morrer, tiveram depressão, não aguentou ver tantas mortes nos hospitais. E o único pagamento que deram para eles foi não aumentarem o salário, não dar um salário digno. Vejo tanta autoridade ganhar bem e não faz nada. E, os que mais trabalham, ganham pouco”, disse o vereador.




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