Quarta-feira, 24 de Julho de 2019
APICULTURA

No Dia do Apicultor, profissionais falam do 'doce' trabalho e seus projetos na área

O apicultor Francisco Gilmar nasceu no Rio Grande do Norte e chegou a Manaus já tendo a experiência de trabalhar com a extração de mel de abelha no Piauí no conhecido Apiário Wenzel



22/05/2016 às 10:17

“Criar abelhas não é um trabalho: é uma dádiva de Deus”. A frase ajuda a explicar um pouco o sentimento do apicultor Francisco Gilmar Leite, 46, que há 28 anos produz mel no Amazonas. Neste domingo, dia dedicado a esses profissionais, ele sintetiza o esforço realizado pelos trabalhadores desse segmento, uma profissão que é doce, mas tem seu lado amargo na labuta de sol a sol e sob fumacês e o uso de macacões próprios para impedir o contato com as abelhas.

“Ser apicultor eu considero um presente de Deus. Não é só uma profissão, pois eu amo o que eu faço e as imagens falam por si só. Você vê o homem tendo quase o domínio total sobre os insetos. Conseguir colocar tantas abelhas em uma caixa, fazer elas morarem ali, produzir mel e te dar o teu sustento, teu e da tua família, não há nada igual”, comentou ele.

Francisco Gilmar nasceu no Rio Grande do Norte e chegou a Manaus já tendo a experiência de trabalhar com a extração de mel de abelha no Piauí no conhecido Apiário Wenzel. No entanto, na capital amazonense ele era borracheiro, até o dia em que a oficina no qual trabalhava fechou as portas. E abriu-se o mundo do mel amazonense para ele.

 “Certo dia fui ao Mercado Municipal Adolpho Lisboa e vi umas garrafas de mel em cima de uma banca. Perguntei o preço e achei um absurdo o preço. Pedi para degustar o produto e constatei que o mel não era de excelente qualidade. Fiz uma pesquisa de uma semana em outros locais como a Feira da Panair e outros bairros e vi a carência de mel puro. Peguei a pouca experiência que eu tinha, adquiri um livro sobre apicultura, comecei a estudá-lo e a criar abelhas. Antes, para me capitalizar, pedi para que um amigo me enviasse mel de lá do Piauí”, conta ele.

O início foi envasando o mel em garrafas de vidro, bem diferente dos atuais recipientes plásticos. Há 28 anos, ele vedava as mesmas garrafas com rolha de cortiça e saia pelas ruas vendendo tudo dentro de uma mochila. O saudoso cantor Abílio Farias era um dos seus clientes. Depois, ele criou a marca “Feira do Mel”, vendendo em feiras e praças da cidade.

Hoje, Francisco Gilmar Leite está em processo de licenciamento para criar a agroindústria Flor da Amazônia, que vai possibilitar a ele, após tanto esforço nas ruas e feiras da cidade, conseguir vender seus produtos para supermercados, mercadinhos e drogarias, expandindo o leque que hoje atende direto ao consumidor.  A sede é em Santa Etelvina, Zona Norte, mas existem outros três pontos de extração do saboroso mel.

Anualmente a produção é de 1.500 a 2 mil quilos de mel, mas a tendência é aumentar. Ele conta que já estão sendo investimentos para aumentar para até 10 ou 12 toneladas. “Quero chegar a até 300 colmeias e que os meus filhos se interessem e esse número chegue a 1.500 colmeias”, disse ele.

Agro-ecologia

A apicultura é a atividade mais agro-ecológica que existe, salienta o apicultor. “Nós não precisamos derrubar nem uma planta para a gente criar uma abelha. Pelo contrário, nós precisamos e dependemos de cada plantinha para ela produzir flores e néctar para poder as abelhas produzirem mel para a gente vender”, disse ele.

Resgate

Uma das funções extras desempenhadas no apiário criado pelo potiguar Francisco Gilmar Leite é a captura de abelhas em áreas residenciais da cidade. Se você está interessado em contratar os serviços do apicultor, os telefones de contato dele são 98143-4914 e 99133-9290.

Sem abelha, sem alimento na Terra, alerta apicultor

No dia a dia do apiário, Francisco conta na “Feira do Mel” com o apoio de colaboradores como Josimar Souza Sales, 27. Também apicultor, ele diz que atuar na área é um estilo de vida. “Praticar a apicultura na Amazônia é o sonho de muita gente que mora fora do Brasil. Passei 5 anos em Goiânia, mas voltei pois lugar bom é a terra da gente. Você viver disso é uma forma digna, onde se tem um papel na sociedade que é preservar a natureza também”, explica ele.

Sales lembrou até da importante frase atribuída ao renomado físico teórico alemão Albert Einstein que, entre suas principais obras, desenvolveu a teoria da relatividade geral, ao lado da mecânica quântica, onde: “Se as abelhas desaparecerem da face da terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais não haverá raça humana”.

“Sem a abelha, não há alimento. É preciso preservá-las. (o cientista Albert) Einstein falou que se as abelhas sumirem, a humanidade não vive mais do que quatro anos. E isso acontecendo no mundo. Mas aqui na nossa região estamos tendo uma incidência bem maior desses insetos.  Então somos abençoados por Deus com essa dádiva. Nos Estados Unidos as abelhas estão sumindo, enquanto que, aqui, há excesso graças a Deus”, destaca ele.

Única mulher apicultora quer se especializar

Sobrinha de Francisco Leite, a estudante Brena Leite, de 19 anos, atua como aprendiz de apicultura e não está fazendo feio. Ele acompanhou a extração dos favos de mel no apiário de Santa Etelvina.

A garota disse que é interessante e gratificante também atuar na apicultura. “É um ramo novo e que é supermaravilhoso de conhecer e trabalhar. Quero me especializar e fazer a faculdade de nutrição. Potencializar meu conhecimento”, explica ela, que possui o bacharelado de Educação Física,

Ela confessa que o único animal do qual não tem medo é a abelha. Mas do restante... “Por trabalhar há pouco tempo com isso, mas de ter nascido e sido criada na apiculura, eu não tenho medo da abelha. Dos outros insetos eu posso até ter, mas das abelhas, não, apesar dela ser mais ofensiva, em um primeiro momento, do que uma barata”, explica a sorridente sobrinha. “É um trabalho de família”, acrescenta Francisco Leite.

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